﻿{"id":28468,"date":"2018-07-18T14:15:26","date_gmt":"2018-07-18T17:15:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=28468"},"modified":"2018-07-18T14:23:13","modified_gmt":"2018-07-18T17:23:13","slug":"neste-dia-da-minha-libertacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=28468","title":{"rendered":"\u201cNeste dia da minha liberta\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em 1964, Mandela se recusou a se retirar da aten\u00e7\u00e3o mundial. Em vez disso, tornou-se o foco de um crescente movimento internacional contra o apartheid. O slogan \u201cLibertem Nelson Mandela\u201d foi ouvido em muitas manifesta\u00e7\u00f5es durante os anos 1970 e 1980 \u2013 e inclusive se tornou, em 1984, o refr\u00e3o de uma can\u00e7\u00e3o de sucesso da banda inglesa de ska The Specials.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da desaprova\u00e7\u00e3o internacional, no entanto, o apartheid perdurou. Houve irrup\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia severa em cidades negras, notadamente em Soweto, perto de Johannesburgo. No in\u00edcio dos anos 1980, o primeiro-ministro P. W. Botha (mais tarde, presidente) aceitara uma necessidade de mudan\u00e7a, anunciando que os brancos deveriam \u201cse adaptar ou morrer\u201d. Algumas leis do apartheid foram revogadas, mas Mandela se recusou a renunciar \u00e0 luta armada em troca de uma oferta condicional de soltura em 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 10 de fevereiro de 1990, o sucessor de Botha, F. W. de Klerk, finalmente ordenou a soltura de Mandela. No dia seguinte, o mundo inteiro assistiu a Mandela sair da pris\u00e3o, admirado com a figura nobre e ereta que fora ocultada da vista por tanto tempo. Mais tarde, ele falou em um com\u00edcio na pra\u00e7a Grand Parade, na Cidade do Cabo. Em seu discurso, ele sa\u00fada aqueles que o apoiaram durante seu confinamento e que mantiveram viva a luta contra o apartheid. Em seguida, insiste na necessidade de uma \u00c1frica do Sul democr\u00e1tica e n\u00e3o racial.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Mandela_discurso.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-28474 aligncenter\" alt=\"Mandela_discurso\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Mandela_discurso-297x300.png\" width=\"297\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Mandela_discurso-297x300.png 297w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Mandela_discurso.png 533w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNeste dia da minha liberta\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11 de fevereiro de 1990, Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAmigos, camaradas e concidad\u00e3os sul-africanos, eu os sa\u00fado em nome da paz, da democracia e da liberdade para todos. Estou aqui diante de voc\u00eas n\u00e3o como um profeta, e sim como um humilde servo do povo. Seus sacrif\u00edcios heroicos e incans\u00e1veis tornaram poss\u00edvel eu estar aqui\u00a0hoje. Eu, portanto, coloco em suas m\u00e3os os anos de vida que me restam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste dia da minha liberta\u00e7\u00e3o, expresso minha afetuosa e sincera gratid\u00e3o aos milh\u00f5es de compatriotas e \u00e0queles que, no mundo todo, lutaram incansavelmente para que eu fosse libertado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o especialmente ao povo da Cidade do Cabo, esta cidade em que vivi por tr\u00eas d\u00e9cadas. Suas manifesta\u00e7\u00f5es de massa e outras formas de luta serviram como uma fonte constante de for\u00e7a para todos os prisioneiros pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado o Congresso Nacional Africano, que cumpriu todas as nossas expectativas em seu papel como l\u00edder da grande marcha para a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado nosso presidente, o camarada Oliver Tambo, por liderar o CNA mesmo nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado os membros da base do CNA, que sacrificaram a vida pela causa nobre da nossa luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado os combatentes do Umkhonto we Sizwe, como Solomon\u00a0Mahlangu e Ashley Kriel, que pagaram o pre\u00e7o mais alto pela liberdade de\u00a0todos os sul-africanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado o Partido Comunista da \u00c1frica do Sul por sua excelente contribui\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0 luta pela democracia. Voc\u00eas sobreviveram a quarenta anos de persegui\u00e7\u00e3o\u00a0implac\u00e1vel. A mem\u00f3ria de grandes comunistas como Moses Kotane,\u00a0Yusuf Dadoo, Bram Fisher e Moses Mabhida ser\u00e1 estimada pelas futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado o secret\u00e1rio-geral Joe Slovo, um de nossos melhores patriotas. Ficamos animados com o fato de que a alian\u00e7a entre n\u00f3s e o partido continua forte como sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado a Frente Democr\u00e1tica Unida, o Comit\u00ea Nacional da Crise