﻿{"id":25777,"date":"2015-01-27T11:09:43","date_gmt":"2015-01-27T13:09:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=25777"},"modified":"2015-01-27T11:09:43","modified_gmt":"2015-01-27T13:09:43","slug":"em-1978-rango-personagem-de-edgar-vasques-ja-era-charlie-hebdo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=25777","title":{"rendered":"Em 1978, &#8220;Rango&#8221;, personagem de Edgar Vasques, j\u00e1 era Charlie Hebdo"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?FiltroStr=rango&amp;FiltroCampo=ALL&amp;I1.x=0&amp;I1.y=0&amp;Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp\" target=\"_blank\">Rango<\/a>&#8220;, de Edgar Vasques, foi a publica\u00e7\u00e3o que deu origem \u00e0 L&amp;PM Editores. As tiras do faminto personagem criado por Vasques, cujo primeiro volume em livro data de 1974, foi um sucesso total. E n\u00e3o por acaso: repleto de ironia, intelig\u00eancia e cr\u00edtica \u00e0s desigualdades sociais, &#8220;Rango&#8221; conseguia (e ainda consegue), de uma forma tragic\u00f4mica, levar \u00e0 reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1978, Georges Wolinsky, ent\u00e3o redator-chefe do &#8220;Charlie Mansuel&#8221; (a revista mensal do grupo &#8220;Charlie Hebdo&#8221;) publicou duas p\u00e1ginas de tiras do Rango traduzidas para o franc\u00eas. O editorial dizia mais ou menos o seguinte (em tradu\u00e7\u00e3o livre): <i>Com &#8220;Rango&#8221; de Edgar Vasques, nos reportamos ao Brasil. Imaginem um &#8220;Peanuts&#8221; onde todos os personagens morrem de fome&#8230; Pois bem, &#8220;Rango &#8221; \u00e9 isto! \u00c9 preciso estar empanturrado para apreciar. E n\u00f3s estamos.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-25778\" alt=\"Rango_Charlie_capa\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_capa-774x1024.jpg\" width=\"450\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_capa-774x1024.jpg 774w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_capa-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_capa.jpg 1643w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_CharlieInterna.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-25780\" alt=\"Rango_CharlieInterna\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_CharlieInterna-764x1024.jpg\" width=\"450\" height=\"603\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_CharlieInterna-764x1024.jpg 764w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_CharlieInterna-223x300.jpg 223w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_CharlieInterna.jpg 1581w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_tiras.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-25779\" alt=\"Rango_Charlie_tiras\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_tiras-768x1024.jpg\" width=\"450\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_tiras-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_tiras-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Rango_Charlie_tiras.jpg 1531w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&#8220;Involuntariamente, e\u00a0<i>avant la lettre<\/i>, meu faminto foi o primeiro (Je suis) Charlie&#8221;, disse Edgar Vasques.<\/p>\n<p>Aproveitamos para fazer um pequena entrevista com Vasques para o blog da L&amp;PM:<\/p>\n<blockquote><p><i>&#8211; Para ser um bom chargista, \u00e9 preciso ser um provocador? <\/i><br \/>\nEdgar Vasques: <b>Sim, mas s\u00f3 no melhor sentido: <i>provocar<\/i> a reflex\u00e3o (via humor), <i>provocar<\/i> a surpresa que sacode preconceitos (e h\u00e1bitos) consolidados, <i>provocar<\/i> at\u00e9 a a\u00e7\u00e3o contra a mistifica\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a, etc. E n\u00e3o provocador no sentido &#8220;esp\u00edrito de porco&#8221;, a provoca\u00e7\u00e3o pela agress\u00e3o