﻿{"id":25659,"date":"2015-01-05T15:31:43","date_gmt":"2015-01-05T17:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=25659"},"modified":"2015-01-05T15:31:43","modified_gmt":"2015-01-05T17:31:43","slug":"o-amor-e-a-saudade-na-poesia-de-casimiro-de-abreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=25659","title":{"rendered":"O amor e a saudade na poesia de Casimiro de Abreu"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=13\">Casimiro de Abreu<\/a> foi o poeta do amor e da saudade. Os dois sentimentos s\u00e3o a alma de sua poesia. O pr\u00f3prio autor fala sobre seus cantos na introdu\u00e7\u00e3o do livro <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=615252\">Primaveras<\/a>:<\/p>\n<div id=\"attachment_25662\" style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/primaveras_casimiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-25662\" class=\" wp-image-25662    \" alt=\"Trecho do poema &quot;Meus oito anos&quot;, de Casimiro de Abreu.\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/primaveras_casimiro-1024x539.jpg\" width=\"414\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/primaveras_casimiro-1024x539.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/primaveras_casimiro-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-25662\" class=\"wp-caption-text\">Trecho do poema &#8220;Meus oito anos&#8221;, de Casimiro de Abreu.<\/p><\/div>\n<p><em>Um dia \u2013 al\u00e9m dos \u00d3rg\u00e3os, na po\u00e9tica Friburgo \u2013 isolado dos meus companheiros de estudo, tive saudades da casa paterna e chorei.<\/em><\/p>\n<p><em><\/em><em>Era de tarde; o crep\u00fasculo descia sobre a crista das montanhas e a natureza como que se recolhia para entoar o c\u00e2ntico da noite; as sombras estendiam-se pelo leito dos vales e o sil\u00eancio tornava mais solene a voz melanc\u00f3lica do cair das cachoeiras. Era a hora da merenda em nossa casa e pareceu-me ouvir o eco das risadas infantis de minha mana pequena! As l\u00e1grimas correram e fiz os primeiros versos da minha vida, que intitulei \u2013 \u00c0s Ave-Marias: \u2013 a saudade havia sido a minha primeira musa.<\/em><\/p>\n<p><em>Era um canto simples e natural como o dos passarinhos, e para possu\u00ed-lo hoje eu dera em troca este volume in\u00fatil, que nem conserva ao menos o sabor virginal daqueles prel\u00fadios!<\/em><\/p>\n<p><em>Depois, mais tarde, nas ribas pitorescas do Douro ou nas v\u00e1rzeas do Tejo, tive saudades do meu ninho das florestas e cantei; a nostalgia me apagava a vida e as veigas visonhas do Minho n\u00e3o tinham a beleza majestosa dos sert\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu era entusiasta ent\u00e3o e escrevia muito, porque me embalava \u00e0 sombra duma esperan\u00e7a que nunca pude ver realizada. Numa hora de desalento rasguei muitas dessas p\u00e1ginas c\u00e2ndidas e quase que pedi o b\u00e1lsamo da sepultura para as \u00falceras recentes do cora\u00e7\u00e3o; \u00e9 que as primeiras ilus\u00f5es da vida, abertas de noite \u2013 caem pela manh\u00e3 como as flores cheirosas das laranjeiras!<\/em><\/p>\n<p><em>Flores e estrelas, murm\u00farios da terra e mist\u00e9rios do c\u00e9u, sonhos de virgem e risos de crian\u00e7a, tudo o que \u00e9 belo e tudo o que \u00e9 grande, veio por seu turno debru\u00e7ar-se sobre o espelho m\u00e1gico da minha alma e a\u00ed estampar a sua imagem fugitiva. Se nessa cole\u00e7\u00e3o de imagens predomina o perfil gracioso duma virgem, facilmente se explica: \u2013 era a filha do c\u00e9u que vinha vibrar o ala\u00fade adormecido do pobre filho do sert\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em> Rico ou pobre, contradit\u00f3rio ou n\u00e3o, este livro fez-se por si, naturalmente, sem esfor\u00e7o, e os cantos sa\u00edram conforme as circunst\u00e2ncias e os lugares os iam despertando. Um dia a pasta pejada de tanto papel pedia que lhe desse um destino qualquer, e foi ent\u00e3o que resolvi a publica\u00e7\u00e3o das \u2013 Primaveras; depois separei muitos cantos sombrios, guardei outros que constituem o meu \u2013 livro \u00edntimo \u2013 e no fim de mudan\u00e7as infinitas e caprichosas, pude ver o volume completo e o entrego hoje sem receio e sem pretens\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Todos a\u00ed achar\u00e3o cantigas de crian\u00e7a, trovas de mancebo, e rar\u00edssimos lampejos de reflex\u00e3o e de estudo: \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que se espraia sobre o eterno tema do amor e que soletra o seu poema misterioso ao luar melanc\u00f3lico das nossas noites.<\/em><\/p>\n<p><em>Meu Deus! que se h\u00e1 de escrever aos vinte anos, quando a alma conserva ainda um pouco da cren\u00e7a e da virgindade do ber\u00e7o? Eu creio que sempre h\u00e1 tempo de sermos homem s\u00e9rio, e de preferirmos uma moeda de cobre a uma p\u00e1gina de Lamartine1.<\/em><\/p>\n<p><em>De certo, tudo isto s\u00e3o ensaios; a mocidade palpita, e na sede que a devora decepa os louros inda verdes e antes de tempo quer ajustar as cordas do instrumento, que s\u00f3 a madureza da idade e o trato dos mestres poder\u00e3o temperar.<\/em><\/p>\n<p><em>O filho dos tr\u00f3picos deve escrever numa linguagem \u2013 propriamente sua \u2013 l\u00e2nguida como ele, quente como o sol que o abrasa, grande e misteriosa como as suas matas seculares; o beijo apaixonado das Celutas deve inspirar epop\u00e9ias como a dos \u2013 Timbiras \u2013 e acordar os Ren\u00e9s enfastiados do desalento que os mata. At\u00e9 ent\u00e3o, at\u00e9 seguirmos o v\u00f4o arrojado do poeta de \u2013 I-Juca-Pirama2 \u2013 n\u00f3s, cantores nov\u00e9is, somos as vozes secund\u00e1rias que se perdem no conjunto duma grande orquestra: h\u00e1 o \u00fanico m\u00e9rito de n\u00e3o ficarmos calados.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim, as minhas \u2013 Primaveras \u2013 n\u00e3o passam de um ramalhete das flores pr\u00f3prias da esta\u00e7\u00e3o, \u2013 flores que o vento esfolhar\u00e1 amanh\u00e3, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Rio de Janeiro, 20 de Agosto de 1859.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Casimiro de Abreu<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casimiro de Abreu foi o poeta do amor e da saudade. Os dois sentimentos s\u00e3o a alma de sua poesia. 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