﻿{"id":26641,"date":"2015-09-30T17:55:04","date_gmt":"2015-09-30T20:55:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=26641"},"modified":"2015-09-30T18:06:13","modified_gmt":"2015-09-30T21:06:13","slug":"victor-dixen-autor-de-animale-em-uma-entrevista-exclusiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=26641","title":{"rendered":"Victor Dixen, autor de &#8220;Animale&#8221;, em uma entrevista exclusiva"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><b><i>Meu objetivo \u00e9 que, aquele que ler Animale n\u00e3o consiga mais distinguir entre hist\u00f3ria ou conto de fadas, realidade e fantasia. E que, ao fechar o livro, o leitor esteja totalmente convencido de que a Cachinhos realmente existiu&#8230;<\/i><\/b><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Animale_2015.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-26644\" alt=\"Animale_2015.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Animale_2015-682x1024.jpg\" width=\"360\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Animale_2015-682x1024.jpg 682w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Animale_2015-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Animale_2015.jpg 1876w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Victor Dixen \u00e9 filho de pai dinamarqu\u00eas e m\u00e3e francesa. Com eles, percorreu a Europa quando era pequeno. Depois, morou nos Estados Unidos, Irlanda e, atualmente, vive em Cingapura. Autor premiado, ele \u00e9 super atuante nas redes sociais e procura responder todas as mensagens que recebe de seus leitores. Trocamos emails com Victor que, prontamente, respondeu algumas perguntas que lhe enviamos. Vale a pena ler o que ele tem a dizer sobre sua obra e sua forma de escrever.<\/p>\n<blockquote><p>L&amp;PM:<b> Como surgiu a ideia de escrever <i>Animale<\/i>?<\/b><\/p>\n<p><strong>Victor Dixen:<\/strong> Frequentemente uso meus sonhos como material de escrita e foi assim no caso de <i>Animale: a maldi\u00e7\u00e3o de Cachinhos Dourados. <\/i>Uma vez tive um sonho muito simples e estranho. Eu estava perdido em uma floresta escura, \u00e0 noite, e caminhava em dire\u00e7\u00e3o a uma solit\u00e1ria cabana. Mas nunca cheguei at\u00e9 a casa: acordei antes. Ent\u00e3o, imediatamente pensei na f\u00e1bula de <i>Cachinhos Dourados e os tr\u00eas ursos<\/i>, que me contaram quando eu era crian\u00e7a. Eu tinha quase esquecido dessa f\u00e1bula, mas esse sonho reviveu minha mem\u00f3ria. Ent\u00e3o achei o livro e o li novamente. Fiquei maravilhado. Porque esse pequeno e simples conto n\u00e3o \u00e9 como os outros: n\u00e3o tem um final fechado como em muitas f\u00e1bulas (tipo: \u201c<i>e viveram felizes para sempre\u201d<\/i>). Pelo contr\u00e1rio, Cachinhos se perde na floresta, entra na cabana onde come e adormece, apenas para ser acordada pelos tr\u00eas ursos que moram l\u00e1; apavorada, ela pula a janela e desaparece na noite. E \u00e9 isso. N\u00f3s n\u00e3o temos indica\u00e7\u00f5es, seja qual for, sobre o que aconteceu com a Cachinhos depois que ela foge. Eu vi nessa hist\u00f3ria de final aberto uma verdadeira miss\u00e3o: eu tinha que conectar os pontos e tentar descobrir o que aconteceu com ela. Isso se tornou minha prioridade, como se minha vida dependesse disso. E foi tamb\u00e9m o come\u00e7o das minhas investiga\u00e7\u00f5es e o trampolim para meu romance.<\/p>\n<p>L&amp;PM:\u00a0<b><i>Animale<\/i><\/b><b> \u00e9 repleto de refer\u00eancias hist\u00f3ricas da Fran\u00e7a. Sua inten\u00e7\u00e3o foi colocar Blonde no mundo real? Por qu\u00ea?