﻿{"id":5326,"date":"2011-01-11T14:15:44","date_gmt":"2011-01-11T16:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=5326"},"modified":"2014-08-25T11:06:24","modified_gmt":"2014-08-25T14:06:24","slug":"bukowski-levanta-o-tapete-e-mostra-a-sujeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5326","title":{"rendered":"10. Bukowski levanta o tapete e mostra a sujeira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-5327\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-21-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-21-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-21-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-21.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Charles Bukowski \u00e9 publicado pela L&amp;PM h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas. \u00c9 por isso que o velho safado \u00e9 super-identificado com a editora que publicou at\u00e9 agora quinze livros seus, incluindo \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=936150&amp;ID=707281\" target=\"_blank\">Del\u00edrios Cotidianos<\/a>\u201d, a bela adapta\u00e7\u00e3o de seus contos para HQ feita pelo desenhista alem\u00e3o Mathias Schultheiss. Nesse ano de 2011, vamos publicar finalmente os seus primeiros romances, \u201cCartas na rua\u201d e o incensado \u201cMulheres\u201d. A\u00ed teremos em nosso cat\u00e1logo todos os seus romances, os principais livros de contos, alguns de suas melhores obras de poemas e o antol\u00f3gico \u201cdi\u00e1rio\u201d publicado postumamente: \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=607461&amp;ID=929472\" target=\"_blank\">O capit\u00e3o saiu para o almo\u00e7o e os marinheiros tomaram conta do navio<\/a>\u201d. Bukowski conquistou a admira\u00e7\u00e3o dos jovens de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es; daqueles que s\u00e3o jovens h\u00e1 muito tempo e daqueles que s\u00e3o jovens recentemente. Esta perman\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o dos leitores se deve a uma obra descarnada, sobre a qual paira a irresist\u00edvel aura de transgress\u00e3o. H\u00e1 malucos que se tornam santos com o passar do tempo como Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Artaud, Thoureau, Kerouac, Bukowski, entre dezenas de outros. E esta maravilhosa capacidade da juventude de cultuar aqueles que descarrilham dos trilhos do sistema transforma artistas marginalizados em cl\u00e1ssicos. Desde que morreu, em 1994, a obra de Heinrich Karl Bukowski, dito Charles Bukowski, tem corrido o mundo. O b\u00eabado inconveniente capaz de performances desastrosas, completamente embriagado em frente \u00e0s c\u00e2meras da TV, passou a ser respeitado.<\/p>\n<p><strong>O lado sombrio do sonho americano<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/BUK-CRONICA1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5331\" title=\"BUK CRONICA\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/BUK-CRONICA1-201x300.jpg\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/BUK-CRONICA1-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/BUK-CRONICA1.jpg 335w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>Nasceu na Alemanha e criou-se nos EUA, filho de um militar de origem alem\u00e3 que lhe aplicava surras terr\u00edveis. Sua prosa e seus poemas \u201ccortam como a\u00e7o de navalha\u201d e sua obra sistematicamente \u00e9 o contraponto brutal ao \u201camerican way of life\u201d. Foi 1982 que ouvimos falar de Charles Bukowski aqui na L&amp;PM. Curiosamente, ele come\u00e7ava a fazer sucesso na It\u00e1lia e a agente liter\u00e1ria Ana Maria Santeiro, que representava a ag\u00eancia Carmen Balcells no Brasil, me passou um exemplar do livro \u201c<em>Erections, ejaculations, exhibitions and general tales of ordinary madness<\/em>\u201d. Fiquei perplexo com o t\u00edtulo e fascinado com a viol\u00eancia dos contos. Na mesma \u00e9poca, o cineasta italiano Marco Ferreri fez um filme baseado no livro que chamava-se \u201cCr\u00f4nica de um amor louco\u201d(em italiano \u201cStorie di Ordinaria Folia\u201d), com Ben Gazzara e a maravilhosa Ornella Muti que fazia o papel da \u201cmulher mais linda da cidade\u201d, um dos contos do livro. Rapidamente, a fama do filme espalhou-se e ele virou um verdadeiro \u201ccult\u201d da contra-cultura. N\u00f3s compramos os direitos do livro para o Brasil e o publicamos em dois volumes; o primeiro com o t\u00edtulo do filme \u201cCr\u00f4nica de um amor louco\u201d e no segundo adaptamos o t\u00edtulo original para \u201cFabul\u00e1rio geral do del\u00edrio cotidiano\u201d. At\u00e9 hoje publicamos estes livros, agora na Cole\u00e7\u00e3o Pocket.<\/p>\n<p>Em 1986, eu estava na Feira Internacional de Frankfurt com o dubl\u00ea de jornalista e historiador Eduardo Bueno (que na \u00e9poca trabalhava na L&amp;PM) quando conhecemos John Martin, o dono da legend\u00e1ria Black Sparrow, que publicou todos livros do velho Buk, com exce\u00e7\u00e3o de \u201cErections, ejaculations&#8230;\u201d que saiu pela editora e livraria City Lights de San Francisco, pertencente at\u00e9 hoje ao poeta beat Lawrence Ferlinghetti. Martin era um grande editor. Foi ele que percebeu o talento de Bukowski e estimulou-o a largar o emprego nos correios e dedicar-se a literatura. Hoje, quase todos os seus livros est\u00e3o na Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET e o baixo pre\u00e7o \u00e9 um apelo a mais para que os jovens o leiam. Bukowski n\u00e3o perdoa, n\u00e3o alivia. \u00c9 sempre violento, irreverente, n\u00e3o tem nenhuma ilus\u00e3o. \u00c9 bom que os jovens o leiam. Ele \u00e9 uma alternativa ao mundo idealizado que virou moda depois da vit\u00f3ria final da civiliza\u00e7\u00e3o do dinheiro e da globaliza\u00e7\u00e3o. Bukowski escancara o lado sombrio da nossa sociedade. Ele levanta o tapete e mostra a sujeira. \u00c9 a voz dos desvalidos, dos perdedores, dos desempregados, dos doentes, dos falidos, dos feios, das putas, dos b\u00eabados. N\u00e3o tem nenhum charme, mas a viol\u00eancia que jorra das suas p\u00e1ginas \u00e9 t\u00e3o verdadeira que n\u00e3o tem como ficar indiferente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5441\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Charles Bukowski \u00e9 publicado pela L&amp;PM h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas. \u00c9 por isso que o velho safado \u00e9 super-identificado com a editora que publicou at\u00e9 agora quinze livros seus, incluindo \u201cDel\u00edrios Cotidianos\u201d, a bela adapta\u00e7\u00e3o de seus contos para HQ feita pelo desenhista alem\u00e3o Mathias Schultheiss. 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