﻿{"id":21187,"date":"2013-06-10T11:55:02","date_gmt":"2013-06-10T14:55:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=21187"},"modified":"2013-06-10T12:13:39","modified_gmt":"2013-06-10T15:13:39","slug":"revista-da-cultura-entrevista-a-escritora-martha-medeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=21187","title":{"rendered":"Revista da Cultura entrevista a escritora Martha Medeiros"},"content":{"rendered":"<p><em>A Revista da Cultura traz, na sua edi\u00e7\u00e3o de junho, uma entrevista com a escritora <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=607705\">Martha Medeiros<\/a>, realizada por Gustavo Ranieri e<\/em><em style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\"> p<\/em><em style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">ublicada originalmente no <a href=\"http:\/\/www.revistadacultura.com.br\/\">site<\/a> da revista.\u00a0 <em>As fotos s\u00e3o de T\u00e2nia Meinerz<\/em>.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Martha Medeiros n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda<\/strong><\/p>\n<p><em>por Gustavo Ranieri<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Da janela da reda\u00e7\u00e3o, no 11\u00ba andar de um tradicional edif\u00edcio paulistano, \u00e0 beira da Avenida Paulista, \u00e9 poss\u00edvel mirar um grande p\u00f4ster publicit\u00e1rio, fixado em uma banca de jornal, anunciando o \u00faltimo t\u00edtulo de Martha Medeiros,\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=527084&amp;ID=736200\"><em style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Um lugar na janela<\/em><\/a><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">. \u00c9 o mesmo livro que, assim como outros de sua trajet\u00f3ria \u2013 j\u00e1 s\u00e3o 24 \u2013, est\u00e3o presentes tamb\u00e9m em livrarias, supermercados e nas g\u00f4ndolas em lojas de conveni\u00eancia e padarias de diversos lugares do pa\u00eds. \u201cEstou quase vendendo mais do que p\u00e3ozinho\u201d, ela ri quando comento sobre essa popularidade no nosso encontro em seu apartamento em Porto Alegre, sua cidade natal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_680.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-21188\" alt=\"martha_medeiros_680\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_680.jpg\" width=\"408\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_680.jpg 680w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_680-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Acontece que tamanha repercuss\u00e3o, consequ\u00eancia de seu talento para escrever sobre relacionamentos, das colunas semanais para os jornais\u00a0<\/span><em style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">O Globo<\/em><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0e\u00a0<\/span><em style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Zero Hora<\/em><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">, e aquecida com o sucesso do filme\u00a0<\/span><em style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Div\u00e3<\/em><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">, adaptado em 2009 de seu livro hom\u00f4nimo, fizeram da escritora, a contragosto dela, um mito para parte de seus leitores: o de mulher totalmente resolvida e feliz 24 horas por dia. Martha, em suas pr\u00f3prias palavras, se transformou em certos momentos em uma \u201cescritora particular\u201d. Sim, s\u00e3o infindos os e-mails que recebe: pedidos de conselhos matrimoniais, de dicas para educar os filhos, pessoas querendo ganhar livros de presente, pois se consideram f\u00e3s n\u00famero 1, e at\u00e9 o convite de um leitor que, no dia do anivers\u00e1rio de sua esposa, queria presente\u00e1-la com um jantar ao lado de Martha. \u201cAquela que escreve nos textos faz o seu trabalho, d\u00e1 suas opini\u00f5es. Isso n\u00e3o significa que estou com uma placa aqui de \u2018vende-se\u2019\u201d, desabafa. Por outro lado, se sente maravilhada com o sucesso do trabalho e de saber que j\u00e1 introduziu muita gente na leitura. \u201cQuantas pessoas j\u00e1 me escreveram dizendo: \u2018O primeiro livro que li foi o teu e, a partir da\u00ed, comecei a me interessar por outros autores\u2019. Estou com a vida ganha quando ou\u00e7o isso.