﻿{"id":4572,"date":"2010-12-07T16:30:08","date_gmt":"2010-12-07T18:30:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=4572"},"modified":"2014-08-25T10:55:17","modified_gmt":"2014-08-25T13:55:17","slug":"frankfurt-onde-o-mundo-dos-livros-se-encontrava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=4572","title":{"rendered":"5. Frankfurt: onde o mundo dos livros se encontra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4574\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/ERA-UMA-VEZ-2-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>A Feira Internacional de Frankfurt faz parte da vida dos editores de todo o mundo. Ela funciona no seu atual formato desde o final da Segunda Guerra e \u00e9 a maior feira de neg\u00f3cios de direitos autorais do planeta. E tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o falta ao local: foi h\u00e1 poucos quil\u00f4metros de Frankfurt, no s\u00e9culo XV, que Johannes Gutenberg inventou os tipos m\u00f3veis, causando a grande revolu\u00e7\u00e3o da imprensa. A partir do seu invento, os livros e os jornais poderiam ser impressos aos milhares. Mas voltemos \u00e0 Feira. S\u00e3o mais de 30 hectares de pavilh\u00f5es interligados por esteiras rolantes onde se re\u00fanem cerca de 7 mil expositores de 200 pa\u00edses. Apesar destes n\u00fameros impressionantes, mais da metade da Feira de Frankfurt \u00e9 ocupada por seis pa\u00edses: Gr\u00e3 Bretanha, Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a, Espanha e It\u00e1lia. E destes seis, EUA, Gr\u00e3 Bretanha e Alemanha\u00a0comparecem com quase\u00a03 mil expositores. Na pr\u00e9-hist\u00f3ria, ou seja, na era pr\u00e9-fax e pr\u00e9-internet, era l\u00e1 que se aceleravam os neg\u00f3cios. At\u00e9 meados da d\u00e9cada de 80, seguindo o <em>time<\/em> dos correios, para adquirir os direitos autorais de um livro, se levava em m\u00e9dia uns quatro, cinco meses. Hoje, numa eficiente troca de e-mails com um agente liter\u00e1rio, \u00e9 feita proposta, contraproposta e pode se fechar um neg\u00f3cio numa manh\u00e3. Naqueles tempos bem mais vagarosos, n\u00f3s cheg\u00e1vamos em Frankfurt com a mala abarrotada de contratos e pend\u00eancias. Era l\u00e1 que tudo se resolvia. Minha primeira Feira foi em 1976. Naquela \u00e9poca havia sempre um \u201ctema\u201d que concentrava as atividades culturais (a partir de 1990, devido\u00a0a confus\u00f5es pol\u00edticas e religiosas, foram extintos os \u201ctemas\u201d, e o centro cultural do evento passou a girar em torno de um pa\u00eds homenageado). Naquele ano, foi \u201cLiteratura latino-americana\u201d. Eu tinha 24 anos. Meu amigo Fernando Gasparian, dono da editora Paz e Terra, falecido no ano passado, me apresentou para um jovem e promissor escritor uruguaio, Eduardo Galeano, seu editado. Trinta e dois anos depois, Galeano \u00e9 uma celebridade internacional e toda a sua obra \u00e9 agora publicada pela L&amp;PM. \u201cVeias abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d, seu grande bestseller, foi relan\u00e7ado h\u00e1 pouco em vers\u00e3o convencional e pocket, com nova tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Faraco. Lembro muito bem daquela Feira e do grande debate sobre o \u201cLiteratura Latino-americana\u201d. Na plat\u00e9ia do enorme audit\u00f3rio, havia mais de duas mil pessoas. Na mesa estavam Mario Vargas Llosa, Gabriel Garcia Marquez, Jos\u00e9 Donoso, Jorge Amado, Mario Benedetti, Julio Cort\u00e1zar, Juan Rulfo, Augusto Roa Bastos, entre outros. Jorge Luis Borges declinara do convite porque havia muito comunista&#8230;<\/p>\n<div id=\"attachment_4584\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/feira-de-frankfurt-geral3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4584\" class=\"size-full wp-image-4584\" title=\"feira de frankfurt geral\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/feira-de-frankfurt-geral3.jpg\" width=\"434\" height=\"306\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4584\" class=\"wp-caption-text\">Vista de um dos pavilh\u00f5es da Feira de Frankfurt &#8211; Foto: Ivan Pinheiro Machado<\/p><\/div>\n<p>Hoje, Frankfurt \u00e9 uma cidade totalmente diferente, com enormes arranha-c\u00e9us. Tem muito pouco daquela cidade p\u00f3s-guerra, sequelada pelos bombardeios aliados. Nestes tempos modernos, a balada p\u00f3s-feira \u00e9 no lobby do luxuoso hotel <em>Frankfurter Hoff<\/em>, onde transitam os agentes, editores, candidatos a autores e autores consagrados. \u00c9 comum, entre uma ta\u00e7a de champanhe Veuve Clicquot\u00a0 e outra \u2013 \u00e0 bagatela de 20 euros cada ta\u00e7a \u2013 , trope\u00e7armos em algum pr\u00eamio Nobel, como a romeno-alem\u00e3 Herta Muller, Nobel do ano passado que circulava alegremente em todos os lugares de Frankfurt. Depois do advento da internet, a <em>Frankfurter Buchmesse<\/em> perdeu sua pot\u00eancia, mas n\u00e3o perdeu seu charme e import\u00e2ncia. Com a velocidade estonteante das comunica\u00e7\u00f5es, os neg\u00f3cios, quando chegamos \u00e0 Frankfurt, no in\u00edcio do outono europeu, j\u00e1 est\u00e3o andando ou realizados. Com sorte, descobrimos alguma novidade entre os milhares de livros expostos. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que o contato pessoal ainda \u00e9 o que nos faz atravessar o oceano e enfrentar os aeroportos insuport\u00e1veis. Trocamos e-mails furiosamente durante o ano inteiro com centenas de agentes, editores internacionais e autores. \u00c9 muito eficiente, mas tudo \u00e9 muito impessoal. No fundo, n\u00f3s ainda vamos a Frankfurt para olhar no olho dos agentes e abra\u00e7ar os velhos amigos, o que (ainda) \u00e9 imposs\u00edvel fazer pelo Skype&#8230;<a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=4717\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* A Feira Internacional de Frankfurt faz parte da vida dos editores de todo o mundo. Ela funciona no seu atual formato desde o final da Segunda Guerra e \u00e9 a maior feira de neg\u00f3cios de direitos autorais do planeta. 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