﻿{"id":23715,"date":"2014-03-13T17:05:58","date_gmt":"2014-03-13T20:05:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=23715"},"modified":"2014-03-13T17:11:59","modified_gmt":"2014-03-13T20:11:59","slug":"1964-jango-e-o-comicio-da-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=23715","title":{"rendered":"1964: Jango e o Com\u00edcio da Central"},"content":{"rendered":"<p>Entre os fatos que antecederam o famigerado golpe militar de 1964, tem destaque o c\u00e9lebre &#8220;Com\u00edcio da Central&#8221; realizado no dia 13 de mar\u00e7o na cidade do Rio de Janeiro, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, situada em frente \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o da Central do Brasil. Cerca de 150 mil pessoas se reuniram sob a prote\u00e7\u00e3o de tropas do Ex\u00e9rcito, unidades da Marinha e Pol\u00edcia, para ouvir a palavra do presidente Jo\u00e3o Goulart e do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. As bandeiras vermelhas que pediam a legaliza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro e as faixas que exigiam a reforma agr\u00e1ria foram vistas pela televis\u00e3o, causando arrepios nos meios conservadores.<\/p>\n<p>O jornalista Fl\u00e1vio Tavares, que acompanhou todas as movimenta\u00e7\u00f5es de perto, narra os fatos deste dia no livro <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=610619&amp;ID=621119\" target=\"_blank\"><em>1964 &#8211; o golpe<\/em><\/a>:<\/p>\n<blockquote><p>Naquela noite de sexta-feira 13 de mar\u00e7o, o conciliador Jango transmutou-se e decidiu disputar abertamente a lideran\u00e7a da &#8220;\u00e1rea popular&#8221; (ou da esquerda) com Brizola e Arraes, usando para isso o poder presidencial. \u00c0 tardinha, sentiu palpita\u00e7\u00f5es card\u00edacas com queda da press\u00e3o arterial, que solucionou com algumas doses de Whisky, mas deixou Maria Thereza preocupada. E a &#8220;primeira-dama&#8221;, que pouco aparecia em p\u00fablico e n\u00e3o ia a com\u00edcios, resolveu acompanh\u00e1-lo. N\u00e3o sabia que, al\u00e9m dos dois decretos, sua presen\u00e7a ajudaria a inclinar emocionalmente a balan\u00e7a da &#8220;\u00e1rea popular&#8221; a favor do marido.<\/p>\n<p>O com\u00edcio fora organizado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores da Ind\u00fastria (CNTI), ligada ao presidente, com a colabora\u00e7\u00e3o de outros sindicatos e da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), com a ideia de que s\u00f3 discursassem representantes desses organismos, al\u00e9m do pr\u00f3prio Jango, no encerramento.<\/p>\n<p>&#8211; O presidente n\u00e3o queria que nenhum dirigente pol\u00edtico falasse, menos ainda o Arraes e o Brizola, pois o ato era dos trabalhadores da UNE. Ao mesmo tempo, me pediu que exclu\u00edsse os comunistas da lista de oradores &#8211; contou-me 45 anos depois o principal organizador da manifesta\u00e7\u00e3o, Clodsmith Riani, presidente da CNTI e um dos homens em que Jango se apoiava na \u00e1rea sindical. &#8220;Um pelego&#8221;, como depreciativamente dizia a g\u00edria dos opositores.<\/p>\n<p>Arraes e Brizola reagiram e houve um duelo verbal nos bastidores da &#8220;\u00e1rea popular&#8221; e pela imprensa. Por fim, ambos acabaram discursando, mas no in\u00edcio do com\u00edcio, antes ainda de que a Avenida Presidente Vargas se transformasse em mar\u00e9 humana.<\/p>\n<p>Eles j\u00e1 haviam discursado quando Jango l\u00e1 chegou, no momento em que o presidente da UNE, o jovem Jos\u00e9 Serra, come\u00e7ava a falar &#8220;selando a unidade de estudantes e trabalhadores pelas reformas de base, para libertar o Brasil da depend\u00eancia de do imperialismo&#8221;. Em contraste com o traje escuro de Jango, o vestido creme-claro de Maria Thereza dava ao palanque iluminado na penumbra da pra\u00e7a a decora\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio festivo. J\u00e1 n\u00e3o era s\u00f3 o cen\u00e1rio de guerra &#8211; trabalhadores da Petrobras com tochas iluminando a noite, protegidos pelos tanques do Ex\u00e9rcito, que ali estavam para evitar repres\u00e1lias por parte da truculenta pol\u00edcia do governador estadual Carlos Lacerda, que durante a semana amea\u00e7ava veladamente intervir no com\u00edcio ou, at\u00e9, dissolv\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/comiciodacentral-495x278.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-23716\" alt=\"comiciodacentral-495x278\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/comiciodacentral-495x278.jpg\" width=\"401\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/comiciodacentral-495x278.jpg 495w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/comiciodacentral-495x278-300x168.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O com\u00edcio levou Jo\u00e3o Goulart a vencer a batalha (ora em surdina, ora aberta e ruidosa) pela lideran\u00e7a da &#8220;\u00e1rea popular&#8221;. Agora, ele se convencera de que j\u00e1 n\u00e3o dependia mais de Brizola nem, muito menos, de Arraes. E mais facilmente poderia manobrar Luiz Carlos Prestes e os comunistas, sem ter de evit\u00e1-los num lado ou de a\u00e7od\u00e1-los em ouro. Essa vis\u00e3o de triunfo fez com que n\u00e3o desse maior import\u00e2ncia ao 19 de mar\u00e7o em S\u00e3o Paulo, em que a direita conservadora organiza a &#8220;Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade&#8221;, em protesto contra &#8220;a penetra\u00e7\u00e3o comunista no governo e no Brasil&#8221; que re\u00fane caudal similar ao do com\u00edcio no Rio. Ou, talvez, superior at\u00e9. O governo estadual paulista e a ultramontana TFP, Sociedade Brasileira de Defesa da Tradi\u00e7\u00e3o, Fam\u00edlia e Propriedade, est\u00e3o na crista da manifesta\u00e7\u00e3o, \u00e0 qual se somam o CCC (Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas) e dezenas de organismos estilo &#8220;cruzada&#8221;, na maioria femininos, desfraldando faixas &#8220;contra o comunismo&#8221; e aos gritos de &#8220;um, dois, tr\u00eas, Brizola no xadrez&#8221; ou &#8220;um, dois, tr\u00eas, Goulart n\u00e3o tem vez&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com o Com\u00edcio da Central, as ideias de Jango foram decisivamente vinculadas pelos setores conservadores \u00e0 Rep\u00fablica Sindicalista e ao Comunismo. Dias depois, uma rebeli\u00e3o de marinheiros no Rio de Janeiro foi mais um grave incidente, mas que desta vez atingiu diretamente a hierarquia e a disciplina militares. Jo\u00e3o Goulart, como forma de solucionar o conflito, anistiou os revoltosos. Contudo, para o setor golpista, a a\u00e7\u00e3o de Jango era uma clara demonstra\u00e7\u00e3o de desrespeito com as For\u00e7as Armadas. A sa\u00edda para tanto foi o Golpe de 1964, em 31 de mar\u00e7o de 1964, que culminou com a instala\u00e7\u00e3o do Regime Militar no Brasil e, por consequ\u00eancia, com a ren\u00fancia do presidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os fatos que antecederam o famigerado golpe militar de 1964, tem destaque o c\u00e9lebre &#8220;Com\u00edcio da Central&#8221; realizado no dia 13 de mar\u00e7o na cidade do Rio de Janeiro, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, situada em frente \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o da Central do Brasil. 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