﻿{"id":5441,"date":"2011-01-18T16:19:15","date_gmt":"2011-01-18T18:19:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=5441"},"modified":"2014-08-25T11:12:26","modified_gmt":"2014-08-25T14:12:26","slug":"o-brinco-do-peninha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5441","title":{"rendered":"11. O brinco do Peninha"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-5447\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-22-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-22-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-22-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-22.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Eduardo Bueno, dito Peninha, \u00e9 um astro da cultura pop brasileira. Seu livro \u201cA viagem do descobrimento\u201d (Ed. Objetiva) foi um mega bestseller, assim como \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=610619&amp;ID=917384\" target=\"_blank\">Brasil: terra \u00e0 vista<\/a>\u201d (L&amp;PM) e muito outros. Peninha foi o inventor do vitorioso g\u00eanero \u201chist\u00f3ria para todos\u201d. A partir do seu livro sobre o descobrimento do Brasil, os leitores brasileiros passaram a ler a hist\u00f3ria com outro sabor. E mais que isso. Literalmente, descobriram o Brasil. Tanto \u00e9 verdade que a f\u00f3rmula foi imediatamente incorporada ao mercado editorial brasileiro. Hoje, os livros sobre personagens, fatos e datas brasileiras frequentam com naturalidade as listas dos mais vendidos. Peninha, al\u00e9m de jornalista, escritor e historiador, \u00e9 um grande especialista em Bob Dylan, Gr\u00eamio Futebol Portoalegrense e literatura <em>beat<\/em>,<em> <\/em>entre outros g\u00eaneros que agora n\u00e3o me ocorrem. Estou dizendo tudo isso porque Eduardo Bueno trabalhou aqui na L&amp;PM entre 1984 e 1988. Delirante, engra\u00e7ado e, digamos, exagerado, Peninha \u00e9, al\u00e9m de um intelectual respeitado, uma figura inesquec\u00edvel. Tem quase 1,90 de altura e, para dizer o m\u00ednimo, se caracteriza pela irrever\u00eancia. Quando ele chegou na editora era um jovem rep\u00f3rter esportivo desencantado com a imprensa e ostentava como grande realiza\u00e7\u00e3o intelectual a tradu\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=152905&amp;ID=926371\" target=\"_blank\">On the Road<\/a>\u201d de Jack Kerouac, publicado na \u00e9poca pela editora Brasiliense e, desde 2002, por esta editora. Peninha deixou sua marca na L&amp;PM. N\u00f3s j\u00e1 public\u00e1vamos Bukowski e, por inspira\u00e7\u00e3o dele, criamos duas cole\u00e7\u00f5es que at\u00e9 hoje s\u00e3o emblem\u00e1ticas do nosso trabalho, uma de hist\u00f3ria, com fontes prim\u00e1rias, como Os Di\u00e1rios de Cristov\u00e3o Colombo, Pigafetta, Cabeza de Vaca e a famosa cole\u00e7\u00e3o \u201cAlma <em>beat<\/em>\u201d. O resultado deste trabalho \u00e9 que, at\u00e9 hoje, a L&amp;PM transita nesta faixa de \u201ctransgress\u00e3o\u201d, sendo a editora de todos os Kerouac, Bukowski, Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Gary Snyder, Neal Cassidy e, modernamente, Hunter Thompson. L\u00e1 nos prim\u00f3rdios da editora \u2013 a era pr\u00e9-Peninha \u00ad\u2013, j\u00e1 estabelec\u00edamos esta voca\u00e7\u00e3o com a cole\u00e7\u00e3o \u201cRebeldes e malditos\u201d que publicou (e\u00a0tamb\u00e9m s\u00e3o publicados at\u00e9 hoje) Rimbaud, Baudelaire, Arthaud, Alfred Jarry, Van Gogh, T\u00e9ophile Gautier, Appolinaire, De Quincey, entre outros. Em 1988, Peninha saiu da L&amp;PM e foi para o mundo. Publicou dezenas de livros important\u00edssimos e est\u00e1 entre os principais escritores brasileiros. Mesmo sem um contato profissional mais intenso posso dizer que sou seu amigo e, at\u00e9 hoje, afirmo que os quatro anos em que ele trabalhou aqui tiveram, como dizia o rei Roberto Carlos, \u201cmuitas emo\u00e7\u00f5es\u201d. Andamos v\u00e1rias vezes pelo mundo, representando a L&amp;PM nas Feiras de Frankfurt, Paris, Londres, Buenos Aires. E foi numa dessas viagens que aconteceu uma das tantas e hil\u00e1rias aventuras que vivemos juntos. Essa que agora conto aqui.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/Eduardo-ao-fone.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5445\" title=\"Eduardo ao fone\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/Eduardo-ao-fone.jpg\" width=\"220\" height=\"189\" \/><\/a>Foi na primeira vez que ele me acompanhou na s\u00f3bria Feira Internacional do Livro de Frankfurt. L\u00e1, sempre se trabalhou de terno e gravata. At\u00e9 hoje. Na quarta-feira de manh\u00e3 cedo, eu estava pronto para enfrentar os quilom\u00e9tricos corredores da Buchmesse. Lembro que o primeiro encontro era estrat\u00e9gico, pois seria com um agente ingl\u00eas, super-formal que tinha livros muito importantes e pela primeira vez recebia a L&amp;PM em Frankfurt. Est\u00e1vamos no Hotel Ramada e, perto das 9h, impec\u00e1vel num terno escuro e gravata, bati na porta do quarto do Peninha. Quando ele surgiu, o quadro era o seguinte: vestia uma camisa de cetim roxa, sem palet\u00f3 e um brinco com um pingente. Fiquei em p\u00e2nico, imaginando a cara do ingl\u00eas que encontrar\u00edamos dali a meia hora&#8230; Falando mansamente, argumentei e pedi que ele colocasse uma camisa branca e um blazer. Dei uma explica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida sobre o formalismo da feira, etc. Ele me viu todo engravatado e, com relut\u00e2ncia, cedeu.\u00a0Vestiu uma camisa e o blazer. Sem gravata, \u00e9 claro, mas mesmo assim, j\u00e1 era um grande lucro. A\u00ed eu olhei pro brinco e disse: \u201cPeninha, bacana o seu brinco, deixa eu dar uma olhada\u201d. Ele docilmente me deu o brinco. Eu olhei, vi que era uma simples bijuteria, fui at\u00e9 o banheiro, joguei no vaso e puxei a descarga. N\u00e3o preciso descrever a cara do Peninha&#8230; Sei que eu n\u00e3o faria isto atualmente, mas no fim das contas, a verdade \u00e9 que temos neg\u00f3cios com o sisudo ingl\u00eas at\u00e9 hoje&#8230; e, o que \u00e9 mais importante, uma boa hist\u00f3ria pra contar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5542\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Eduardo Bueno, dito Peninha, \u00e9 um astro da cultura pop brasileira. Seu livro \u201cA viagem do descobrimento\u201d (Ed. Objetiva) foi um mega bestseller, assim como \u201cBrasil: terra \u00e0 vista\u201d (L&amp;PM) e muito outros. Peninha foi o inventor do vitorioso g\u00eanero \u201chist\u00f3ria para todos\u201d. 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