\u201d<\/span><\/p>\n<p>Com mais de 800 mil livros vendidos, a publicit\u00e1ria de forma\u00e7\u00e3o \u2013 ela trabalhou 14 anos na \u00e1rea \u2013, fez sua estreia liter\u00e1ria com\u00a0<em>Strip-tease<\/em>\u00a0(1985), de poesias. A cr\u00f4nica s\u00f3 chegou dez anos depois, com\u00a0<em>Gera\u00e7\u00e3o Bivolt<\/em>, e n\u00e3o a largou mais. No momento, est\u00e3o programados os relan\u00e7amentos, com nova roupagem gr\u00e1fica, dos livros<em>\u00a0Div\u00e3<\/em>,\u00a0<em>Selma e Sinatra<\/em>,\u00a0<em>Tudo que eu queria te dizer<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Fora de mim<\/em>; e em agosto ela lan\u00e7a uma colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas, ainda sem t\u00edtulo, ao mesmo tempo que estrear\u00e1 no Rio de Janeiro a adapta\u00e7\u00e3o para o teatro do best seller\u00a0<a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=847372&amp;ID=172283\"><em>Feliz por nada<\/em><\/a>, dirigido por Ernesto Piccolo. Ela tamb\u00e9m est\u00e1 envolvida com a The School of Life, do fil\u00f3sofo Alain de Botton. Mas a agita\u00e7\u00e3o profissional \u00e9 falsa. Prestes a completar 52 anos, Martha Medeiros \u2013 a mesma que tem alma de roqueira e est\u00e1 encantada com os livros\u00a0<em>O azar\u00e3o<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Bom de briga<\/em>, de Markus Zusak \u2013 gosta \u00e9 de ficar com a agenda bem livre, justamente para viver tudo de que gosta, incluindo o mais trivial do dia a dia. \u00c9 o que nos conta nesta entrevista, na qual tamb\u00e9m falamos sobre a falta de controle sobre um texto na web, o tempo do homem consumido pela tecnologia e relacionamentos (\u00f3bvio!), mas pelo vi\u00e9s da \u201cutopia\u201d, da busca fren\u00e9tica pela felicidade e por um par ideal.<\/p>\n<p><strong>Seus livros est\u00e3o \u00e0 venda em todos os lugares poss\u00edveis. Como voc\u00ea observa os lados positivo e negativo dessa exposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPor um lado, \u00e9 absolutamente sensacional, por que quem n\u00e3o quer trabalhar em casa, fazer seus hor\u00e1rios, ter seus prazos, gerenciar a pr\u00f3pria carreira sem nenhuma limita\u00e7\u00e3o e atingindo o p\u00fablico? A gente escreve para ser lido, n\u00e3o \u00e9? E a parte negativa, a associo mais \u00e0 internet. Porque, a\u00ed sim, tu perde o controle do teu trabalho.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea diz em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de textos adulterados que circulam pela rede?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 aconteceram casos inacredit\u00e1veis com textos meus; um, por exemplo, \u00e9 creditado at\u00e9 hoje ao Pablo Neruda e foi publicado em um livro em espanhol como sendo dele. A Funda\u00e7\u00e3o Neruda, no Chile, j\u00e1 tem uma resposta padr\u00e3o de tantas consultas que eles recebem sobre se \u00e9 meu ou dele. E uma vez, estava em casa num domingo e toca o telefone: era um rep\u00f3rter querendo que eu desse um depoimento sobre o que estava acontecendo na It\u00e1lia. Eu digo: \u201cO que est\u00e1 acontecendo na It\u00e1lia?\u201d. E um pol\u00edtico importante de l\u00e1 [o premier Romano Prodi, em janeiro de 2008] tinha renunciado porque havia sido \u201cpressionado\u201d com esse texto meu, mas que foi lido em plen\u00e1rio como se fosse do Neruda. S\u00f3 faltou posar pelada (risos) para o\u00a0<em>Corriere della Sera<\/em>, porque virou assunto de jornal.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21189 alignleft\" alt=\"martha_medeiros_2\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_2.jpg\" width=\"210\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_2.jpg 350w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o nome do texto?<\/strong><br \/>\nO nome do texto \u00e9\u00a0<em>Morre lentamente<\/em>. Publiquei no\u00a0<em>Zero Hora\u00a0<\/em>um dia antes do feriado de Finados. E virou&#8230; N\u00e3o! Chama\u00a0<em>A morte devagar<\/em>. V\u00ea como j\u00e1 estou me confundindo? (risos)<\/p>\n<p><strong>Daqui a pouco, voc\u00ea vai admitir que \u00e9 do Neruda (risos)&#8230;<\/strong><br \/>\nEstou quase admitindo (risos). O texto tem \u201cMorre lentamente quem n\u00e3o sei o qu\u00ea, n\u00e3o sei o qu\u00ea. Morre lentamente&#8230;\u201d Eram pessoas que iam morrendo em vida. Aquela coisa: n\u00e3o tenho assunto, vou falar sobre isso. E virou uma febre at\u00e9 hoje! Tem agora um franc\u00eas que entrou em contato pedindo para musicar o texto. Tamb\u00e9m existem casos de