﻿{"id":27168,"date":"2016-03-16T15:03:59","date_gmt":"2016-03-16T18:03:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=27168"},"modified":"2016-03-16T15:21:06","modified_gmt":"2016-03-16T18:21:06","slug":"os-sertoes-para-ler-e-ser-visto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=27168","title":{"rendered":"&#8220;Os Sert\u00f5es&#8221; para ler e ser visto"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><b><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Os_Sertoes_POCKET.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-27173\" alt=\"Os_Sertoes_POCKET\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Os_Sertoes_POCKET-187x300.jpg\" width=\"150\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Os_Sertoes_POCKET-187x300.jpg 187w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Os_Sertoes_POCKET-640x1024.jpg 640w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Os_Sertoes_POCKET.jpg 1285w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>M\u00e1quina do Tempo<\/b><\/p>\n<p>Fa\u00e7amos um exerc\u00edcio imaginativo, antes de iniciar a leitura deste cl\u00e1ssico. No ano de 2015, um l\u00edder campon\u00eas emerge do interior do pa\u00eds, dos sert\u00f5es (isto \u00e9, daquela ampla regi\u00e3o do Brasil rural que pode ser definida em oposi\u00e7\u00e3o ao litoral e longe das grandes cidades), e consegue fundar uma pequena comunidade que se recusa a obedecer \u00e0s regras da Rep\u00fablica. Neste pequeno povoado imagin\u00e1rio, n\u00e3o se paga imposto, n\u00e3o h\u00e1 democracia, e todo poder emana da figura desse l\u00edder hipot\u00e9tico, que estipula regras moralmente muito r\u00edgidas &#8211; \u00e9 proibido consumir bebidas alco\u00f3licas, \u00e9 proibido faltar aos cultos religiosos, homens e mulheres, para o bem da dec\u00eancia, n\u00e3o frequentam o mesmo espa\u00e7o etc. &#8211; e prega \u00e0 comunidade todas as noites, fazendo profecias revolucion\u00e1rias e associando a Rep\u00fablica aos poderes do diabo. Como voc\u00ea acha que o governo federal reagiria a tal conjunto de dados, mesmo que n\u00e3o fossem estritamente verdadeiros? Agora imagine que um jornalista fervorosamente republicano, culto, com amplo dom\u00ednio de diversas \u00e1reas do conhecimento humano, de um jornal do centro do pa\u00eds, digamos, de S\u00e3o Paulo, seja deslocado para cobrir <i>in loco<\/i> essa estranha revolta sertaneja&#8230;<\/p>\n<p>Se nos acompanhou nessa pequena jogada de imagina\u00e7\u00e3o, o leitor conseguiu divisar boa parte dos fatores que envolve a escritura de <i>Os Sert\u00f5es<\/i>, este caso rar\u00edssimo das letras n\u00e3o s\u00f3 brasileiras, mas americanas, misto de reportagem de guerra, ensaio documental e libelo pol\u00edtico lan\u00e7ado em 1902.<\/p><\/blockquote>\n<p>O texto acima \u00e9 o in\u00edcio da Apresenta\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=610619&amp;ID=536463\" target=\"_blank\"><i>Os Sert\u00f5es<\/i><\/a>, livro de Euclides da Cunha que acaba de ser lan\u00e7ado na Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket. Esta Apresenta\u00e7\u00e3o, de 15 p\u00e1ginas, foi escrita em conjunto pelos doutores em Literatura Brasileira Lu\u00eds Augusto Fischer, Guto Leite e Homero Vizeu Ara\u00fajo e recupera alguns dados que ajudam a aproveitar ainda melhor a leitura deste grande cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Em 1897, Euclides da Cunha foi enviado a Canudos, no interior da Bahia, como correspondente do jornal <i>O Estado de S. Paulo<\/i>. L\u00e1, os seguidores de Ant\u00f4nio Conselheiro, o l\u00edder religioso que comandava a revolta, j\u00e1 haviam derrotado tr\u00eas expedi\u00e7\u00f5es militares. Da regi\u00e3o de Canudos, onde permaneceu durante dois meses, Euclides da Cunha ficou intensamente impressionado com as cenas de viol\u00eancia e mis\u00e9ria que viu. Foi nessa \u00e9poca que ele deu in\u00edcio ao que viria a ser <i>Os Sert\u00f5es.<\/i><\/p>\n<p>Quando a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro foi lan\u00e7ada, trazia, em suas p\u00e1ginas, tr\u00eas fotografias captadas pelas lentes de Fl\u00e1vio de Barros, fot\u00f3grafo contratado pelo Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<div id=\"attachment_27171\" style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/FLAVIO-DE-BARROS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27171\" class=\" wp-image-27171  \" alt=\"Autorretrato de Fl\u00e1vio de Barros, em Canudos, no ano de 1897\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/FLAVIO-DE-BARROS.jpg\" width=\"414\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/FLAVIO-DE-BARROS.jpg 575w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/FLAVIO-DE-BARROS-215x300.jpg 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27171\" class=\"wp-caption-text\">Autorretrato de Fl\u00e1vio de Barros, em Canudos, no ano de 1897<\/p><\/div>\n<p>O fot\u00f3grafo foi autor dos \u00fanicos registros at\u00e9 hoje conhecidos do dia a dia das tropas, da rendi\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o do arraial organizado por Ant\u00f4nio Conselheiro.