﻿{"id":21285,"date":"2013-06-17T10:57:13","date_gmt":"2013-06-17T13:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=21285"},"modified":"2013-06-17T11:35:00","modified_gmt":"2013-06-17T14:35:00","slug":"scliar-e-o-rio-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=21285","title":{"rendered":"Scliar e o Rio Grande"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=69\" target=\"_blank\">Luiz Antonio de Assis Brasil<\/a>*<\/em><\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul \u00e9, desde suas primeiras representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, uma met\u00e1fora e uma alegoria intelectuais que se organizam a partir da evoca\u00e7\u00e3o de um antigo tipo luso-platino-rural, que acabou por suplantar as outras vertentes constitutivas de sua presente identidade. Como qualquer constru\u00e7\u00e3o validada pelos extratos dominantes, essa alegoria teve, at\u00e9 pouco, sua hegemonia incontestada, havendo raro espa\u00e7o de di\u00e1logo com outras representa\u00e7\u00f5es concomitantes, nomeadamente as que decorrem dos surtos imigrat\u00f3rios dos s\u00e9culos 19 e 20.<\/p>\n<p>Nesse conjunto de fatores superpostos \u2013 e, n\u00e3o raro, conflitantes \u2013, a obra de Moacyr Scliar avulta por ser aquela que optou por uma via alternativa que instituiu entre n\u00f3s uma reflex\u00e3o a que n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados: a de que somos humanos, antes de ga\u00fachos.<\/p>\n<p>Alguma cr\u00edtica por vezes diz que o componente judaico seja a face mais vis\u00edvel e representativa de sua obra; trata-se, esta, de uma vis\u00e3o pobre, porque, antes de tudo, Scliar traz para nossa literatura uma via inesperada que aparece n\u00e3o como contraponto, mas como justaposi\u00e7\u00e3o ao tipo hegem\u00f4nico. Ambas s\u00e3o perspectivas constru\u00eddas e, por isso, habitam a mesma legitimidade.<\/p>\n<p>Outro vi\u00e9s referido pela cr\u00edtica como essencial \u00e9 o veio fant\u00e1stico de seus romances, novelas e contos. Na verdade, trata-se de outra dic\u00e7\u00e3o para a mesma universalidade. Se nosso fant\u00e1stico est\u00e1 presente j\u00e1 desde Lendas do Sul, este mesmo fant\u00e1stico \u00e9 um dado previsto pela cultura e pela mitologia; j\u00e1 o fant\u00e1stico de Scliar \u00e9 cria\u00e7\u00e3o pura, isto \u00e9, prov\u00e9m de uma fabula\u00e7\u00e3o exclusiva e que n\u00e3o se confunde com qualquer outra preexistente mitologia.<\/p>\n<p>Essas duas circunst\u00e2ncias tem\u00e1ticas de Scliar \u2013 a judaica e a fant\u00e1stica \u2013 significam, no cerne, o alargamento ontol\u00f3gico de uma literatura que se debatia entre seus que-fazeres irremedi\u00e1veis e mi\u00fados, v\u00edtima da est\u00e9ril dicotomia pampa-cidade.<\/p>\n<p>A obra de Scliar talvez seja a mais feliz investida nos dom\u00ednios de uma universalidade moderna, embora tardia em termos regionais, e que precisou desse escritor de exce\u00e7\u00e3o para impor-se como possibilidade est\u00e9tica.<\/p>\n<p>O constructo intelectual que \u00e9 o Rio Grande, dessa forma, adquirir\u00e1, de agora em diante, uma obrigat\u00f3ria nuan\u00e7a, n\u00e3o a desfaz\u00ea-lo, mas a matiz\u00e1-lo. Com isso ganha-se em colorido e diversidade, at\u00e9 que outras obras surjam a transformar esse quadro pois, como sabemos, a cultura e a literatura se definem como processo que estar\u00e1 sempre descontruindo o que antes construiu.<\/p>\n<p><em>*Luiz Antonio de Assis Brasil \u00e9 escritor e Secret\u00e1rio de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul. Este texto foi publicado originalmente no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora em 17 de junho de 2013.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Antonio de Assis Brasil* O Rio Grande do Sul \u00e9, desde suas primeiras representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, uma met\u00e1fora e uma alegoria intelectuais que se organizam a partir da evoca\u00e7\u00e3o de um antigo tipo luso-platino-rural, que acabou por suplantar as outras vertentes constitutivas de sua presente identidade. 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