﻿{"id":3930,"date":"2010-11-09T14:44:21","date_gmt":"2010-11-09T16:44:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=3930"},"modified":"2014-08-25T10:49:39","modified_gmt":"2014-08-25T13:49:39","slug":"o-comeco-da-cozinha-para-o-porao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=3930","title":{"rendered":"1. O come\u00e7o: da cozinha para o por\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3933\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ERA-UMA-VEZ-2-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p><em>Uma editora publica hist\u00f3rias \u2013 e vive muitas delas. Principalmente quando tem mais de tr\u00eas d\u00e9cadas como n\u00f3s. Quantas e quantas hist\u00f3rias para contar&#8230; O pessoal que \u201c\u00e9 jovem a menos tempo do que n\u00f3s\u201d, aqui mesmo na L&amp;PM, sempre quer saber curiosidades, \u201ccausos\u201d passados, fatos hil\u00e1rios, outros nem tanto. Enfim, h\u00e1 uma vontade natural de conhecer mais desta conviv\u00eancia entre editores e autores. E tamb\u00e9m de descobrir um pouco sobre como uma editora atravessou dezenas de crises econ\u00f4micas, quatro moedas diferentes e uma ditadura brutal. Eu vou tentar, semanalmente, no espa\u00e7o deste blog, resgatar um pouco desta hist\u00f3ria. <\/em><\/p>\n<p>Foi assim:<\/p>\n<p>Fundamos a editora em agosto de 1974 e a primeira sede foi na cozinha do escrit\u00f3rio de advocacia do meu pai, o Dr. Antonio Pinheiro Machado Netto. Ah! \u00cda me esquecendo de esclarecer; pra quem n\u00e3o sabe, L&amp;PM quer dizer Lima e Pinheiro Machado. Escolhemos este nome por acaso, quase como uma brincadeira, porque nunca imagin\u00e1vamos chegar onde chegamos&#8230; Mas eu falava na primeira sede da L&amp;PM. Mandamos acarpetar a cozinha do escrit\u00f3rio de advocacia do \u201cvelho\u201d Pinheiro que era num imponente sobrado na Avenida Ven\u00e2ncio Aires em Porto Alegre. Ficamos l\u00e1 quase um ano, at\u00e9 que faltou espa\u00e7o. Fomos ent\u00e3o para o por\u00e3o do escrit\u00f3rio do pai do Lima, o Mario de Almeida Lima, mais conhecido como \u201cvelho\u201d Lima, combativo jornalista, diretor da sucursal de <em>O Estado de S. Paulo<\/em> em Porto Alegre e dono de uma das principais livrarias de Porto Alegre, a Livraria Lima. Assim, os nosso pais, ambos j\u00e1 falecidos e de saudosa mem\u00f3ria, contribu\u00edram decisivamente, aos nos albergar gratuitamente, para o come\u00e7o desta aventura. S\u00f3 fomos pagar o primeiro aluguel em 1976. J\u00e1 t\u00ednhamos 25 anos de idade e quase tr\u00eas como editores. Nosso livro de estreia havia sido a colet\u00e2nea de tiras de quadrinhos do Rango, personagem de Edgar Vasques de grande sucesso na \u00e9poca e que acabou sendo o livro o mais vendido da Feira do Livro de Porto Alegre em 1974. Hav\u00edamos publicado ainda a \u201cAntologia Brasileira de Humor\u201d em dois volumes, o livro \u201cOposi\u00e7\u00e3o\u201d de Paulo Brossard, \u201cS\u00f3 d\u00f3i quando eu respiro\u201d de Caulos \u2013\u00a0 o primeiro livro brasileiro inteiramente de cartuns sobre ecologia \u2013e est\u00e1vamos em vias de publicar Mill\u00f4r Fernandes e Josu\u00e9 Guimar\u00e3es. Voltando ao come\u00e7o do come\u00e7o, viv\u00edamos uma truculenta ditadura que perseguia os intelectuais, artistas e todos aqueles que criticavam o governo. Havia uma severa censura \u00e0 imprensa e todos os editores independentes eram sistematicamente vigiados e perseguidos. Logo, logo ter\u00edamos nosso encontro com esta sombria realidade. Nosso \u201cbatismo de fogo\u201d ocorreu exatamente no primeiro livro. A Pol\u00edcia Federal nos convocou para \u201cprestar esclarecimentos\u201d sobre o conte\u00fado do livro \u201cRango 1\u201d. Foi uma tarde inesquec\u00edvel, pelo desprezo com que o gorila que examinava o livro do Vasques me tratava e o medo que eu sentia l\u00e1 naquele lugar sinistro de onde alguns conhecidos nossos jamais sa\u00edram. \u00a0Eles achavam o \u201cRango\u201d de \u201csubversivo\u201d porque tinha como tema a mis\u00e9ria brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mortalidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3944  aligncenter\" title=\"mortalidade\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mortalidade.jpg\" width=\"531\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mortalidade.jpg 531w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mortalidade-300x102.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 531px) 100vw, 531px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para falar bem a verdade, n\u00e3o era a melhor \u00e9poca para fazer uma editora. No auge da ditadura, o livro n\u00e3o tinha nenhum prest\u00edgio. Era o tipo do neg\u00f3cio que, como diria o Paulo Francis, \u201cn\u00e3o fazia bem \u00e0 sa\u00fade\u201d. Foi naquele tempo que eu encontrei o grande antrop\u00f3logo, romancista, ensa\u00edsta e educador Darcy Ribeiro, de quem publicamos um belo livro,\u201cEnsaios Ins\u00f3litos\u201d. Num dado momento da conversa, ele me perguntou \u201cVoc\u00eas n\u00e3o tinham um neg\u00f3cio melhor pra fazer?\u201d. Eu n\u00e3o lembro da minha resposta, mas recordo muito bem quando ele falou que o mundo se movia baseado na \u201cinci\u00eancia (sic) da juventude\u201d. Ou seja, sem sombra de d\u00favida, era uma maluquice fazer uma editora em plena ditadura.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=4073\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Uma editora publica hist\u00f3rias \u2013 e vive muitas delas. Principalmente quando tem mais de tr\u00eas d\u00e9cadas como n\u00f3s. Quantas e quantas hist\u00f3rias para contar&#8230; O pessoal que \u201c\u00e9 jovem a menos tempo do que n\u00f3s\u201d, aqui mesmo na L&amp;PM, sempre quer saber curiosidades, \u201ccausos\u201d passados, fatos hil\u00e1rios, outros nem tanto. 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