﻿{"id":27251,"date":"2016-04-05T16:30:36","date_gmt":"2016-04-05T19:30:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=27251"},"modified":"2016-04-05T16:30:36","modified_gmt":"2016-04-05T19:30:36","slug":"a-divina-comedia-da-lpm-esta-divina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=27251","title":{"rendered":"A Divina Com\u00e9dia da L&#038;PM est\u00e1 divina"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=719460\" target=\"_blank\"><i>A Divina Com\u00e9dia<\/i>, de Dante Alighieri, acaba de chegar \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket <\/a>com tradu\u00e7\u00e3o de Eug\u00eanio Vinci de Moraes. Para conhecer melhor essa vers\u00e3o da mais c\u00e9lebre jornada do inferno ao para\u00edso, leia um texto de nossa editora, Caroline Chang, seguida de uma entrevista com o tradutor.<\/p>\n<blockquote><p><strong><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/A_divina_comedia_2016.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27252\" alt=\"A_divina_comedia_2016\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/A_divina_comedia_2016-180x300.jpg\" width=\"180\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/A_divina_comedia_2016-180x300.jpg 180w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/A_divina_comedia_2016-615x1024.jpg 615w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/A_divina_comedia_2016.jpg 1263w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a>A jornada at\u00e9 Dante<\/strong><\/p>\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o quase 4 anos que escrevi a Eugenio Vinci de Moraes convidando-o a realizar uma nova tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>A divina com\u00e9dia<\/i>, de Dante Alighieri. Na ocasi\u00e3o, eu sabia que o Eug\u00eanio \u2013 que \u00e9 professor universit\u00e1rio de literatura e portanto n\u00e3o \u00e9 tradutor em tempo integral \u2013 n\u00e3o entregaria o trabalho no prazo combinado (de v\u00e1rios meses), nem mesmo nos acr\u00e9scimos. Mas n\u00e3o imaginaria que s\u00f3 lan\u00e7ar\u00edamos sua nova tradu\u00e7\u00e3o em prosa da obra-prima de Dante somente no outono de 2016! (Bem, isso \u00e9 um pouco da beleza do of\u00edcio de editor de livros<i>: <\/i>partes e fases desse lento e minucioso processo n\u00e3o cessam de extrapolar o esperado e nos surpreender, numa par\u00f3dia da vida.) Mas valeu por esperar. Ap\u00f3s dezenas e dezenas de meses em que pingaram na minha caixa de e-mail cantos do inferno, ent\u00e3o do purgat\u00f3rio e do para\u00edso, e s\u00f3 depois do texto todo revisado, o leitor tem em m\u00e3os uma bel\u00edssima edi\u00e7\u00e3o, que perdurar\u00e1 anos a fio. Apresenta o cl\u00e1ssico de Dante \u2013 um dos livros mais influentes de todos os tempos \u2013 belamente traduzido em prosa. Perde-se, \u00e9 verdade, a rima po\u00e9tica do original italiano, mas ganha-se, por outro lado, a melhor compreens\u00e3o da complexa jornada de sete dias do personagem Dante em busca da excel\u00eancia moral e espiritual. Tamb\u00e9m facilitam a leitura: a completa, por\u00e9m acess\u00edvel (que equil\u00edbrio dif\u00edcil!) apresenta\u00e7\u00e3o, que transmite ao leitor o que se sabe e o que n\u00e3o se sabe sobre a vida de Dante e o contexto de surgimento da obra; uma breve vis\u00e3o geral do universo tal como apresentado na\u00a0<i>Com\u00e9dia<\/i>, uma nota introdut\u00f3ria sobre a organiza\u00e7\u00e3o do