na\u00a0Educa\u00e7\u00e3o, o Congresso da Juventude Sul-Africana, os congressos indianos\u00a0de Transvaal e Natal e o Cosatu, e as muitas outras forma\u00e7\u00f5es do Movimento\u00a0Democr\u00e1tico de Massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m sa\u00fado a Faixa Negra e a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes Sul&#8211;Africanos. Observamos com orgulho que voc\u00eas agiram como a consci\u00eancia dos sul-africanos brancos. Mesmo durante os dias mais obscuros na hist\u00f3ria da nossa luta, voc\u00eas mantiveram erguida a bandeira da liberdade. A mobiliza\u00e7\u00e3o de massa em larga escala dos \u00faltimos anos \u00e9 um dos fatores principais que levaram ao in\u00edcio do cap\u00edtulo final da nossa luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estendo meus cumprimentos \u00e0 classe trabalhadora do nosso pa\u00eds. Sua for\u00e7a organizada \u00e9 o orgulho do nosso movimento. Voc\u00eas continuam sendo a for\u00e7a mais confi\u00e1vel na luta pelo fim da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o. Presto tributo \u00e0s muitas comunidades religiosas que prosseguiram com a campanha por justi\u00e7a quando as organiza\u00e7\u00f5es do nosso povo foram silenciadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado os l\u00edderes tradicionais do nosso pa\u00eds. Muitos de voc\u00eas continuam\u00a0a seguir os passos de grandes her\u00f3is como Hintsa e Sekhukune.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presto tributo ao incessante hero\u00edsmo da juventude, voc\u00eas, os jovens le\u00f5es. Voc\u00eas, os jovens le\u00f5es, energizaram toda a nossa luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presto tributo \u00e0s m\u00e3es, esposas e irm\u00e3s da nossa na\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas s\u00e3o o alicerce da nossa luta. O apartheid causou mais sofrimento a voc\u00eas do que a quaisquer outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta ocasi\u00e3o, agradecemos \u00e0 comunidade mundial por sua grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 luta contra o apartheid. Sem o seu apoio, nossa luta n\u00e3o teria chegado at\u00e9 aqui. O sacrif\u00edcio dos Estados na linha de frente ser\u00e1 para sempre lembrado pelos sul-africanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minhas sauda\u00e7\u00f5es ficariam incompletas sem expressar meu profundo apre\u00e7o pela for\u00e7a que recebi de minha amada esposa e fam\u00edlia durante meus longos e solit\u00e1rios anos na pris\u00e3o. Estou convencido de que a dor e o sofrimento de voc\u00eas foram muito maiores do que os meus [&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a maioria dos sul-africanos, negros e brancos, reconhece que o apartheid n\u00e3o tem futuro. Precisa acabar por meio de nossa a\u00e7\u00e3o decisiva para construir a paz e a seguran\u00e7a. A campanha das massas em desafio ao apartheid e outras a\u00e7\u00f5es da nossa organiza\u00e7\u00e3o e do nosso povo s\u00f3 podem culminar no estabelecimento da democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A destrui\u00e7\u00e3o causada pelo apartheid em nosso subcontinente \u00e9 incalcul\u00e1vel. O tecido da vida familiar de milh\u00f5es do meu povo foi destru\u00eddo. Milh\u00f5es est\u00e3o desabrigados e desempregados. Nossa economia est\u00e1 em ru\u00edna e nosso povo est\u00e1 envolvido em rixas pol\u00edticas. Nosso recurso \u00e0 luta armada em 1960, com a forma\u00e7\u00e3o da ala militar do CNA, o Umkhonto we Sizwe, foi uma a\u00e7\u00e3o puramente defensiva contra a viol\u00eancia do apartheid. Os fatores que exigiram a luta armada existem ainda hoje. N\u00e3o temos outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o continuar.\u00a0Expressamos a esperan\u00e7a de que logo se crie um clima que conduza a um acordo negociado, para que n\u00e3o haja mais necessidade de luta armada.\u00a0Sou um membro leal e disciplinado do Congresso Nacional Africano.\u00a0Portanto, estou totalmente de acordo com todos os seus objetivos, estrat\u00e9gias\u00a0e t\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de unir o povo do nosso pa\u00eds \u00e9, hoje, uma tarefa t\u00e3o importante como sempre foi. Nenhum l\u00edder individual \u00e9 capaz de realizar<br \/>\nessa tarefa enorme sozinho. \u00c9 nossa tarefa, como l\u00edderes, apresentar nossas opini\u00f5es \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e permitir que as estruturas democr\u00e1ticas decidam. Quanto \u00e0 quest\u00e3o da pr\u00e1tica democr\u00e1tica, sinto o dever de esclarecer que um l\u00edder do movimento \u00e9 uma pessoa que foi eleita democraticamente numa confer\u00eancia nacional. Esse \u00e9 um princ\u00edpio que deve ser seguido sem exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, desejo informar a voc\u00eas que minhas conversas com o governo t\u00eam o objetivo de normalizar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds. Ainda n\u00e3o come\u00e7amos a discutir as demandas