﻿{"id":521,"date":"2010-04-09T19:43:40","date_gmt":"2010-04-09T22:43:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=521"},"modified":"2012-04-02T16:44:25","modified_gmt":"2012-04-02T19:44:25","slug":"a-aventura-de-traduzir-kerouac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=521","title":{"rendered":"A aventura de traduzir Kerouac"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><em>Guilherme da Silva Braga enfrentou o desafio de traduzir Jack Kerouac: <\/em>Vis\u00f5es de Cody<em>, <\/em>Big Sur<em> e agora <\/em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o, <em>que dever\u00e1 ser lan\u00e7ado no in\u00edcio do segundo sementre de 2010. Obras viscerais de um autor que marcou o s\u00e9culo XX, que inovou na linguagem e segue sendo contempor\u00e2neo, e que\u00a0chega at\u00e9 n\u00f3s na vers\u00e3o impec\u00e1vel de Guilherme que narra, abaixo, o duro caminho que percorreu para traduzir o texto e a alma de Kerouac.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Por Guilherme da Silva Braga<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Depois de tr\u00eas meses de trabalhos come\u00e7ados logo ap\u00f3s o Ano-Novo e de quase quatrocentas p\u00e1ginas de prosa ensandecida, hoje terminei a tradu\u00e7\u00e3o de mais um livro do <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=63\" target=\"_blank\">Kerouac<\/a>, que vai sair em portugu\u00eas pela <strong><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\" target=\"_blank\">L&amp;PM<\/a><\/strong> com o t\u00edtulo de <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em> (\u201cDesolation Angels\u201d). Assim como aconteceu com <em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=747477&amp;ID=639450\" target=\"_blank\">Vis\u00f5es de Cody<\/a><\/em>, essa \u00e9 a primeira tradu\u00e7\u00e3o de <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em> para o portugu\u00eas, o que \u00e9 uma \u00f3tima not\u00edcia para os leitores \u00e1vidos por novidade.<br \/>\nN\u00e3o sei se algum leitor faz id\u00e9ia, mas esse jeit\u00e3o largado dos textos do Kerouac pode ser um tanto intimidador para quem traduz, mesmo quando a gente trabalha com o maior cuidado e o maior respeito pelo texto. Quando terminei a minha tradu\u00e7\u00e3o do dif\u00edcil poema <em>Mar<\/em>, que encerra o<em> <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=152905&amp;ID=939272\" target=\"_blank\">Big Sur<\/a><\/em>, por exemplo, foi um grande incentivo descobrir que a tradu\u00e7\u00e3o do Paulo Henriques Britto (Brasiliense, 1985) \u2013 embora muito diferente da minha \u2013 tinha dado um tratamento mais ou menos similar ao texto. Faz bem saber que o que a gente est\u00e1 fazendo n\u00e3o \u00e9 uma loucura e que outros tradutores de reconhecida compet\u00eancia e talento tomaram decis\u00f5es parecidas quando precisaram.<\/p>\n<p><strong>Um bom come\u00e7o para quem quer conhecer Kerouac<\/strong><\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div id=\"attachment_527\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Visoes_Cody1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-527\" class=\"size-medium wp-image-527  \" title=\"Visoes_Cody\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Visoes_Cody1-204x300.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Visoes_Cody1-204x300.jpg 204w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Visoes_Cody1-697x1024.jpg 697w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/Visoes_Cody1.jpg 888w\" sizes=\"auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-527\" class=\"wp-caption-text\">Guilherme tamb\u00e9m traduziu &quot;Vis\u00f5es de Cody&quot; \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Digo sem d\u00favida que <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 o meu livro favorito do Kerouac at\u00e9 o momento, bem como uma excelente apresenta\u00e7\u00e3o para quem nunca leu nenhuma obra do cara. <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em> n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o surtado quanto <em>Vis\u00f5es de Cody<\/em>, mas ainda assim quaisquer concess\u00f5es \u00e0 \u201carte do bem escrever\u201d no sentido acad\u00eamico-babaca do termo passaram longe: Kerouac acerta a m\u00e3o na escrita de sua prosa tipicamente escalafob\u00e9tica, mantendo a estranheza, a espontaneidade e o experimentalismo subversivo do texto, por\u00e9m sem descambar o tempo inteiro para o absurdo. O resultado \u00e9 um livro a um s\u00f3 tempo mais cativante e de leitura mais agrad\u00e1vel.