em si, pra se fazer de engra\u00e7adinho: pra isso n\u00e3o precisa intelig\u00eancia nem talento&#8230;<\/b><\/p>\n<p><i>&#8211; Voc\u00ea j\u00e1 teve medo, devido a um trabalho espec\u00edfico que fez? Por exemplo: uma tira do Rango na \u00e9poca da ditadura militar? <\/i><br \/>\nEV: <b>Minha gera\u00e7\u00e3o se criou profissionalmente sob a ditadura e a censura, quando era necess\u00e1rio pesar com cuidado n\u00e3o o conte\u00fado do que se dizia, mas a<i> forma como<\/i> se dizia. Fomos aprendendo certas &#8220;sutilezas&#8221;: v\u00e1rias vezes deixei de escrever &#8220;Brasil&#8221; numa tira pra escrever &#8220;pa\u00eds&#8221;, e da\u00ed fazer a cr\u00edtica, por exemplo. O clima era opressivo, o medo rondava, mas eu, at\u00e9 de forma meio inconsequente, ignorava e ia em frente, adotando a postura do rinoceronte, que segue em linha reta e n\u00e3o quer nem saber se o ca\u00e7ador est\u00e1 \u00e0 espreita. O jeito de ignorar o medo, \u00e0s vezes, \u00e9 n\u00e3o querer nem saber. O que n\u00e3o impediu o Rango (em 1977) de ser piv\u00f4 da apreens\u00e3o do &#8220;Pasquim&#8221; em todo o pa\u00eds&#8230; mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/b><\/p>\n<p><i>&#8211; De um modo geral, o que voc\u00ea acha que mais est\u00e1 faltando no mundo: bom humor ou toler\u00e2ncia? <\/i><br \/>\nEV: <b>O bom humor e a toler\u00e2ncia s\u00e3o componentes psicol\u00f3gicos potenciais de todo ser humano. Dar ouvidos a estes estados de esp\u00edrito (e suas consequentes atitudes) j\u00e1 depende de outros fatores de diversas ordens. Sem d\u00favida haveria melhores humores e mais toler\u00e2ncia se n\u00e3o viv\u00eassemos cercados de injusti\u00e7a, competi\u00e7\u00e3o feroz e desigualdades, que s\u00e3o causa profundas da intoler\u00e2ncia e do &#8220;mau humor&#8221;.<\/b><\/p>\n<p><i>&#8211; Voc\u00ea acha que o triste epis\u00f3dio do Charlie Hebdo, de alguma forma, vai fazer com que algo mude no cen\u00e1rio mundial? O qu\u00ea? <\/i><br \/>\nEV: <b>Talvez, mas n\u00e3o me parece prov\u00e1vel. Porque esse epis\u00f3dio est\u00fapido \u00e9 consequ\u00eancia de toda uma situa\u00e7\u00e3o externa a ele pr\u00f3prio. O que muda mesmo uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o significativa das <i>causas <\/i>dessa situa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o das suas consequ\u00eancias.<\/b><\/p>\n<p><i>&#8211; O Rango do ano 2015 tem fome de qu\u00ea? <\/i><br \/>\nEV: <b>O Rango, que come\u00e7ou tratando do sintoma mais vis\u00edvel das mazelas do mundo, <i>a<\/i> <i>fome<\/i>, no decorrer dos seus (hoje) 45 anos de carreira, foi aprofundando o foco nas <i>causas<\/i> que produzem aquele sintoma: a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza ( maior hoje do que nunca), causada pela explora\u00e7\u00e3o da maioria da humanidade por uma minoria \u00ednfima, a mistifica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e de m\u00eddias, quando s\u00e3o os bra\u00e7os desse esquema de explora\u00e7\u00e3o, o recurso \u00e0 irracionalidade, \u00e0 emocionaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia, a corrup\u00e7\u00e3o etc. Quer dizer, a <i>cadeia de produ\u00e7\u00e3o<\/i> da fome vem de longe, e o Rango ainda tem muito do que se ocupar (infelizmente).<\/b><\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4087\" alt=\"Rango-1\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1-1024x693.jpg\" width=\"450\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1-1024x693.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Rango-1-300x203.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Rango&#8220;, de Edgar Vasques, foi a publica\u00e7\u00e3o que deu origem \u00e0 L&amp;PM Editores. 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