<\/p>\n<p>As tr\u00eas imagens escolhidas para ilustrar o livro foram rebatizadas por Euclides da Cunha. &#8220;Divis\u00e3o Canet&#8221; ganhou o nome de &#8220;Monte Santo&#8221;. &#8220;7\u00b0 Batalh\u00e3o de Infantaria nas Trincheiras&#8221; virou &#8220;Acampamento dentro de Canudos&#8221;. E a mais emblem\u00e1tica de todas, &#8220;400 jagun\u00e7os prisioneiros&#8221; ganhou o nome de &#8220;As prisioneiras&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_27170\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_MonteSanto_FlaviodeBarros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27170\" class=\"size-large wp-image-27170\" alt=\"SERTOES_MonteSanto_FlaviodeBarros\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_MonteSanto_FlaviodeBarros-1024x708.jpg\" width=\"450\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_MonteSanto_FlaviodeBarros-1024x708.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_MonteSanto_FlaviodeBarros-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_MonteSanto_FlaviodeBarros.jpg 1156w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27170\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Divis\u00e3o Canet&#8221; ou &#8220;Monte Santo&#8221;, de Fl\u00e1vio de Barros<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27172\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_AsTrincheiras_FlaviodeBarros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27172\" class=\"size-large wp-image-27172\" alt=\"SERTOES_AsTrincheiras_FlaviodeBarros\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_AsTrincheiras_FlaviodeBarros-1024x741.jpg\" width=\"450\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_AsTrincheiras_FlaviodeBarros-1024x741.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_AsTrincheiras_FlaviodeBarros-300x217.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES_AsTrincheiras_FlaviodeBarros.jpg 1105w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27172\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;7\u00b0 Batalh\u00e3o de Infantaria nas Trincheiras&#8221; ou &#8220;Acampamento dentro de Canudos&#8221;<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27169\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27169\" class=\"size-large wp-image-27169\" alt=\"SERTOES1_FlavioBarros\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES1_FlavioBarros-1024x759.jpg\" width=\"450\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES1_FlavioBarros-1024x759.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES1_FlavioBarros-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/SERTOES1_FlavioBarros.jpg 1079w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-27169\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;400 jagun\u00e7os prisioneiros&#8221; ou &#8220;As prisioneiras&#8221;<\/p><\/div>\n<p>As dezenas de fotografias de Fl\u00e1vio de Barros sobre a Guerra de Canudos s\u00e3o atualmente disponibilizadas\u00a0na Brasiliana Fotogr\u00e1fica e, em 2002, o Instituto Moreira Salles realizou a recupera\u00e7\u00e3o digital dos originais existentes nos acervos do Museu da Rep\u00fablica, no Rio de Janeiro, do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia, em Salvador, e da\u00a0Casa de Cultura Euclides da Cunha, em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Pardo. Com a colabora\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es, a Brasiliana pode constituir um \u00e1lbum can\u00f4nico virtual gerado a partir do exemplar em melhor estado de conserva\u00e7\u00e3o existente em\u00a0cada uma das apenas setenta imagens conhecidas do evento. <a href=\"http:\/\/brasilianafotografica.bn.br\/brasiliana\/discover?rpp=10&amp;page=1&amp;query=canudos&amp;group_by=none&amp;etal=0\" target=\"_blank\">Clique aqui para conhecer<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Fl\u00e1vio de Barros, outro fot\u00f3grafo foi enviado a Canudos em abril de 1897. Seu nome era Juan Gutierrez de Padilla e ele foi mortalmente ferido em 28 de junho daquele mesmo ano. At\u00e9 hoje, n\u00e3o se conhece nenhum registro fotogr\u00e1fico que Padilla tenha feito do conflito. Em\u00a0<em>Os Sert\u00f5es<\/em>, Euclides da Cunha referiu-se a ele como um \u201cOficial honor\u00e1rio, um artista que fora at\u00e9 l\u00e1 atra\u00eddo pela est\u00e9tica sombria das batalhas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1quina do Tempo Fa\u00e7amos um exerc\u00edcio imaginativo, antes de iniciar a leitura deste cl\u00e1ssico. 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