<br \/>\nComo de costume, em <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em> Kerouac faz da vida uma aventura e relata desde as experi\u00eancias espirituais que teve durante a solid\u00e3o prolongada no topo do Desolation Peak, onde trabalhou como vigia de inc\u00eandios, at\u00e9 cenas absolutamente hil\u00e1rias ao lado dos amigos <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=946450\" target=\"_blank\">Allen Ginsberg<\/a>, Peter Orlovsky, Lafcadio Orlovsky e Gregory Corso na Cidade do M\u00e9xico \u2013 tudo regado a viagens, garotas, alegrias, bebidas, paranoias, tristezas e ternuras, como qualquer leitor devoto est\u00e1 cansado de saber.<br \/>\nComo tradutor que sou, no entanto, n\u00e3o me cabe contar a hist\u00f3ria do livro, mas apenas a da tradu\u00e7\u00e3o. <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em>, diferente do que ocorreu em <em>Vis\u00f5es de Cody<\/em>, n\u00e3o vir\u00e1 acompanhado de nenhuma nota introdut\u00f3ria minha sobre a tradu\u00e7\u00e3o, uma vez que as dificuldades que apresenta \u2013 embora n\u00e3o tenham faltado \u2013 n\u00e3o s\u00e3o nem t\u00e3o espec\u00edficas nem t\u00e3o extremas a ponto de justificar a tal nota. O que n\u00e3o me impede de escrever estas breves palavras sobre alguns dos percal\u00e7os que enfrentei com tanta alegria durante a tradu\u00e7\u00e3o da obra, claro.<br \/>\nAo contr\u00e1rio do que reza a cartilha tradut\u00f3ria \u2013 mas a exemplo do que\u00a0quase todos os tradutores liter\u00e1rios que conhe\u00e7o e com quem j\u00e1 troquei id\u00e9ias fazem \u2013, n\u00e3o costumo ler os livros que traduzo antes de come\u00e7ar a traduzi-los. No caso espec\u00edfico do Kerouac, parece-me que abrir m\u00e3o de uma leitura pr\u00e9via pode ter o ben\u00e9fico efeito colateral de manter o frescor do texto, o que evidentemente n\u00e3o me dispensa, ao cabo da tradu\u00e7\u00e3o, de reler todo o texto produzido em portugu\u00eas uma segunda vez com o maior cuidado poss\u00edvel para corrigir erros, completar lacunas e aparar arestas a fim de deixar o texto o mais fluente poss\u00edvel.<\/p>\n<div id=\"attachment_522\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/beats.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-522\" class=\"size-full wp-image-522 \" title=\"beats\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/beats.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"292\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-522\" class=\"wp-caption-text\">Parte da s\u00e9rie &quot;Beats&quot;, publicada pela L&amp;PM<\/p><\/div>\n<p><strong>Cada p\u00e1gina, um desafio<\/strong><\/p>\n<p>Tenho certeza de que h\u00e1 quem pegue os livros do Kerouac \u2013 seja no original, seja em uma tradu\u00e7\u00e3o minha ou dos outros valentes tradutores que arriscaram o pesco\u00e7o nas outras vers\u00f5es brasileiras dos livros do autor \u2013 e pense que \u00e9 f\u00e1cil escrever ou traduzir prosa em um estilo mais livre, j\u00e1 que certas preocupa\u00e7\u00f5es com corre\u00e7\u00e3o gramatical, coer\u00eancia e coes\u00e3o textual v\u00e3o em boa parte para o espa\u00e7o. O que menos gente percebe \u00e9 que toda essa liberdade estil\u00edstica gera um conjunto muito particular de problemas tradut\u00f3rios. Um dos aspectos mais gritantes, no caso espec\u00edfico de Kerouac, \u00e9 o som e o ritmo da prosa original, dotada de uma naturalidade incr\u00edvel, que a faz soar quase como se fosse de fato um texto <em>falado<\/em> \u2013 o que \u00e0s vezes de fato acontece, como