﻿{"id":27799,"date":"2016-11-24T11:28:21","date_gmt":"2016-11-24T13:28:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=27799"},"modified":"2016-11-24T11:28:21","modified_gmt":"2016-11-24T13:28:21","slug":"com-a-cruz-no-nome-e-a-noite-na-epiderme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=27799","title":{"rendered":"Com a cruz no nome e a noite na epiderme"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cruz-e-sousa-aos-22b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-27800\" alt=\"cruz-e-sousa-aos-22b\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cruz-e-sousa-aos-22b.jpg\" width=\"243\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cruz-e-sousa-aos-22b.jpg 243w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/cruz-e-sousa-aos-22b-182x300.jpg 182w\" sizes=\"auto, (max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/a>Jo\u00e3o Cruz e Sousa nasceu a 24 de novembro de 1861, na cidade de Nossa Senhora do Desterro (atual Florian\u00f3polis), capital da ent\u00e3o Prov\u00edncia de Santa Catarina. Filho de escravos alforriados, trazia nas art\u00e9rias sangue sem mescla da \u00c1frica e, talvez, como escreveu Tasso da Silveira &#8220;no profundo psiquismo, milen\u00e1rias for\u00e7as adormecidas de ang\u00fastia e sonho&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de uma vida de mis\u00e9rias, doen\u00e7as e humilha\u00e7\u00f5es, morreu a 19 de mar\u00e7o de 1898, na cidade de S\u00edtio, em Minas, para onde fora transportado \u00e0s pressas, vencido pela tuberculose e em busca de melhores ares. Em sua r\u00e1pida vida de somente trinta e seis anos, percorreu todo um ciclo de experi\u00eancias de grande sofrimento: preconceito racial, mis\u00e9ria, loucura da mulher, morte dos filhos, morte dos pais, indiferen\u00e7a da cr\u00edtica e de outros escritores e poetas. Mas houve a conjun\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias que resultaram no seu canto imortal. E \u00e9 esse canto que importa, contrariando aqueles cr\u00edticos que anunciavam que ele era um &#8220;negrinho mau rimador&#8221; e que n\u00e3o alcan\u00e7aria o sucesso porque &#8220;tinha a cruz no nome e a noite na epiderme&#8221;.<\/p>\n<p>Cruz e Sousa escreveu poesias a vida toda. S\u00f3 uma parte foi organizada por ele mesmo para publica\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>Missal, Broqu\u00e9is, \u00daltimos Sonetos, Evoca\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/em>Mas destas quatro, apenas duas foram publicadas enquanto ele estava vivo. Como colocou a professora e pesquisadora Zahid\u00e9 Lipinaccci Muzart na introdu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=926099\" target=\"_blank\"><em>Broqu\u00e9is\u00a0<\/em>da L&amp;PM<\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Cruz e Sousa foi o verdadeiro poeta canibal, antecipando e muito Oswald de Andrade, os manifestos modernistas e as inquieta\u00e7\u00f5es e estranhamentos da poesia do s\u00e9culo XX. Leu, converteu, transformou diferen\u00e7as e variedades, abrasileirou franceses, influenciou latino-americanos e continua at\u00e9 hoje a nos surpreender. Assimilou o que quis dos poetas que leu, deglutiu-os e vomitou-os em poemas fant\u00e1sticos revirginados de seus precursores, reencontrando toda uma fam\u00edlia de esp\u00edritos, uma verdadeira confraria, a dos criadores de fantasia! Foi um verdadeiro poeta moderno com todas as conota\u00e7\u00f5es da palavra em cada \u00e9poca. Como Baudelaire, na Fran\u00e7a, Cruz e Sousa, no Brasil, foi o introdutor da modernidade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Tulipa real<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Carne opulenta, majestosa, fina,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Do sol gerada nos febris carinhos,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> H\u00e1 m\u00fasica, h\u00e1 c\u00e2nticos, h\u00e1 vinhos<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Na tua estranha boca sulferina.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>A forma delicada e alabastrina<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Do teu corpo de l\u00edmpidos arminhos<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Tens a frescura virginal dos linhos<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> E da neve polar e cristalina.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Deslumbramento de lux\u00faria e gozo,<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Vem dessa carne o travo aciduloso<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> De um fruto aberto aos tropicais morma\u00e7os.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Teu cora\u00e7\u00e3o lembra a orgia dos tricl\u00ednios&#8230;<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> E os reis dormem bizarros e sangu\u00edneos<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Na seda branca e pulcra dos teus bra\u00e7os.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Cruz e Sousa nasceu a 24 de novembro de 1861, na cidade de Nossa Senhora do Desterro (atual Florian\u00f3polis), capital da ent\u00e3o Prov\u00edncia de Santa Catarina. 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