﻿{"id":4073,"date":"2010-11-16T15:35:02","date_gmt":"2010-11-16T17:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=4073"},"modified":"2014-08-25T10:50:49","modified_gmt":"2014-08-25T13:50:49","slug":"o-rango-marrom-vanguarda-por-acaso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=4073","title":{"rendered":"2. O Rango marrom: vanguarda por acaso"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg\" width=\"449\" height=\"53\" \/><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Convidado por um velho amigo, o professor Wladimir Ungaretti, fui \u00e0 Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS para falar sobre livros &amp; editoras\u00a0a uma plat\u00e9ia de estudantes do primeiro e segundo ano. Foi muito legal. Eu falava para meninos e meninas de, no m\u00e1ximo, 19 anos, muito interessados nas hist\u00f3rias sobre a ditadura, sobre cultura brasileira, etc. Quando eu falo sobre os tempos da repress\u00e3o para os jovens, eu me cuido. Lembro do meu pai falando pra mim e pro meu irm\u00e3o sobre o Estado Novo, sobre o Get\u00falio. Para n\u00f3s, aquilo (que havia ocorrido meia d\u00fazia de anos antes de nascermos) parecia que tinha acontecido h\u00e1 milhares de anos, no per\u00edodo paleol\u00edtico. J\u00e1 para meu pai parecia que tinha acontecido ontem, pois ele havia vivido aquilo tudo. Portanto, eu tive o cuidado de falar brevemente sobre os \u201canos de chumbo\u201d para um plateia at\u00e9, aparentemente, bem interessada. Foi quando uma estudante fez uma pergunta surpreendente, desviando (sabiamente) o assunto da pol\u00edtica: \u201cNota-se o car\u00e1ter inovador da L&amp;PM desde o primeiro lan\u00e7amento\u201d disse ela. \u201cPois ao contr\u00e1rio de todos os livros do mercado, o <em>Rango 1<\/em>, primeiro livro da editora, foi impresso em tinta marrom. Fale sobre isso\u201d. A\u00ed eu entendi como se criam muitas lendas que circulam\u00a0 no nosso imagin\u00e1rio. Se a hist\u00f3ria real n\u00e3o fosse t\u00e3o engra\u00e7ada, eu at\u00e9 manteria esta vers\u00e3o vanguardista&#8230; Iniciei minha resposta pedindo desculpas, pois iria desapont\u00e1-la. E contei a verdade: quando fizemos a L&amp;PM e, consequentemente o <em>Rango 1<\/em>, t\u00ednhamos muitas ideias e nenhum centavo. Nenhum centavo mes-mo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4087 aligncenter\" title=\"Rango-1\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1-300x203.jpg\" width=\"300\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1-1024x693.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Este livro de estreia foi impresso em agosto de 1974, numa pequena gr\u00e1fica que pertencia ao Alfredo Oliveira, amigo nosso, popularmente conhecido em Porto Alegre como \u201cCarioca\u201d. E, naturalmente, de gra\u00e7a. O Carioca exigiu apenas que pag\u00e1ssemos o papel, o que esper\u00e1vamos fazer com os lucros do Rango. Combinamos que a impress\u00e3o se daria fora de expediente, num s\u00e1bado \u00e0 tarde. Ele escalou dois funcion\u00e1rios e l\u00e1 fomos para a gr\u00e1fica com os fotolitos embaixo do bra\u00e7o. Chegamos l\u00e1 \u00e0s duas da tarde e estava tudo preparado. Quando entramos no galp\u00e3o, o impressor nos disse: \u201cS\u00f3 tem um probleminha, o \u201cseu\u201d Carioca pediu pra n\u00e3o usar a tinta preta, pois ele s\u00f3 tem duas latas e vai precisar na segunda-feira cedo\u201d. Ficamos nos olhando. A\u00ed o rapaz falou: \u201co \u2018seu\u2019 Carioca sugeriu que se misture os restos de tinta pra ver no que d\u00e1\u201d. Havia umas 10 latas que ainda tinham um pouco de tinta. Tudo misturado, daria o suficiente para imprimir os 5 mil exemplares de 80 p\u00e1ginas do Rango. Pegamos uma lata grande e colocamos todos os restos l\u00e1 dentro. Amarelo, vermelho, azul, um pouquinho de preto que tinha numa lata velha e misturamos bem. O resultado foi&#8230; marrom. E assim foi impresso. A famosa teoria circunstancial da hist\u00f3ria, de que fala Mill\u00f4r Fernandes. O dif\u00edcil foi conseguir esta cor quando fizemos a segunda edi\u00e7\u00e3o depois que o Rango foi o mais vendido na Feira do Livro de Porto Alegre em Outubro de 1974. N\u00e3o preciso dizer que a rapaziada morreu de rir.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=4264\" target=\"_blank\"><em><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Convidado por um velho amigo, o professor Wladimir Ungaretti, fui \u00e0 Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS para falar sobre livros &amp; editoras\u00a0a uma plat\u00e9ia de estudantes do primeiro e segundo ano. Foi muito legal. 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