<\/b><\/p>\n<p><b> <strong>VD:<\/strong>\u00a0<\/b>O cen\u00e1rio do romance e o momento hist\u00f3rico em que ele ocorre sa\u00edram de minhas investiga\u00e7\u00f5es. Durante minha pesquisa, li muito sobre a f\u00e1bula de <i>Cachinhos dourados e os tr\u00eas ursos. <\/i>Foi assim que descobri que esta hist\u00f3ria foi escrita pela primeira vez por volta de 1830, por um autor ingl\u00eas chamado Robert Southney. Eu sabia que tinha que definir o meu romance na mesma \u00e9poca: em meados do s\u00e9culo 19, na Europa. Todo o continente ainda estava assombrado pelas sequelas das guerras napole\u00f4nicas e tamb\u00e9m pelas sombras da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. E aos poucos fui me convencendo que a f\u00e1bula de Southney n\u00e3o tinha sa\u00eddo completamente de sua imagina\u00e7\u00e3o, mas sim inspirada em algu\u00e9m que ele conheceu na vida real \u2013 um aristocrata franc\u00eas que tinha emigrado para a Inglaterra durante o reinado de Napole\u00e3o, trazendo com ele um terr\u00edvel segredo&#8230;<\/p>\n<p>L&amp;PM:\u00a0<b>Voc\u00ea \u00e9 fascinado por contos de fadas e <i>Animale <\/i>2 \u00e9 inspirado em um conto de Andersen. Fale um pouco sobre isso.<\/b><\/p>\n<p><strong>VD:<\/strong>\u00a0\u00a0Sou metade franc\u00eas e metade dinamarqu\u00eas de nascimento, e Andersen sempre foi um dos meus autores favoritos. Isto \u00e9 parte da minha fascina\u00e7\u00e3o por contos de fadas \u2013 gosto tanto de contos populares (os mais antigos, transmitidos oralmente de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, e coletados por especialistas em folclore como Charles Perrault e os Irm\u00e3os Grimm) quanto de contos liter\u00e1rios (inteiramente criados do zero pelos escritores, como os de Andersen).\u00a0O que eu realmente gosto nos contos de Andersen \u00e9 a poesia do Norte e uma forma de beleza tr\u00e1gica que para mim est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 antiga mitologia Viking. Isto \u00e9 marcante em <i>A rainha das neves, <\/i>um conto escuro e suntuoso que tem me assombrado desde crian\u00e7a. Eu sempre tentava imaginar como seria o rosto da poderosa e mortal Rainha da Neve, mas nunca conseguia. Escrevi <i>Animale 2 \u2013 A profecia da rainha das neves <\/i>para tentar descobrir. Acredito que os livros podem realmente fazer este tipo de m\u00e1gica: fazer voc\u00ea ver o invis\u00edvel!<\/p>\n<p>L&amp;PM:\u00a0<strong>Na sua opini\u00e3o, o que n\u00e3o pode faltar numa hist\u00f3ria do g\u00eanero fantasy?<\/strong><\/p>\n<p><strong>VD:<\/strong>\u00a0Honestamente, acho que n\u00e3o h\u00e1 regras quando se trata de contar hist\u00f3rias \u2013 ou talvez se tenha apenas uma regra: manter o leitor surpreso a cada p\u00e1gina, para que ele ou ela n\u00e3o possa largar o livro at\u00e9 termin\u00e1-lo. Para mim, o principal interesse nos c\u00f3digos de g\u00eaneros \u00e9 que eles podem ser dobrados para criar ainda mais surpresa, suspense e admira\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 precisamente o que pretendi fazer na saga <i>Animale<\/i>: tentei misturar c\u00f3digos de fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e fantasia t\u00e3o completamente que se tornou imposs\u00edvel diferenciar um do outro. Meu objetivo \u00e9 que, aquele que ler <i>Animale<\/i> n\u00e3o consiga mais distinguir entre hist\u00f3ria ou conto de fadas, realidade e fantasia. E que, ao fechar o livro, o leitor esteja totalmente convencido de que a Cachinhos realmente existiu&#8230;<\/p>\n<p>L&amp;PM:\u00a0<b>Qual o maior desafio ao escrever uma hist\u00f3ria para jovens?<\/b><\/p>\n<p><strong>Victor Dixen:<\/strong>\u00a0Tenho leitores das mais variadas idades e acho que todos eles t\u00eam a mesma expectativa: serem surpreendidos. Eu mesmo, como leitor, procuro isso quando abro um romance. Quero ser transportado para outro tempo, outro lugar \u2013 ou, se \u00e9 o mesmo tempo e lugar, quero v\u00ea-los atrav\u00e9s de outros olhos. Na verdade, acho que os jovens leitores t\u00eam mais vontade ainda de serem surpreendidos. E eles querem se deixar levar desde as primeiras p\u00e1ginas. Por isso, este \u00e9 o desafio!