inferno, do para\u00edso e do purgat\u00f3rio; breves resumos do enredo no in\u00edcio de cada canto; e curtas notas de rodap\u00e9 \u2013 tudo preparado pelo Eug\u00eanio com muito, muito esmero. O mercado brasileiro j\u00e1 contava com 3 tradu\u00e7\u00f5es em versos do cl\u00e1ssico de Dante. Agora conta com a mais bem-cuidada edi\u00e7\u00e3o em prosa desse grande \u00e9pico italiano. (Caroline Chang)<\/p><\/blockquote>\n<p>A seguir, uma entrevista com o tradutor Eug\u00eanio Vinci de Moraes, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade se S\u00e3o Paulo, com uma tese intitulada &#8220;A Tijuca e o P\u00e2ntano. A Divina com\u00e9dia na obra de Machado de Assis entre 1870 e 1881&#8221;. Eug\u00eanio \u00e9 professor do Centro Universit\u00e1rio Uninter do Paran\u00e1 e tamb\u00e9m traduziu, entre outras,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=545433\" target=\"_blank\"><em>A arte da guerra<\/em><\/a>, de Maquiavel (L&amp;PM Editores). Eug\u00eanio tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela \u00f3tima apresenta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>A Divina Com\u00e9dia<\/em>, intitulada &#8220;Uma semana entre os mortos&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>L&amp;PM: <b>&#8220;A Divina Com\u00e9dia&#8221; foi, originalmente, escrita em verso. Na sua opini\u00e3o, a vers\u00e3o em prosa facilita a leitura dessa obra?<\/b><br \/>\n<strong>Eug\u00eanio:<\/strong> <i>Creio que sim, pois a prosa \u00e9 a forma do discurso com a qual estamos mais acostumados. Isso pode ajudar o leitor. Claro que isso vai depender da tradu\u00e7\u00e3o e das decis\u00f5es do tradutor ao fazer a vers\u00e3o. Al\u00e9m disso, algumas tradu\u00e7\u00f5es em verso \u00e0s vezes ficam mais dif\u00edceis de compreender do que os versos do original, pois s\u00e3o obrigadas a respeitar a m\u00e9trica e as rimas no portugu\u00eas, o que \u00e9 dific\u00edlimo fazer. Por essa raz\u00e3o algumas vezes o texto em portugu\u00eas fica mais dif\u00edcil de compreender do que o italiano. Mas isso depender\u00e1 tamb\u00e9m do leitor. Aquele mais acostumado a ler versos, encara a leitura da Com\u00e9dia com menos dificuldade.<\/i><\/p>\n<p>L&amp;PM: <b>Como \u00e9 feita essa adapta\u00e7\u00e3o de poesia para prosa?<\/b><br \/>\n<strong>Eug\u00eanio:<\/strong> <i>Primeiro tive que estabelecer alguns crit\u00e9rios. Por exemplo, usar a ordem direta do portugu\u00eas &#8211; sujeito, verbo, complemento e circunst\u00e2ncia &#8211; sempre que poss\u00edvel. O italiano do Inferno por exemplo \u00e9 muito menos rebuscado \u00a0do que transparece em algumas tradu\u00e7\u00f5es nacionais dos s\u00e9culos 19 e in\u00edcio do 20; por isso adotei esse crit\u00e9rio. Estabelecidos os crit\u00e9rios, partia da vers\u00e3o em verso do italiano, sempre procurando manter a ordem das ideias e dos eventos do poema, prestando aten\u00e7\u00e3o nos recortes tem\u00e1ticos para poder, por exemplo, organizar os par\u00e1grafos, ausentes no poema. Depois, nas v\u00e1rias passagens problem\u00e1ticas e complexas, consultava as tradu\u00e7\u00f5es em verso.\u00a0<\/i><\/p>\n<p>L&amp;PM: <b>Qual foi a vers\u00e3o original italiana que voc\u00ea utilizou para realizar sua tradu\u00e7\u00e3o?