﻿{"id":2674,"date":"2010-09-06T17:41:58","date_gmt":"2010-09-06T20:41:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=2674"},"modified":"2012-04-02T16:42:56","modified_gmt":"2012-04-02T19:42:56","slug":"para-jack-kerouac-nao-havia-diferenca-entre-buda-e-jesus-sera-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=2674","title":{"rendered":"Para Jack Kerouac, n\u00e3o havia diferen\u00e7a entre Buda e Jesus."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=63\">Jack Kerouac<\/a> nasceu cat\u00f3lico apost\u00f3lico romano. Mas ao descobrir o budismo no in\u00edcio dos anos 50, n\u00e3o apenas interessou-se pelo assunto como inspirou-se nele para escrever alguns de seus livros.\u00a0Teve origem assim o &#8220;budismo <em>beat<\/em>\u201d. Em <em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=839293&amp;ID=618377\">Despertar: uma vida de Buda<\/a><\/em>, escrito em 1955, dois anos antes do lan\u00e7amento de <em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=152905&amp;ID=926371\">On the Road<\/a><\/em>, Kerouac refaz o caminho de Sidarta Gautama, de seu nascimento em um rico pal\u00e1cio \u00e0 busca pela ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de se espantar, portanto, que as cren\u00e7as de Kerouac fossem tema recorrente nas perguntas feitas por jornalistas. Foi assim, por exemplo, em uma entrevista conduzia por Ted Berrigan em 1967 e publicada no Brasil em 1989 pela Companhia das Letras no livro \u201cOs escritores 2: as hist\u00f3ricas entrevistas da Paris Review\u201d. Leia o trecho inicial.<\/p>\n<p><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jack Kerouac tem hoje 45 anos. Seu d\u00e9cimo terceiro livro, <em>Vanity of Duluoz<\/em>, foi publicado no in\u00edcio do ano (1967). Casado h\u00e1 um ano, mora com a esposa, Stella, e a m\u00e3e &#8211; inv\u00e1lida -, num bairro residencial de Lowell, Massachusetts, a cidade onde passou a inf\u00e2ncia. Os Kerouac n\u00e3o t\u00eam telefone. Havia entrado em contato com Kerouac h\u00e1 alguns meses, quando ent\u00e3o o convencera a dar a entrevista. Quando senti que a hora do encontro tinha chegado, simplesmente apareci na casa de Kerouac. Dois poetas amigos me acompanharam, Aram Saroyan e Duncan McNaughton. Kerouac atendeu a porta. Apresentei-me e expliquei o motivo da visita. Kerouac cumprimentou os poetas, mas, antes que pud\u00e9ssemos entrar, sua mulher, uma pessoa muito decidida, segurou-o por tr\u00e1s e disse ao grupo que f\u00f4ssemos embora imediatamente.\u00a0Jack e eu come\u00e7amos a falar ao mesmo tempo, dizendo Paris Review! Entrevista! etc. Nisso, Duncan e Aram j\u00e1 estavam voltando para o carro. Tudo parecia perdido, mas continuei falando, num tom de voz que tentava ser o mais civilizado, razo\u00e1vel, calmo e cordial poss\u00edvel. A sra. Kerouac acabou deixando a gente entrar, por vinte minutos, com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o beber nada.\u00a0 L\u00e1 dentro, quando ficou claro que nosso prop\u00f3sito era s\u00e9rio, a sra. Kerouac tornou-se mais amistosa, e deu para come\u00e7ar a entrevista. Pelo jeito as pessoas ainda aparecem com freq\u00fc\u00eancia na casa de Kerouac, \u00e0 procura do autor de On the road, e ficam por v\u00e1rios dias, acabando com a bebida e distraindo Jack de suas atividades mais s\u00e9rias.\u00a0O clima mudou muito no decorrer da noite. Stella, a sra. Kerouac, revelou-se uma anfitri\u00e3 agrad\u00e1vel e charmosa. A coisa mais incr\u00edvel em Jack Kerouac \u00e9 a voz, m\u00e1gica, que parece sa\u00edda de seus livros, capaz das mudan\u00e7as mais assombrosas e desconcertantes num piscar de olhos. Ela tem a capacidade de dominar tudo, a come\u00e7ar por esta entrevista (&#8230;).<\/p>\n<p>PERGUNTA: De que maneira o zen influenciou seu trabalho?