<\/p>\n<p>L&amp;PM:<b>\u00a0Imaginamos que voc\u00ea tenha bastante contato com seus leitores. Qual a pergunta que eles mais fazem para voc\u00ea?<\/b><\/p>\n<p><strong>VD:<\/strong>\u00a0Gra\u00e7as \u00e0 internet, \u00e9 f\u00e1cil hoje em dia manter contato com leitores onde quer que eles estejam no mundo e onde quer que voc\u00ea esteja. O que \u00e9 uma coisa conveniente porque eu sou uma esp\u00e9cie de <i>globe-trotter<\/i>, tendo vivido nos EUA, Irlanda, Fran\u00e7a e agora em Cingapura, em busca de inspira\u00e7\u00e3o. Receber um retorno dos leitores \u00e9 muito precioso, pois escrever livros \u00e9 um trabalho bastante solit\u00e1rio, e saber que seus livros s\u00e3o notados \u00e9 muito importante para alimentar a motiva\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu recebo muitas perguntas sobre meus livros, que tento sempre responder. Convido os leitores brasileiros a entrarem em contato comigo, se quiserem, pelo meu Website \u2013 em ingl\u00eas, franc\u00eas ou espanhol, por favor \u2013 pois infelizmente meu portugu\u00eas n\u00e3o existe J: <a href=\"http:\/\/www.victordixen.com\/homepage\/\">www.victordixen.com\/homepage\/<\/a>. Acho que a pergunta que mais me fazem \u00e9 uma que voc\u00eas tamb\u00e9m me perguntaram no come\u00e7o desta entrevista\u00a0: <i>\u201c<\/i>de onde surgem suas ideias?<i>\u201d<\/i><\/p>\n<p>L&amp;PM:<b><b>\u00a0<\/b>E qual a sua resposta?<\/b><\/p>\n<p><strong>VD:<\/strong>\u00a0Bem, essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil, porque honestamente eu n\u00e3o sei a resposta \u2013 ou pelo menos, sei apenas algumas partes dela. Como mencionei antes, sonhos s\u00e3o muito importantes para mim. Talvez isso esteja ligado ao meu ritual de escrita: por ter sono muito leve, acordo todas as noites \u00e0s 4 da manh\u00e3 e come\u00e7o a escrever imediatamente, quando os sonhos ainda est\u00e3o vivos em minha mente, e enquanto o mundo todo est\u00e1 silencioso e escuro ao redor da minha tela de computador. Depois, t\u00eam tamb\u00e9m todos os livros que li. E, finalmente, as experi\u00eancias acumuladas durante minhas viagens ao redor do mundo. Tudo isso se mistura e cria um estranho coquetel, no cora\u00e7\u00e3o da noite.<br \/>\nEu realmente aprecio a noite e todas as suas sombras cheias de possibilidades, onde a imagina\u00e7\u00e3o pode vagar livremente.<br \/>\nEste \u00e9 meu momento.<br \/>\n\u00c9 quando escrevo.<br \/>\n\u00c9 quando minhas hist\u00f3rias e personagens ganham vida.<br \/>\nEnt\u00e3o, se eu tivesse que resumir de forma simples a resposta para a pergunta \u201cde onde surgem suas ideias?\u201d, acho que responderia: \u201cDa escurid\u00e3o silenciosa da noite!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Victor-Dixen-clair-obscur-E.Clocksbriggs-CORTADA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-26643\" alt=\"OLYMPUS DIGITAL CAMERA\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Victor-Dixen-clair-obscur-E.Clocksbriggs-CORTADA-1024x929.jpg\" width=\"450\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Victor-Dixen-clair-obscur-E.Clocksbriggs-CORTADA-1024x929.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Victor-Dixen-clair-obscur-E.Clocksbriggs-CORTADA-300x272.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=647083&amp;ID=716370\" target=\"_blank\">Clique aqui para saber mais sobre <em>Animale &#8211; A maldi\u00e7\u00e3o de Cachinhos Dourados<\/em>, obra de Victor Dixen que recebeu o grande pr\u00eamio franc\u00eas &#8220;\u00c9tonnants Voyageurs 2014&#8221;.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu objetivo \u00e9 que, aquele que ler Animale n\u00e3o consiga mais distinguir entre hist\u00f3ria ou conto de fadas, realidade e fantasia. 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