﻿{"id":23425,"date":"2014-02-10T09:38:30","date_gmt":"2014-02-10T11:38:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=23425"},"modified":"2014-02-10T10:50:09","modified_gmt":"2014-02-10T12:50:09","slug":"o-idiota-da-familia-no-jornal-o-globo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=23425","title":{"rendered":"\u201cO idiota da fam\u00edlia\u201d no jornal O Globo"},"content":{"rendered":"<p>Leia mat\u00e9ria do jornalista Fernando Eichenberg sobre o lan\u00e7amento de <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=526091&amp;ID=264505\" target=\"_blank\"><em>O idiota da fam\u00edlia<\/em><\/a>, escrita diretamente de Paris e publicada no <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/prosa\/\" target=\"_blank\"><em>Caderno Prosa e Verso<\/em><\/a> do jornal <em>O Globo<\/em> em 8 de fevereiro de 2013. Clique nas imagens para ampli\u00e1-las.<\/p>\n<div id=\"attachment_23453\" style=\"width: 457px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenogloboCAPA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-23453\" class=\" wp-image-23453\" alt=\"sartrenogloboCAPA\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenogloboCAPA.jpg\" width=\"447\" height=\"615\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenogloboCAPA.jpg 1773w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenogloboCAPA-218x300.jpg 218w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenogloboCAPA-744x1024.jpg 744w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23453\" class=\"wp-caption-text\">(clique para ampliar)<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_23451\" style=\"width: 457px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenoglobo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-23451\" class=\" wp-image-23451\" alt=\"sartrenoglobo\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenoglobo.jpg\" width=\"447\" height=\"782\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenoglobo.jpg 1773w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenoglobo-171x300.jpg 171w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/sartrenoglobo-585x1024.jpg 585w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-23451\" class=\"wp-caption-text\">(clique para ampliar)<\/p><\/div>\n<blockquote>\n<h4><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/prosa\/posts\/2014\/02\/08\/idiota-da-familia-uma-vida-passada-limpo-por-ivo-barroso-523554.asp\">&#8216;O idiota da fam\u00edlia&#8217;: uma vida passada a limpo, por Ivo Barroso<\/a><\/h4>\n<p><strong>Por Ivo Barroso*<\/strong><\/p>\n<p>Raz\u00e3o tinha Flaubert quando declarou \u201cMadame Bovary sou eu\u201d. O comportamento d\u00fabio, as rea\u00e7\u00f5es sentimentais da personagem, seu modo de agir e raciocinar eram todos reflexos de condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas a que ele se impunha para analis\u00e1-las com cuidado e deten\u00e7a. \u00c9 sabida a morosidade com que compunha seus livros, n\u00e3o s\u00f3 no que respeita \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do estilo, cujas frases revia incansavelmente, mas tamb\u00e9m no ajuste final de cada gesto e de cada palavra dos seres que animava.<\/p>\n<p>Sua biografia n\u00e3o revela grandes lances: solteir\u00e3o de muitos amores mas poucas liga\u00e7\u00f5es permanentes, arredio da grande cidade, avesso a qualquer tipo de conven\u00e7\u00f5es (\u201cAs honrarias desonram, os t\u00edtulos degradam, os empregos entorpecem\u201d), Gustave Flaubert havia se refugiado na literatura, em sua propriedade rural de Canteleu-Croisset, para vencer sua avers\u00e3o pela tolice humana. Esse recolhimento campestre teve, no entanto, outros determinantes. Flaubert sofria de epilepsia psicog\u00eanica, e seu pai, cirurgi\u00e3o-chefe no hospital de Rouen, achou conveniente que o jovem trancasse matr\u00edcula no curso de Direito em Paris e se recolhesse \u00e0 prov\u00edncia, onde seria mais bem assistido pela fam\u00edlia. Ideal para ele, que s\u00f3 pensava em escrever. Mas alguns infort\u00fanios dom\u00e9sticos iriam marc\u00e1-lo: o irm\u00e3o mais velho, Achille, m\u00e9dico-cirurgi\u00e3o como o pai, acabou louco; a irm\u00e3 Caroline, por quem tinha manifesta afei\u00e7\u00e3o, casou-se em 1845 com Emile Hamard e teve uma filha de mesmo nome, morrendo em seguida; Flaubert assumiu a cria\u00e7\u00e3o