por exemplo no enorme cap\u00edtulo de <em>Vis\u00f5es de Cody<\/em> intitulado <em>Frisco: a fita<\/em>. Assim, um dos grandes desafios de traduzir Kerouac \u00e9 manter essa espontaneidade, essa vivacidade da l\u00edngua falada no texto escrito \u2013 algo que n\u00e3o estamos acostumados a ver. Muito do que pode parecer desleixo e improviso destrambelhado quando escrito na p\u00e1gina soa exatamente como falar\u00edamos no dia-a-dia se lido em voz alta com a entona\u00e7\u00e3o adequada (verdade que em certos casos soa tal como falar\u00edamos depois de tomar um porre, mas ainda assim o efeito de verossimilhan\u00e7a permanece).<\/p>\n<p><strong>Os di\u00e1logos, um dos pontos altos <\/strong><\/p>\n<p>Outro aspecto muito comentado e raras vezes explicado quando se fala sobre tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 a necessidade de conferir a cada personagem uma voz pr\u00f3pria. As primeiras vezes em que ouvi falar a respeito, n\u00e3o entendi muito bem como esse efeito seria alcan\u00e7ado. Mas durante a tradu\u00e7\u00e3o de <em>Vis\u00f5es de Cody<\/em> descobri um caminho que tem me prestado bons servi\u00e7os e me permitido dar uma cara pr\u00f3pria \u00e0s falas de Kerouac, <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=606063\" target=\"_blank\">Neal Cassady<\/a>, Gregory Corso, Allen Ginsberg, William Burroughs e o resto desse pessoal. No texto original, o modo como alguns dos personagens falam \u2013 Cassady em particular \u2013 \u00e9 t\u00e3o flagrantemente diferente dos demais que me vi obrigado a elaborar um guia pessoal de estilo para os diferentes protagonistas, a fim de registrar as peculiaridades que eu conferi, em portugu\u00eas, \u00e0 fala de cada um. Assim, nas minhas tradu\u00e7\u00f5es, o leitor notar\u00e1 por exemplo que Cassady prefere a forma \u201cc\u00ea\u201d em vez de \u201cvoc\u00ea\u201d, e que Kerouac e Ginsberg falam \u201cteu\u201d, enquanto Corso fala \u201cseu\u201d. Claro, esses s\u00e3o apenas exemplos simpl\u00f3rios, mas depois de traduzir tr\u00eas livros de Kerouac \u2013 <em>Vis\u00f5es<\/em> <em>de Cody<\/em>, <em>Big Sur<\/em> e agora <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em>, com um quarto livro do autor j\u00e1 em vista<em> <\/em>\u2013 o meu pequeno guia cresceu a ponto de incluir express\u00f5es e maneirismos menos \u00f3bvios, como \u201cfiadaputa\u201d (em geral dito por Neal Cassady), \u201ct\u00e1 legal\u201d (Gregory Corso), \u201chmmm\u201d (William Burroughs) e \u201cvolta e meia\u201d (Jack Kerouac). \u00c9 \u00f3bvio que estas s\u00e3o apenas orienta\u00e7\u00f5es gerais que elaborei para a minha pr\u00f3pria consulta e n\u00e3o regras infal\u00edveis a que me ative de maneira obstinada \u2013 o que sequer seria desej\u00e1vel \u2013, mas de qualquer modo pareceu-me que adotar este ou aquele modo de dizer dependendo de quem est\u00e1 falando seria uma boa forma de marcar a individualidade dos personagens nos di\u00e1logos.<br \/>\nOs di\u00e1logos de <em>Anjos da desola\u00e7\u00e3o<\/em>, ali\u00e1s, s\u00e3o um dos pontos mais altos do livro. Em algumas das melhores cenas, Gregory Corso, sempre aos berros, faz um breve e inflamado discurso sobre a beleza e a verdade para os at\u00f4nitos passageiros de um \u00f4nibus; Allen Ginsberg trava uma divertid\u00edssima conversa tril\u00edng\u00fce em que mistura ingl\u00eas (portugu\u00eas), espanhol e franc\u00eas para pechinchar o aluguel de um apartamento na Cidade do M\u00e9xico com a senhoria; e Lafcadio, o irm\u00e3o parcialmente catat\u00f4nico de Peter Orlovsky, insiste em fazer perguntas sobre os sonhos de Kerouac.<\/p>\n<p><strong>Agora \u00e9 s\u00f3 esperar mais alguns meses para o livro chegar \u00e0s livrarias.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme da Silva Braga enfrentou o desafio de traduzir Jack Kerouac: Vis\u00f5es de Cody, Big Sur e agora Anjos da desola\u00e7\u00e3o, que dever\u00e1 ser lan\u00e7ado no in\u00edcio do segundo sementre de 2010. 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