﻿{"id":5138,"date":"2011-01-04T10:19:50","date_gmt":"2011-01-04T12:19:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=5138"},"modified":"2011-01-04T10:21:44","modified_gmt":"2011-01-04T12:21:44","slug":"shakespeare-em-machado-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5138","title":{"rendered":"Shakespeare em Machado de Assis"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Lu\u00eds Augusto Fischer*<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ficcionista brasileiro que tenha lido e aproveitado mais a Shakespeare do que Machado de Assis; e n\u00e3o h\u00e1 autor que mais tenha influenciado o brasileiro do que o g\u00eanio ingl\u00eas. Desde a juventude, nosso maior escritor frequentou as p\u00e1ginas teatrais e po\u00e9ticas do autor do <em>Ham\u00adlet<\/em>, e isso numa \u00e9poca em que o prest\u00edgio cultural da l\u00edngua inglesa no Brasil era pequeno, muito menor do que o do franc\u00eas. Machado sabia que ali, e n\u00e3o em seus estimados franceses Voltaire, Pascal e Victor Hugo, estava a chave para os maiores segredos da psicologia humana, que sua literatura iria explorar com profundidade in\u00e9dita em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Machado traduziu, parafraseou e citou Shakespeare desde sua juventude. A partir de 1870 essa rela\u00e7\u00e3o se intensificou, em parte pelo amadurecimento do pr\u00f3prio autor brasileiro (nascido em 1839), em outra parte pela chance que teve de assistir a um conjunto expressivo de interpreta\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as shakesperianas feitas por uma companhia italiana de passagem pelo Brasil; foi a primeira vez que Machado (e talvez todo o pa\u00eds) p\u00f4de ver como era uma \u00f3tima montagem europeia do grande autor ingl\u00eas, e registrou suas impress\u00f5es em cr\u00f4nica da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mas as maiores provas da import\u00e2ncia do bardo ingl\u00eas na obra do brasileiro acontecem em seu apogeu. A primeira vez que sa\u00edram publicadas as <em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>, em folhetim, l\u00e1 estava uma ep\u00edgrafe shakesperiana, de <em>As You Like It<\/em>, em tradu\u00e7\u00e3o do autor: \u201cN\u00e3o \u00e9 meu intento criticar nenhum f\u00f4lego vivo, mas a mim somente, em quem descubro muitos sen\u00f5es\u201d. Seu primeiro grande romance, assim, vem precedido de Shakespeare, que funciona aqui como um parachoque autocr\u00edtico.<\/p>\n<p>Depois o mesmo dramaturgo apareceu em muitos contos memor\u00e1veis (como <em>A Cartomante<\/em>) e em cr\u00f4nicas, at\u00e9 ganhar sua maior homenagem em terras brasileiras, nada menos que o nervo psicol\u00f3gico do mais importante romance machadiano, <em>Dom Casmurro<\/em>. Ocorre que Bentinho reencarna o ciumento Otelo \u2013 esta pe\u00e7a foi citada 28 vezes por Machado, em narrativas, pe\u00e7as e artigos \u2013, vivendo o sentimento em seu cotidiano e medindo Capitu com Desd\u00eamona, aquela culpada, esta inocente.<\/p>\n<p>Machado sabia que, para ser grande, era preciso conhecer os maiores; Shakespeare foi a melhor refer\u00eancia que nosso grande autor poderia ter escolhido.<\/p>\n<p><em>*A cr\u00f4nica acima foi originalmente publicada\u00a0<a href=\"http:\/\/zerohora.clicrbs.com.br\/zerohora\/jsp\/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a3163614.xml&amp;template=3916.dwt&amp;edition=16226&amp;section=999\" target=\"_blank\">na pg. 6 do Segundo Caderno do Jornal Zero Hora\u00a0<\/a> (link exclusivo para cadastrados) em 4 de janeiro de 2011.<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lu\u00eds Augusto Fischer* N\u00e3o h\u00e1 ficcionista brasileiro que tenha lido e aproveitado mais a Shakespeare do que Machado de Assis; e n\u00e3o h\u00e1 autor que mais tenha influenciado o brasileiro do que o g\u00eanio ingl\u00eas. 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