﻿{"id":5381,"date":"2011-01-14T09:51:16","date_gmt":"2011-01-14T11:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=5381"},"modified":"2011-01-16T12:10:29","modified_gmt":"2011-01-16T14:10:29","slug":"o-mito-rimbaud-a-dor-que-fascina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5381","title":{"rendered":"O mito Rimbaud: a dor que fascina"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado<\/em><\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos meses, publicaremos uma biografia de Arthur Rimbaud, por Jean-Baptiste Baronian, na <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=510927&amp;SubsecaoID=0&amp;Serie=Biografias\" target=\"_blank\">S\u00e9rie Biografias <\/a>da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET. Esta s\u00e9rie foi produzida originalmente pela editora francesa Gallimard e sua principal caracter\u00edstica \u00e9 a clareza e a qualidade do texto. Todos os \u201cbiografados\u201d s\u00e3o retratados de forma a aproximar e cativar o leitor. Alguns destes livros, como os dedicados a <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=183615\" target=\"_blank\"><em>Van Gogh<\/em><\/a>,<em> <\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=908846\" target=\"_blank\"><em>C\u00e9zanne<\/em><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=906381\"><em>Gandhi<\/em><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=519309\" target=\"_blank\"><em>\u00c1tila<\/em><\/a> receberam importantes pr\u00eamios liter\u00e1rios na Fran\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"attachment_5384\" style=\"width: 284px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5384\" class=\"size-medium wp-image-5384   \" title=\"rimbaud\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"198\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5384\" class=\"wp-caption-text\">Verlaine e Rimbaud em detalhe do famoso quadro &quot;Un coin de table&quot; (1872) de Henri Fantin-Latour<\/p><\/div>\n<p>Agora chegou a vez de Rimbaud. Com maestria, Jean-Baptiste Baronian tra\u00e7a, em menos de 200 p\u00e1ginas, um perfil realista de Jean-Nicolas Arthur Rimbaud. Ele consegue transportar o leitor ao universo denso e tr\u00e1gico do poeta, mostrando as bases e as causas da exist\u00eancia do \u201cmito Rimbaud\u201d. Porque o grande poeta franc\u00eas deixou no seu rastro uma longa trilha de mist\u00e9rios, contradi\u00e7\u00f5es e indaga\u00e7\u00f5es que constru\u00edram toda uma mitologia que s\u00f3 se amplia com o passar do tempo. Arthur Rimbaud teve uma vida tumultuada e uma obra incompar\u00e1vel. O enigm\u00e1tico div\u00f3rcio da literatura com pouco mais de 20 anos; um caso de amor com Paul Verlaine, tamb\u00e9m um grande poeta; onze\u00a0anos errando pela \u00c1frica Oriental, traficando de tudo, inclusive armas, numa \u00e9poca em que menos de cem europeus aventuravam-se pela Abiss\u00ednia (hoje Eti\u00f3pia), quase uma terra de ningu\u00e9m. O poeta que escreveu toda a sua obra entre os 15 e os 20 anos e \u00e9 considerado um dos maiores poetas franceses em todos os tempos. Estes s\u00e3o apenas alguns ingredientes irresist\u00edveis para a constru\u00e7\u00e3o de um mito. E a prova disso s\u00e3o os milhares de livros escritos \u201csobre\u201d Rimbaud, sua vida e, principalmente, seu p\u00e9riplo africano. O jovem bonito de grandes olhos azuis com apenas 14 anos j\u00e1 havia vencido o concurso de poemas em latim da sua escola. Com 19 anos escreveu \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=926455\" target=\"_blank\">Uma\u00a0temporada no Inferno<\/a>\u201d, pouco depois, com 20 anos escreveu \u201cIlumina\u00e7\u00f5es\u201d. Al\u00e9m destes dois grandes poemas a obra de Rimbaud \u00e9 composta de uma centena de poemas entre os quais o c\u00e9lebre \u201cBateau \u00cevre\u201d escrito aos 17 anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_5383\" style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud-na-abissinia-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5383\" class=\"size-medium