b\u00e1sicas da luta. Desejo enfatizar que eu, em momento algum, entrei em negocia\u00e7\u00f5es sobre o futuro do nosso pa\u00eds, exceto para insistir em uma reuni\u00e3o entre o CNA e o governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sr. De Klerk foi mais longe do que qualquer outro presidente nacionalista\u00a0ao dar passos reais para normalizar a situa\u00e7\u00e3o. No entanto, h\u00e1 outros\u00a0passos, conforme delineados na Declara\u00e7\u00e3o de Harare, que precisam ser dados antes que as negocia\u00e7\u00f5es sobre as demandas b\u00e1sicas do nosso povo possam come\u00e7ar. Reitero o apelo por, entre outras coisas, o fim imediato do estado de\u00a0emerg\u00eancia e a liberta\u00e7\u00e3o de todos, e n\u00e3o apenas alguns, os prisioneiros pol\u00edticos. Somente tal situa\u00e7\u00e3o normalizada, que permita a livre atividade pol\u00edtica, pode nos permitir consultar nosso povo a fim de obter um mandato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo precisa ser consultado sobre quem negociar\u00e1 e sobre o conte\u00fado dessas negocia\u00e7\u00f5es. As negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem acontecer por cima nem pelas costas do nosso povo. Acreditamos que o futuro do nosso pa\u00eds s\u00f3 pode ser determinado por um \u00f3rg\u00e3o que seja eleito democraticamente em uma base n\u00e3o racial. As negocia\u00e7\u00f5es sobre o desmantelamento do apartheid ter\u00e3o de responder \u00e0s demandas irrefut\u00e1veis do nosso povo por uma \u00c1frica do Sul unida, democr\u00e1tica e n\u00e3o racial. Deve haver um fim ao monop\u00f3lio dos brancos sobre o poder pol\u00edtico e uma reestrutura\u00e7\u00e3o fundamental dos nossos sistemas pol\u00edtico e econ\u00f4mico, para garantir que as desigualdades do apartheid sejam superadas e que nossa sociedade seja totalmente democratizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos acrescentar que o pr\u00f3prio sr. De Klerk \u00e9 um homem \u00edntegro,\u00a0plenamente ciente dos riscos de uma figura p\u00fablica n\u00e3o honrar seus compromissos.\u00a0Mas, como organiza\u00e7\u00e3o, baseamos nossas pol\u00edticas e estrat\u00e9gias\u00a0na dura realidade com a qual nos deparamos. E essa realidade \u00e9 que ainda\u00a0estamos sofrendo sob as pol\u00edticas do governo nacionalista.\u00a0Nossa luta chegou a um momento decisivo. Conclamamos\u00a0nosso povo a aproveitar este momento, para que o processo\u00a0rumo \u00e0 democracia seja r\u00e1pido e ininterrupto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esperamos tempo demais pela nossa liberdade. J\u00e1 n\u00e3o podemos esperar.\u00a0\u00c9 hora de intensificar a luta em todas as frentes. Afrouxar nossos esfor\u00e7os\u00a0agora seria um erro que as gera\u00e7\u00f5es futuras n\u00e3o seriam capazes de perdoar. A\u00a0vis\u00e3o da liberdade despontando no horizonte deve nos encorajar a redobrar\u00a0nossos esfor\u00e7os.\u00a0\u00c9 somente por meio da a\u00e7\u00e3o disciplinada das massas que\u00a0nossa vit\u00f3ria pode ser assegurada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclamamos nossos compatriotas brancos a se unirem a n\u00f3s na constru\u00e7\u00e3o\u00a0de uma nova \u00c1frica do Sul. O movimento pela liberdade tamb\u00e9m \u00e9\u00a0o seu lar pol\u00edtico. Conclamamos a comunidade internacional a continuar a\u00a0campanha pelo isolamento do regime de apartheid. Suspender as san\u00e7\u00f5es\u00a0agora seria correr o risco de abortar o processo rumo \u00e0 completa erradica\u00e7\u00e3o\u00a0do apartheid.\u00a0Nossa marcha pela liberdade \u00e9 irrevers\u00edvel. N\u00e3o devemos\u00a0permitir que o medo se interponha em nosso caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sufr\u00e1gio universal com um registro unificado de eleitores numa\u00a0\u00c1frica do Sul unida, democr\u00e1tica e n\u00e3o racial \u00e9 o \u00fanico caminho para a paz e a harmonia racial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, desejo citar minhas pr\u00f3prias palavras durante meu julgamento em 1964. Elas s\u00e3o t\u00e3o verdadeiras hoje quanto foram na \u00e9poca: \u2018Eu lutei contra a domina\u00e7\u00e3o branca e lutei contra a domina\u00e7\u00e3o negra. Nutri o ideal de uma sociedade livre e democr\u00e1tica em que todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com iguais oportunidades. \u00c9 um ideal pelo qual espero viver e o qual espero alcan\u00e7ar. Mas, se for necess\u00e1rio, \u00e9 um ideal pelo qual estou preparado para morrer\u2019.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>O discurso de Mandela e de outros grandes oradores est\u00e3o na obra <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=637394&amp;ID=735483\">50 Discursos que mudaram o mundo moderno<\/a><\/em>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em 1964, Mandela se recusou a se retirar da aten\u00e7\u00e3o mundial. Em vez disso, tornou-se o foco de um crescente movimento internacional contra o apartheid. 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