﻿{"id":24060,"date":"2014-05-05T11:33:14","date_gmt":"2014-05-05T14:33:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=24060"},"modified":"2014-05-05T11:34:25","modified_gmt":"2014-05-05T14:34:25","slug":"chega-em-hq-o-livro-que-borges-considerava-perfeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=24060","title":{"rendered":"Chega em HQ o livro que Borges considerava perfeito"},"content":{"rendered":"<p><em>A inven\u00e7\u00e3o de Morel <\/em>\u00e9 a obra-prima de Bioy Casares, um livro literalmente fant\u00e1stico, publicado originalmente em 1940. A hist\u00f3ria de um fugitivo da Justi\u00e7a &#8211; que est\u00e1\u00a0refugiado em uma ilha deserta\u00a0e de repente se v\u00ea cercado por um misterioso grupo de veranistas &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=527090&amp;ID=837372\" target=\"_blank\">acaba de ser publicado em HQ pela L&amp;PM Editores<\/a>. Leia abaixo o pref\u00e1cio, escrito por Michel Lafon, professor de literatura argentina na Universidade Stendhal de Grenoble. Lafon foi o editor da tradu\u00e7\u00e3o francesa de oito romances de Adolfo Bioy Casares publicados em volume \u00fanico em 2001 e autor, junto com Beno\u00eet Peters, de <em>Nous est un autre \u2013 Enqu\u00eate sur les duos d\u2019escrivains<\/em>, que tem um cap\u00edtulo dedicado \u00e0 parceria de Borges e Bioy Casares.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/invencao_morel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-24063\" style=\"border: black 1px solid;\" alt=\"invencao_morel\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/invencao_morel-664x1024.jpg\" width=\"360\" height=\"554\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/invencao_morel-664x1024.jpg 664w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/invencao_morel-194x300.jpg 194w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/invencao_morel.jpg 1759w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>Hoje, nesta ilha&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>(Um pref\u00e1cio para <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=527090&amp;ID=837372\" target=\"_blank\"><em>A inven\u00e7\u00e3o de Morel<\/em><\/a>)<\/p>\n<p><em>Hoy, en esta isla, ha ocurrido un milagro<\/em>. \u00c9 assim que come\u00e7a o mais belo romance em l\u00edngua espanhola do s\u00e9culo XX. No come\u00e7o dos anos 30, em Buenos Aires, um jovem conheceu um escritor quinze anos mais velho que j\u00e1 desfrutava de uma certa notoriedade, principalmente como poeta. Eles se tornaram amigos, amigos insepar\u00e1veis, que se encontravam quase todos os dias para falar de literatura, ler um para o outro suas obras em andamento, zombar dos contempor\u00e2neos e, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo escrever juntos, dando origem a uma fascinante criatura de quatro m\u00e3os.<\/p>\n<p>O mais velho se chamava Jorge Luis Borges. Em 1939, ele escreveu \u201cPierre Menard, autor do Quixote\u201d, a primeira de suas fic\u00e7\u00f5es: uma revolu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria estava em curso. O jovem t\u00edmido ao qual mulher nenhuma resistia se chamava Adolfo Bioy Casares. Em 1940, aos 26 anos, publicou aquele que na pr\u00e1tica era seu primeiro romance, A inven\u00e7\u00e3o de Morel (seis livros o precederam, todos eles renegados). Pela primeira vez, ele n\u00e3o se sentia envergonhado por um livro sa\u00eddo de sua pena. Os amigos compreenderam de imediato que ele tinha enfim se tornado um escritor. Mais que isso, uma esp\u00e9cie de estado de gra\u00e7a, uma magia fr\u00e1gil pairou sobre esse romance e se repetiu em todos os livros seguintes.<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o de Morel, escreveu Borges no pref\u00e1cio que abre o romance do amigo, \u00e9 uma trama \u201cperfeita\u201d. De fato, \u00e9 um romance que n\u00e3o se deixa esquecer, que escraviza o leitor, faz arder um desejo de rel\u00ea-lo, revisit\u00e1-lo, recont\u00e1-lo \u00e0 sua maneira, reescrev\u00ea-lo, reproduzi-lo. \u00c9 sobretudo um dos mais belos mitos amorosos da literatura. Todo leitor que mergulha em suas p\u00e1ginas corre o risco de compartilhar para sempre do amor insaci\u00e1vel e desesperado do fugitivo venezuelano pela misteriosa e fascinante Faustine, de vagar como um louco pelos p\u00e2ntanos insalubres da ilha proibida, gritando seu nome sob a chuva&#8230;<\/p>\n<p>Jean Pierre Maurey foi uma das v\u00edtimas da armadilha da ilha e de seu mecanismo infernal. Ao cruzar um dia com os habitantes fantasmag\u00f3ricos, n\u00e3o quis mais saber de deix\u00e1-los. Durante v\u00e1rios anos, viveu com eles entre o museu, a capela e a piscina, seguindo Faustine de longe, observando os m\u00ednimos gestos, procurando por um sorriso, talvez um sinal de cumplicidade, um len\u00e7o descartado casualmente e guardado em segredo, com ardor. Com um rigor admir\u00e1vel, ele p\u00f4s os recursos das hist\u00f3rias em quadrinhos a servi\u00e7o da narrativa fant\u00e1stica. Poucas vezes, ao que me parece, uma obra liter\u00e1ria foi objeto de uma adapta\u00e7\u00e3o t\u00e3o sens\u00edvel, t\u00e3o sutil: \u00e9 a reinven\u00e7\u00e3o de Mourey.<\/p>\n<p>Ao elogiar sua paix\u00e3o e paci\u00eancia, por\u00e9m, n\u00e3o posso me esquecer dos ombros amigos que o acompanharam em seus sonhos: Adolfo Bioy Casares, com o olhar celestial, morto em 1999, e tamb\u00e9m seu filho, Fabi\u00e1n Bioy Casares, que se entusiasmou desde o in\u00edcio com o projeto de Jean Pierre Mourey, que contemplou maravilhado suas primeiras p\u00e1ginas, mas nos deixou no in\u00edcio do ano de 2006. Se a m\u00e1quina de Morel continua a funcionar em uma ilha long\u00ednqua do Pac\u00edfico, ao ritmo das mar\u00e9s, esperemos que ela registre para a eternidade aqueles que passam por l\u00e1 e nos s\u00e3o queridos. <em>Ser\u00e1 un acto piadoso.<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><b>Michel Lafon<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_24062\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Borges_casares.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-24062\" class=\"size-large wp-image-24062\" alt=\"Borges_casares\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Borges_casares-664x1024.jpg\" width=\"450\" height=\"693\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Borges_casares-664x1024.jpg 664w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Borges_casares-194x300.jpg 194w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Borges_casares.jpg 1038w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-24062\" class=\"wp-caption-text\">Os amigos Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inven\u00e7\u00e3o de Morel \u00e9 a obra-prima de Bioy Casares, um livro literalmente fant\u00e1stico, publicado originalmente em 1940. 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