<\/b><br \/>\n<strong>Eug\u00eanio:<\/strong> <i>Foi a do Giorgio Petrocchi. \u00c9 uma vers\u00e3o muito detalhada que este autor fez, com base nos manuscritos e c\u00f3dices mais conhecidos da obra. N\u00e3o existe nenhum original da\u00a0Com\u00e9dia, ou melhor, n\u00e3o h\u00e1 nenhum manuscrito desta obra assinado por Dante. O que existem s\u00e3o vers\u00f5es que foram sendo estabelecidas no correr dos anos ap\u00f3s a reda\u00e7\u00e3o final do texto.<\/i><\/p>\n<p>L&amp;PM: <b>Como \u00e9 poss\u00edvel que um texto de 700 anos siga fascinando os leitores?<\/b><br \/>\n<strong>Eug\u00eanio: <\/strong><i><strong>\u00a0<\/strong>Acho que a viagem pelo reino dos mortos \u00e9 um tema humano que atrai muitos leitores, haja vista a febre por s\u00e9ries com mortos-vivos, zumbis, que vemos hoje por a\u00ed.\u00a0 A\u00a0Com\u00e9dia\u00a0\u00e9 muito interessante porque o inferno, o grotesco e mesmo o fant\u00e1stico s\u00e3o pano de fundo para a discuss\u00f5es humanas seminais, como a moral, a pol\u00edtica, a religi\u00e3o, articuladas a rea\u00e7\u00e3o pessoal dos personagens envolvidos em v\u00e1rios eventos pessoais, hist\u00f3ricos etc.. Esses assuntos acabam circundados por uma atmosfera \u00a0tr\u00e1gica (caso do Inferno), dram\u00e1tica (caso do Purgat\u00f3rio) e l\u00edrica (Para\u00edso) que d\u00e3o a eles uma for\u00e7a \u00fanica. Agora, sinceramente, n\u00e3o sei o alcance desta obra em termos de recep\u00e7\u00e3o real, de n\u00famero de leitores. Muitos conhecem a COm\u00e9dia, possuem o livro at\u00e9, mas quantos o leem n\u00e3o fa\u00e7o ideia.<\/i><\/p>\n<p>L&amp;PM: <b>Consultar outras vers\u00f5es, mais antigas, em portugu\u00eas facilita ou atrapalha?<i><\/i><\/b><br \/>\n<strong>Eug\u00eanio:<\/strong> <i>\u00a0Ajuda. Sugiro at\u00e9 que o leitor leia \u00a0vers\u00e3o em prosa acompanhada de vers\u00f5es em verso. At\u00e9 mesmo em italiano. \u00a0<\/i><\/p>\n<p>L&amp;PM: <b>C\u00e9lebres escritores verteram alguns cantos de Dante, como Machado de Assis e M\u00e1rio de Andrade? Qual a sua opini\u00e3o sobre essas tradu\u00e7\u00f5es?<\/b><br \/>\n<strong>Eug\u00eanio:<\/strong> <i>\u00a0Machado traduziu um canto; M\u00e1rio de Andrade, n\u00e3o. O M\u00e1rio analisou um poema de Machado (&#8220;\u00daltima\u00a0jornada&#8221;) onde o modernista viu uma clara &#8220;adapta\u00e7\u00e3o&#8221; do canto V do Inferno. Al\u00e9m de Machado, Dante Milano, Henriqueta Lisboa, Augusto e Haroldo de Campos traduziram esparsamente versos do escritor florentino. As tradu\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os Campos s\u00e3o primorosas; eu as recomendo para quem n\u00e3o l\u00ea em italiano (e pra quem l\u00ea tamb\u00e9m) e quer ter uma sensa\u00e7\u00e3o mais aproximada do lirismo do texto original.\u00a0A tradu\u00e7\u00e3o do Machado tamb\u00e9m \u00e9 muito boa, evita os torcicolos sint\u00e1ticos que seus contempor\u00e2neos adoravam empregar nas tradu\u00e7\u00f5es em geral. Muito boas tamb\u00e9m s\u00e3o as de Dante Milano e da Henriqueta Lisboa. Nenhum desses autores traduziu a obra integralmente, isso s\u00f3 foi feito por tradutores.\u00a0<\/i><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Divina Com\u00e9dia, de Dante Alighieri, acaba de chegar \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket com tradu\u00e7\u00e3o de Eug\u00eanio Vinci de Moraes. Para conhecer melhor essa vers\u00e3o da mais c\u00e9lebre jornada do inferno ao para\u00edso, leia um texto de nossa editora, Caroline Chang, seguida de uma entrevista com o tradutor. 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