da menina, pois Hamard, desesperado, enlouqueceu ap\u00f3s a morte da esposa. O pai, seu grande esteio, morreu no ano seguinte. Restou-lhe a sra. Flaubert, descrita por ele como sua carcereira, confidente, ama, paciente, banqueira e cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Contudo, muitos s\u00e3o os amigos fieis que o cercam, como Louis Bouilhet e Maxim du Champ, este com quem viaja para o Egito, Palestina, Gr\u00e9cia etc., dilapidando boa parte da heran\u00e7a que lhe coubera com a morte do pai. E grande \u00e9 o n\u00famero de correspondentes e confidentes, aos quais escreve montanhas de cartas (hoje reunidas em cinco volumes), comentando projetos liter\u00e1rios e af\u00e3s amorosos. Visto como o \u201ccarrasco de si mesmo\u201d, esse cultor do mot juste tornou-se um dos maiores estilistas da literatura francesa do s\u00e9culo XIX. Seus livros mais conhecidos (\u201cSalamb\u00f4\u201c, \u201cMadame Bovary\u201d, \u201cBouvard e P\u00e9cuchet\u201d) trouxeram-lhe grande fama e sucesso financeiro, embora outros, como \u201cA educa\u00e7\u00e3o sentimental\u201d e \u201cA tenta\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00e3o\u201d n\u00e3o alcan\u00e7assem o grande p\u00fablico, e, neste \u00faltimo caso, houvesse at\u00e9 a insist\u00eancia dos amigos para que o jogasse fora.<\/p>\n<p>Por sua import\u00e2ncia liter\u00e1ria era natural que Flaubert despertasse a aten\u00e7\u00e3o de muitos bi\u00f3grafos, alguns dos quais da import\u00e2ncia de Henry James, Guy de Maupassant, Emile Faguet e Jules Goncourt, interesse que persiste mesmo em nossos dias com a premiada biografia de Frederick Brown (2006).<\/p>\n<p>Em 1971, o fil\u00f3sofo existencialista Jean-Paul Sartre surpreendeu seus leitores com a publica\u00e7\u00e3o do primeiro volume de uma biografia de Flaubert intitulada \u201cO idiota da fam\u00edlia\u201d. O livro tinha cerca de 1000 p\u00e1ginas, anunciava-se um segundo tomo j\u00e1 para o ano seguinte e havia o plano da publica\u00e7\u00e3o de mais outros dois volumes que sairiam em datas n\u00e3o muito distantes. Indagado sobre seu interesse por Flaubert, Sartre respondeu que via nele o seu ant\u00edpoda, mas que o admirava exatamente por isso, em vez de desprez\u00e1-lo. A novidade maior do empreendimento, al\u00e9m de seu indubit\u00e1vel apelo \u00e9patant, estava (segundo o autor) na aplica\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo investigativo que conjugava existencialismo, psican\u00e1lise e cr\u00edtica liter\u00e1ria, a fim de tratar o assunto (a vida de um autor) em sua globalidade definitiva. O objetivo foi sem d\u00favida obtido e a an\u00e1lise de fato vasculha da adega ao s\u00f3t\u00e3o, mas depreende-se igualmente da leitura que Sartre quis fazer uma \u201crevis\u00e3o\u201d completa de Flaubert, como escritor e como ser humano, talvez para \u201caproxim\u00e1-lo\u201d um pouco mais de si. Dessa forma, poder\u00edamos imaginar que Sartre quis fazer com Flaubert o que este fazia com seus personagens: incorporar-se neles.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio, por exemplo, Sartre se vale de um depoimento de Caroline, a sobrinha querida de Flaubert, e embora lhe d\u00ea todo o cr\u00e9dito, disseca-lhe as palavras como que para redesenh\u00e1-las de modo a que signifiquem a mesma coisa, mas insinuando outras mais. Cada momento da vida de Flaubert \u00e9, assim, passado a limpo, ou melhor, reanalisado de modo a aproxim\u00e1-lo de seu bi\u00f3grafo, aqui transformado num deus todo-poderoso capaz de reformular o destino. Sem d\u00favida, um trabalho de amor, de aprimoramento, talvez um impulso de fazer por outrem o que n\u00e3o foi poss\u00edvel (ou desej\u00e1vel) fazer para si mesmo. O resultado final \u00e9 uma obra-prima do enfoque biogr\u00e1fico, a transforma\u00e7\u00e3o do reflexo no espelho na imagem mental do refletido. Sartre conseguiu com esta obra assemelhar-se literariamente ao mestre amado a quem odiava no princ\u00edpio.<\/p>\n<p><strong>*Ivo Barroso \u00e9 tradutor e poeta<\/strong><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia mat\u00e9ria do jornalista Fernando Eichenberg sobre o lan\u00e7amento de O idiota da fam\u00edlia, escrita diretamente de Paris e publicada no Caderno Prosa e Verso do jornal O Globo em 8 de fevereiro de 2013. 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