﻿{"id":3708,"date":"2010-10-26T14:41:05","date_gmt":"2010-10-26T16:41:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=3708"},"modified":"2010-10-26T14:41:05","modified_gmt":"2010-10-26T16:41:05","slug":"nos-que-contamos-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=3708","title":{"rendered":"N\u00f3s, que contamos hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Augusto Fischer*<\/em><\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, muita aten\u00e7\u00e3o: livro imperd\u00edvel na pra\u00e7a, para qualquer leitor interessado em viajar pelos motivos mais profundos da exist\u00eancia da literatura. Livra\u00e7o, massagem no c\u00e9rebro, alargamento de horizontes. E tudo isso numa forma de ensaio relativamente livre, que combina otimamente com a mat\u00e9ria. Ainda n\u00e3o disse nem nome, nem t\u00edtulo: \u00e9 <em>A Esp\u00e9cie Fabuladora<\/em> (com o subt\u00edtulo que n\u00e3o \u00e9 um exagero: Um Breve Estudo sobre a Humanidade), de Nancy Huston, editado pela L&amp;PM com tradu\u00e7\u00e3o de Ilana Heineberg \u2013 e minha primeira sugest\u00e3o de compra na Feira que vem vindo a\u00ed. O livro \u00e9 uma paciente (embora breve) indaga\u00e7\u00e3o sobre a for\u00e7a da literatura enquanto uma marca da natureza humana. Somos a \u00fanica esp\u00e9cie da natureza que sempre se conta hist\u00f3rias; n\u00e3o h\u00e1 grupo humano, de qualquer espa\u00e7o ou \u00e9poca, que n\u00e3o tenha criado e mantido um conjunto de relatos para explicar o mundo, organizar a vida e transmitir o sentido das coisas aos que v\u00eam chegando. A autora, romancista consagrada (li dela o belo e pungente <em>Marcas de Nascen\u00e7a<\/em>, tamb\u00e9m editado pela L&amp;PM), passeia por v\u00e1rios dos argumentos que o senhor e eu alguma vez at\u00e9 j\u00e1 vimos ou ouvimos em torno do tema; mas ela costura tudo por um interesse bem pessoal, que nos aproxima do tema de modo irresist\u00edvel: conversando sobre literatura com presidi\u00e1rias, ouviu de uma delas uma pergunta perturbadora: \u201cPara que inventar hist\u00f3rias quando a realidade j\u00e1 \u00e9 t\u00e3o extraordin\u00e1ria?\u201d. A\u00ed \u00e9 que t\u00e1: a escritora n\u00e3o apenas aceitou a provoca\u00e7\u00e3o como encontrou um caminho argumentativo singular e eficaz, que mostra a for\u00e7a da narrativa, para o bem da esp\u00e9cie, como se pode ver nos incont\u00e1veis relatos existentes, mas para o mal tamb\u00e9m, como ocorre com aqueles leitores de um \u00fanico livro ou, pior ainda, com aqueles leitores que tomam certos relatos como de origem divina e por isso como mandatos, n\u00e3o raro como \u00e1libi para matar. Nancy Huston, sem doutrinarismo algum, olha as coisas como uma humanista radical, que concebe a figura divina desde que esta tamb\u00e9m seja compreendida como cria\u00e7\u00e3o humana \u2013 uma perspectiva freudiana arejada. O texto termina com uma defesa do romance que \u00e9 um refrig\u00e9rio para a alma de leitores em p\u00e2nico, como \u00e9 meu caso, de vez em quando, ao constatar o avan\u00e7o da imagem e da instantaneidade sobre e contra a palavra e a reflex\u00e3o: o objetivo da fic\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria chamada romance n\u00e3o \u00e9 ser mais forte que a realidade, mas sim fornecer outro ponto de vista sobre ela \u2013 ele n\u00e3o quer ensinar o certo e o errado, como fazem as fic\u00e7\u00f5es familiares, religiosas e pol\u00edticas, mas sim mostrar a verdade dos seres humanos, \u201cuma verdade sempre mista e impura, tecida de paradoxos, questionamentos e abismos\u201d. Assim simples.<\/p>\n<p><em>* O texto acima foi originalmente publicado na coluna de Lu\u00eds Augusto Fischer no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora de 26 de outubro de 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Augusto Fischer* Aten\u00e7\u00e3o, muita aten\u00e7\u00e3o: livro imperd\u00edvel na pra\u00e7a, para qualquer leitor interessado em viajar pelos motivos mais profundos da exist\u00eancia da literatura. Livra\u00e7o, massagem no c\u00e9rebro, alargamento de horizontes. E tudo isso numa forma de ensaio relativamente livre, que combina otimamente com a mat\u00e9ria. 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