﻿{"id":24161,"date":"2014-05-19T10:31:59","date_gmt":"2014-05-19T13:31:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=24161"},"modified":"2014-05-19T11:41:25","modified_gmt":"2014-05-19T14:41:25","slug":"19-de-maio-de-1897-oscar-wilde-sai-da-prisao-e-vai-para-o-exilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=24161","title":{"rendered":"19 de maio de 1897: Oscar Wilde sai da pris\u00e3o e vai para o ex\u00edlio"},"content":{"rendered":"<p>Dois anos depois de ser preso por atentado ao pudor, Oscar Wilde sai da pris\u00e3o. A acusa\u00e7\u00e3o que o levou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o\u00a0ao c\u00e1rcere com trabalhos for\u00e7ados\u00a0foi feita pelo marqu\u00eas de Queensberry, pai de Bosie, na \u00e9poca namorado do escritor.\u00a0O livro\u00a0&#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=520008\" target=\"_blank\">Oscar Wilde<\/a>&#8220;,\u00a0de Daniel Salvatore Schiffer, S\u00e9rie Biografias L&amp;PM, conta como foi este\u00a019 de maio de 1897 na vida do autor de <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=191818\" target=\"_blank\">O\u00a0retrato de Dorian Gray<\/a>:<\/em>\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<blockquote><p>Ao chegar \u00e0 capital inglesa, desceu numa discreta esta\u00e7\u00e3o do sub\u00farbio, Westbourne Park, onde um segundo carro o esperava para lev\u00e1-lo ao pres\u00eddio de Pentonville, onde passou sua \u00faltima noite preso. Foi nesse lugar, o mais maldito de todos, onde ele se matava a fazer rodar o terr\u00edvel moinho de disciplina, que os mesmos guardas que o receberam no dia seguinte de seu processo entregaram-lhe agora, prontamente, seus objetos pessoais e suas roupas que ele deixara l\u00e1, dois anos antes, no in\u00edcio de seu encarceramento. Na manh\u00e3 seguinte, as seis e quinze do dia 19 de maio de 1897, as portas lhe foram afinal abertas. Wilde estava definitivamente livre!<\/p>\n<p>\u00c0 sua sa\u00edda da pris\u00e3o o esperavam, numa carruagem, More Adey e Stewart Headlam, aquele pastor que se oferecera para pagar metade de sua fian\u00e7a. O encontro foi t\u00e3o caloroso quanto comovente. Ent\u00e3o, o carro dirigiu-se diretamente para a resid\u00eancia de Headlam, na Upper Bedford Place, 31, no bairro de Bloomsbury, onde Wilde mergulhou de imediato num banho quente, trocou de roupas e tomou um farto desjejum. Os Leverson vieram reunir-se a ele, na mesma manh\u00e3, assim que se instalou na casa do reverendo. Eis como Ada se lembra, muitos anos depois, desse instante em que Wilde, que n\u00e3o perdera nada de sua verve nem de sua galanteria, reapareceu rependinamente diante dela, como se voltasse de uma longa viagem, com seu garbo habitual:<\/p>\n<p><b><i>Ele entrou falando, rindo, fumando um cigarro, com os cabelos ao vento, uma flor na lapela e o aspecto nitidamente melhor, mais esbelto e mais jovem do que dois anos antes. Suas primeiras palavras foram: \u201cSphinx, como \u00e9 maravilhoso que tenha sabido exatamente que chap\u00e9u convinha usar \u00e0s sete da manh\u00e3 para receber um amigo ao fim de sua aus\u00eancia\u201d! [&#8230;] Manteve por algum tempo uma conversa leve, depois escreveu uma carta e mandou-a entregar de carruagem num monast\u00e9rio vizinho, perguntando se poderia fazer um retiro ali durante ses meses. [&#8230;] N\u00e3o poderiam aceit\u00e1-lo nesse monast\u00e9rio sob um impulso de momento. [&#8230;] Na realidade, recusaram-no. Ent\u00e3o, ele desabou solu\u00e7ando amargamente.<\/i><\/b><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Rejeitado agora por toda parte, incluindo as institui\u00e7\u00f5es que se pretendiam mais caridosas, e tamb\u00e9m repudiado pela maior parte de seus colegas, inclusive esp\u00edritos t\u00e3o subversivos quanto Whistler ou Pater, e portanto irrevogavelmente banido da sociedade, Wilde deixou naquele mesmo dia a Inglaterra, que n\u00e3o reveria nunca mais, para se refugiar na Fran\u00e7a, onde morreria tr\u00eas anos mais tarde na mais completa mis\u00e9ria. De suas primeiras e dram\u00e1ticas horas de viagem para esse ex\u00edlio definitivo, mais do que uma liberdade ilus\u00f3ria, foi Robert Ross quem fez o relato mais fiel e mais comovente:<\/p>\n<p><b><i>Como o vapor entrava deslizando no porto, a alta silhueta de Wilde, que dominava os outros passageiros, foi-nos facilmente reconhec\u00edvel, do grande Crucifixo do cais onde est\u00e1vamos empoleirados. Aquele ponto de refer\u00eancia tinha para n\u00f3s um alcance simb\u00f3lico impressionante. Precipitamo-nos imediatamente para o pontilh\u00e3o: Wilde nos reconheceu, fez-nos um sinal com a m\u00e3o e seus l\u00e1bios delinearam um sorriso. Seu rosto perdera a rudeza e ele recobrara o aspecto que devia ter em Oxford, nos tempos em que eu ainda n\u00e3o o conhecia e que n\u00e3o vimos mais nele a n\u00e3o ser em seu leito de morte. Muitas pessoas, mesmo seus amigos, achavam sua apar\u00eancia quase repulsiva, mas a parte superior de seu rosto era extraordinariamente inteligente e bela. Tivemos que esperar o fim das irritantes formalidades de praxe; ent\u00e3o, com essa singular cad\u00eancia pesada que nunca vi em outra pessoa, Wilde desceu majestosamente a rampa. Ele segurava entre as m\u00e3os um grande envelope lacrado. \u201cEis, meu caro Robbie, o importante manuscrito cujo conte\u00fado voc\u00ea conhece.\u201d [&#8230;] O manuscrito era evidentemente <\/i><\/b><b><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=637394&amp;ID=848380\" target=\"_blank\">De profundis<\/a>.\u00a0<i>\u00a0<\/i><\/b><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Oscar_wilde_1890.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-24162\" alt=\"Oscar_wilde_1890\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Oscar_wilde_1890.jpg\" width=\"407\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Oscar_wilde_1890.jpg 968w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Oscar_wilde_1890-689x1024.jpg 689w\" sizes=\"auto, (max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois anos depois de ser preso por atentado ao pudor, Oscar Wilde sai da pris\u00e3o. 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