<br \/>\n<strong>KEROUAC<\/strong>: O que realmente influenciou meu trabalho foi o budismo maaiana, o budismo original de Gautama Sakyamuni, o pr\u00f3prio Buda, da lndia de velhas&#8230; O zen foi o que sobrou de seu budismo, ou Bodhi, quando passou para a China, e de l\u00e1 para o Jap\u00e3o. A parte do zen que influenciou minha obra foi o zen presente nos haicais, como j\u00e1 falei, os poemas de tr\u00eas versos e dezessete s\u00edlabas escritos h\u00e1 s\u00e9culos por gente como Bash\u00f4, Issa e Shiki, e mestres mais recentes. Uma frase curta e suave, com uma mudan\u00e7a brusca do pensamento, \u00e9 uma forma de haicai, e h\u00e1 muito prazer e liberdade quando a gente \u00e9 surpreendido por ela, deixando a mente pular, solta, do galho para o p\u00e1ssaro. No entanto, meu budismo s\u00e9rio, aquele da lndia antiga, influenciou a parte da minha obra que voc\u00ea pode chamar de religiosa, fervorosa ou piedosa, quase tanto quanto o catolicismo. O budismo original pregava a compaix\u00e3o consciente, permanente, a fraternidade, a dana paramita, quer dizer, a perfei\u00e7\u00e3o da caridade, n\u00e3o fazer mal a uma mosca e tudo mais, humildade, mendic\u00e2ncia, o rosto suave sofrido do Buda (que era de origem ariana, por falar nisso, de uma casta guerreira persa, e n\u00e3o oriental, como o pintam) &#8230;. No budismo original nenhum menino que chegasse a um mosteiro seria advertido que ali &#8220;enterram gente viva&#8221;. Apenas o encorajavam, com suavidade, a meditar e ser gentil. O zen come\u00e7ou, na verdade, quando Buda reuniu todos os monges para fazer um serm\u00e3o e anunciar o primeiro patriarca do culto maaiana: em vez de falar, ele simplesmente mostrou uma flor. Todo mundo ficou surpreso, menos Kasyapa, que sorriu. Kasyapa foi escolhido para ser o primeiro patriarca. Esta id\u00e9ia encantou os chineses, como no caso do sexto patriarca, Hui-Neng, que disse: &#8220;Desde o princ\u00edpio nunca existiu nada&#8221;, e queria destruir os registros das palavras do Buda, conservadas nos sutras; os sutras eram &#8220;fiapos de serm\u00f5es&#8221;. De certo modo, portanto, o zen \u00e9 uma forma suave e simpl\u00f3ria de heresia. Mesmo assim, deve haver alguns bons velhos monges de verdade, em algum lugar, mas n\u00f3s s\u00f3 temos ouvido falar dos malucos. Nunca fui ao Jap\u00e3o. O Maha Roshi Yoshi n\u00e3o passa de um seguidor de tudo isso, e nunca o fundador de qualquer coisa nova, \u00e9 claro. No programa de Johnny Carson ele nem citou o nome do Buda. Talvez o Buda dele seja Mia.<br \/>\nPERGUNTA: Por que voc\u00ea nunca escreveu sobre Jesus? J\u00e1 escreveu sobre Buda, n\u00e3o? Jesus n\u00e3o foi um cara incr\u00edvel, tamb\u00e9m?<br \/>\n<strong>KEROUAC: <\/strong>Como n\u00e3o escrevi nunca sobre Jesus? Quer dizer que voc\u00ea \u00e9 um impostor maluco que veio na minha casa&#8230; e &#8230; eu s\u00f3 escrevo sobre Jesus. Sou Everhard Mercurian, general do ex\u00e9rcito jesu\u00edta.<br \/>\nSAROYAN: Qual a diferen\u00e7a entre Jesus e Buda?<br \/>\n<strong>KEROUAC:<\/strong> Esta \u00e9 uma boa pergunta. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"attachment_2676\" style=\"width: 461px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/200711kerouac3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2676\" class=\"size-full wp-image-2676  \" title=\"200711kerouac3\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/200711kerouac3.jpg\" alt=\"\" width=\"451\" height=\"337\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2676\" class=\"wp-caption-text\">Desenho de Kerouac: \u201cFace of the Buddha\u201d, Pencil on paper, 1956 (?), NYPL, Berg Collection<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jack Kerouac nasceu cat\u00f3lico apost\u00f3lico romano. Mas ao descobrir o budismo no in\u00edcio dos anos 50, n\u00e3o apenas interessou-se pelo assunto como inspirou-se nele para escrever alguns de seus livros.\u00a0Teve origem assim o &#8220;budismo beat\u201d. 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