﻿{"id":21542,"date":"2013-07-10T15:16:58","date_gmt":"2013-07-10T18:16:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=21542"},"modified":"2013-07-11T09:33:05","modified_gmt":"2013-07-11T12:33:05","slug":"cortazar-inspirou-godard","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=21542","title":{"rendered":"Cort\u00e1zar inspirou Godard"},"content":{"rendered":"<p>J\u00falio Cort\u00e1zar foi enorme. Tinha cerca de dois metros de altura, m\u00e3os gigantescas e um f\u00f4lego mai\u00fasculo que o levou a tocar trompete. Nasceu na embaixada da Argentina em Bruxelas e, aos quatro anos, retornou \u00e0 terra de seus pais, de onde saiu em 1951 para se estabelecer em Paris e nunca mais voltar. Seus contos \u2013 muitos deles\u00a0fantasiosos \u2013 seguem sendo\u00a0adorados por uma legi\u00e3o de leitores.\u00a0\u00a0Suas hist\u00f3rias s\u00e3o multitem\u00e1ticas, h\u00e1\u00a0jazz, gatos, vel\u00f3rios, portas que escondem segredos, tango, jogos, estradas&#8230; \u201cA autoestrada do sul\u201d, que \u00e9 um de seus contos mais famosos, d\u00e1 nome ao livro que, em poucos dias, chegar\u00e1 \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket. O livro traz este e mais sete contos selecionados por S\u00e9rgio Karam e com nova tradu\u00e7\u00e3o de Heloisa Jahn. E uma curiosidade: \u201cA autoestrada do sul\u201d inspirou Jean-Luc Godard a criar o filme \u201cWeekend\u201d. Leia abaixo o trecho inicial do conto e depois assista ao trailer do filme de Godard:<\/p>\n<blockquote><p><em>No come\u00e7o a garota do Dauphine insistira em contabilizar o tempo, embora para o engenheiro do Peugeot 404 isso j\u00e1 n\u00e3o fizesse diferen\u00e7a. Qualquer um podia consultar o rel\u00f3gio mas era como se aquele tempo preso ao pulso direito ou o bip bip do r\u00e1dio medissem outra coisa, fossem o tempo dos que n\u00e3o fizeram a besteira de querer voltar para Paris pela autoestrada do sul num domingo \u00e0 tarde e, logo depois de sair de Fontainebleau, foram obrigados a diminuir a velocidade, parar, seis filas de cada lado (\u00e9 sabido que nos domingos a autoestrada fica inteiramente reservada aos que regressam para a capital), ligar o motor, avan\u00e7ar tr\u00eas metros, parar, conversar com as duas freiras do 2HP da direita, com a garota do Dauphine \u00e0 esquerda, olhar pelo retrovisor o homem p\u00e1lido ao volante de um Caravelle, invejar ironicamente a felicidade av\u00edcola do casal do Peugeot 203 (atr\u00e1s do Dauphine da garota), que se distrai com a filhinha e faz brincadeiras e come queijo, ou tolerar de tanto em tanto as manifesta\u00e7\u00f5es exasperadas dos dois rapazinhos do Simca que precede o Peugeot 404, e mesmo descer do carro no topo da ladeira e explorar sem se afastar muito (porque nunca se sabe em que momento os carros l\u00e1 da frente recome\u00e7ar\u00e3o a avan\u00e7ar e ser\u00e1 preciso correr para que os de tr\u00e1s n\u00e3o disparem a guerra das buzinas e dos insultos), e assim chegar \u00e0 altura de um Taunus na frente do Dauphine da garota que verifica a hora a todo momento, e trocar algumas frases desalentadas ou espirituosas com os dois homens que viajam com o menino louro cujo maior divertimento nessas precisas circunst\u00e2ncias consiste em fazer circular livremente seu carrinho de brinquedo sobre os assentos e o rebordo posterior do Taunus, ou ousar avan\u00e7ar mais um pouco, embora n\u00e3o pare\u00e7a que os carros da frente estejam prestes a retomar a marcha, e contemplar com um pouco de pena o casal de velhos do id Citro\u00ebn que parece uma gigantesca banheira roxa na qual sobrenadam os dois idosos, ele descansando os antebra\u00e7os sobre o volante com ar de paciente cansa\u00e7o, ela mordiscando uma ma\u00e7\u00e3 com mais aplica\u00e7\u00e3o que vontade.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><object width=\"452\" height=\"285\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"\/\/www.youtube.com\/v\/dFJLuhVvBPM?hl=pt_BR&amp;version=3\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"452\" height=\"285\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"\/\/www.youtube.com\/v\/dFJLuhVvBPM?hl=pt_BR&amp;version=3\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>Contos que estar\u00e3o no livro <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=673729&amp;ID=616472\" target=\"_blank\"><em>A autoestrada do sul e outras hist\u00f3rias<\/em><\/a>: &#8220;A casa tomada&#8221;, &#8220;O perseguidor&#8221;, &#8220;A porta condenada&#8221;, &#8220;Comportamento nos vel\u00f3rios&#8221;, &#8220;A autoestrada do Sul&#8221;, &#8220;Manuscrito achado num bolso&#8221;, &#8220;Tango de volta&#8221; e &#8220;A escola de noite&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_21544\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/juliocortazar_albertojonquieres-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-21544\" class=\" wp-image-21544  \" alt=\"O jazz era uma cas paix\u00f5es de Cort\u00e1zar e est\u00e1 presente em muitas de suas hist\u00f3rias\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/juliocortazar_albertojonquieres-5.jpg\" width=\"410\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/juliocortazar_albertojonquieres-5.jpg 512w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/juliocortazar_albertojonquieres-5-274x300.jpg 274w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-21544\" class=\"wp-caption-text\">O jazz era uma cas paix\u00f5es de Cort\u00e1zar e est\u00e1 presente em muitas de suas hist\u00f3rias<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00falio Cort\u00e1zar foi enorme. Tinha cerca de dois metros de altura, m\u00e3os gigantescas e um f\u00f4lego mai\u00fasculo que o levou a tocar trompete. Nasceu na embaixada da Argentina em Bruxelas e, aos quatro anos, retornou \u00e0 terra de seus pais, de onde saiu em 1951 para se estabelecer em Paris e nunca mais voltar. 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