wp-image-5383\" title=\"rimbaud na abissinia 1\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud-na-abissinia-1-216x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud-na-abissinia-1-216x300.jpg 216w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud-na-abissinia-1.jpg 654w\" sizes=\"auto, (max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5383\" class=\"wp-caption-text\">O errante Rimbaud na Abiss\u00ednia <\/p><\/div>\n<p>Adolescente, leu todos os autores fundamentais e, de repente, inconformado com a vida na prov\u00edncia e a m\u00e3e autorit\u00e1ria, iniciou um ros\u00e1rio de fugas. De Charleville, departamento de Roche, ele ganhou o mundo, deixando no seu rastro hist\u00f3rias de esc\u00e2ndalos em Paris, Bruxelas e Londres. Rodou pelo Oriente M\u00e9dio, na marinha mercante, trabalhou em Chipre, Genova, voltou \u00e0 Fran\u00e7a e finalmente sumiu na \u00c1frica. Aden, Harar, Choa, os desertos da Abiss\u00edna. Onze anos vivendo numa vida terr\u00edvel, sob 50 graus \u00e0 sombra, cujo testemunho s\u00e3o as cartas para a fam\u00edlia e depoimentos ocasionais de mercadores e europeus que o encontraram ou que trabalharam com ele. Tr\u00e1fico de armas, suspeitas de tr\u00e1fico de escravos, Arthur Rimbaud vendia tudo o que era poss\u00edvel vender. Falava mais de 10 l\u00ednguas, inclusive o \u00e1rabe. Nunca mais falou em poesia. Nunca mais se referiu a literatura em nenhum relato conhecido a partir dos seus 21 anos. Com 33 anos come\u00e7ou a ter problemas na perna direita. Depois de muito sofrimento foi diagnosticado um c\u00e2ncer. Voltou para a Fran\u00e7a para morrer depois de imensos sofrimentos. Inclusive a amputa\u00e7\u00e3o da perna direita.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Arthur Rimbaud intriga e apaixona. Dele, restou o mist\u00e9rio impenetr\u00e1vel. Como um homem abandona um dom no qual era perfeito? Ningu\u00e9m sabe, nem saber\u00e1. Um dos milhares de autores que escreveram com maior ou menor brilhantismo sobre o poeta, Charle Nicholl, finaliza seu brilhante \u201cRimbaud na \u00c1frica\u201d com um par\u00e1grafo que pode definir o grande enigma. Ele refere-se a um registro encontrado em um hotel em Aden:<\/p>\n<p><em>\u201cA profiss\u00e3o que consta \u00e9 a de \u2018negociante\u2019, e quanto ao endere\u00e7o, o funcion\u00e1rio escreveu apenas &#8216;de passage&#8217;. Este \u00e9 o seu verdadeiro epit\u00e1fio. Ele \u00e9 o homem \u2018de passagem\u2019, o n\u00f4made ou bedu\u00edno, o caminhante das grandes estradas. Est\u00e1 \u2013 tomando-se a express\u00e3o em sua intensidade m\u00e1xima \u2013 apenas de passagem. E mesmo agora, um s\u00e9culo depois, em p\u00e9 diante de seu t\u00famulo em Charleville, n\u00e3o sinto nem um pouco como se estivesse diante de seu \u00faltimo repouso, mas sim batendo \u00e0 porta de mais uma hospedaria deserta, indagando inutilmente por Monsieur Rimbaud, que j\u00e1 foi \u2018traficar no desconhecido\u2019, e n\u00e3o deixou endere\u00e7o para a posteridade.\u201d<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_5388\" style=\"width: 406px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/tumulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5388\" class=\"size-large wp-image-5388\" title=\"tumulo\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/tumulo-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"567\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5388\" class=\"wp-caption-text\">O t\u00famulo de Rimbaud em Charleville, cidade natal do poeta<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/rimbaud-t\u00famulo.jpg\"><\/a><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado Nos pr\u00f3ximos meses, publicaremos uma biografia de Arthur Rimbaud, por Jean-Baptiste Baronian, na S\u00e9rie Biografias da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET. 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