m\u00e1-f\u00e9. J\u00e1 fizeram propaganda pol\u00edtica no meio de um texto meu. Ent\u00e3o, a minha falta de controle em rela\u00e7\u00e3o ao que acontece na rede me perturba, mas n\u00e3o me tira o sono. A maioria das vezes \u00e9 distra\u00e7\u00e3o mesmo do pessoal, que vai passando adiante sem saber o que est\u00e1 fazendo. Esses PPS [slide show do PowerPoint], ent\u00e3o, que v\u00eam com musiquinhas, Kenny G e aquelas florzinhas (risos), eu tenho vontade de chorar. Tu fez um texto \u201cmorado\u201d, meio malandro at\u00e9, e da\u00ed botam um coral gregoriano e aquilo fica de uma cafonice total e ainda botam uma frase, uma moral da hist\u00f3ria, que nem tinha no texto original. Eu olho para aquilo e digo: \u201cOdiaria ser autora disso aqui\u201d. Mas sou. Digo isso em entrevistas, e sei que \u00e9 at\u00e9 antip\u00e1tico: preferiria mil vezes ter menos leitores, mas que me lessem s\u00f3 no jornal e nos livros. N\u00e3o tenho essa vaidade de ter 3 milh\u00f5es de leitores.<\/p>\n<p><strong>E nem existe mais a utopia de que \u00e9 poss\u00edvel evitar coisas desse tipo na web.<\/strong><br \/>\nNo caso da bifurca\u00e7\u00e3o do texto, \u00e9 incontrol\u00e1vel. Eu ainda tenho a sorte de ser confundida com Quintana, com Jabor. \u00c9 s\u00f3 gente quent\u00edssima (risos). E tem esse lance tamb\u00e9m que todas as cr\u00f4nicas saem no jornal com o meu e-mail. Ent\u00e3o, recebo um monte de mensagens, na maioria das vezes pessoas elogiando, algumas criticando, mas tudo com educa\u00e7\u00e3o. Mas a quantidade de solicita\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><strong>Que tipo de solicita\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSolicitam primeiro: leia meu blog. Isso da\u00ed \u00e9 20 por dia. Eu n\u00e3o faria mais nada da vida. Tem gente que me considera uma escritora particular. Tenho pensado muito nisso. Tem muita gente que diz: \u201cMartha, como eu me identifico com o que tu pensa\u201d, \u201cParece que tu vive aqui dentro de casa\u201d. Isso \u00e9 recorrente, o tempo inteiro. As pessoas v\u00e3o achando que elas s\u00e3o donas de ti. Aconteceu essa semana uma coisa superchata. A mulher contou a vida dela, o problema que est\u00e1 tendo com as filhas e ainda me pede: \u201cPor favor, escreva um texto a respeito disso para eu colocar no Facebook das minhas filhas para elas verem. Para tu me apoiar\u201d. Da\u00ed explico: \u201cOlha, respeito tua dor, agrade\u00e7o tua confian\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 essa a minha fun\u00e7\u00e3o. Espero que tu consiga solucionar e tal\u201d.<\/p>\n<p><strong>E ficam bravos com esse tipo de resposta?<\/strong><br \/>\nFicam furiosos, porque \u00e9 como se eu estivesse \u00e0 venda. \u201cMartha, a minha amiga te adora, ela te ama, ela s\u00f3 te l\u00ea. Ela vai fazer 18 anos. Por favor, manda um livro autografado para ela. O endere\u00e7o dela \u00e9 tal tal tal\u201d. Eles nem perguntam. Acham que eu vou parar minha vida, vou pegar um livro, vou aos Correios&#8230; Eu n\u00e3o tenho staff nenhum. N\u00e3o tenho assessora, agente, secret\u00e1ria. Uma vez, um cara me disse assim: \u201cMartha, quero te dar de presente de anivers\u00e1rio para a minha mulher. Eu te mando uma passagem, hotel e tu vem jantar com a gente no dia do anivers\u00e1rio dela\u201d. Eles n\u00e3o t\u00eam muito no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 vida privada, que sou uma mulher como qualquer outra, levo minhas filhas ao col\u00e9gio, vou ao supermercado, tenho uma vida. Estou tentando me entender por meio do que escrevo. Mas, por alguma raz\u00e3o, os textos criaram essa empatia e as pessoas acabam querendo te sugar mais do que podem. Enfim, n\u00e3o quero reclamar disso. Seria rid\u00edculo! Porque \u00e9 fruto tamb\u00e9m de um trabalho que deu supercerto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_5-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-21192\" alt=\"martha_medeiros_5 (1)\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_5-1.jpg\" width=\"408\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_5-1.jpg 680w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_5-1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>E essa identifica\u00e7\u00e3o, que acaba se tornando invas\u00e3o de privacidade, n\u00e3o teria a ver com uma \u201ccredibilidade\u201d sua ao falar de sentimentos?<\/strong><br \/>\nMas isso \u00e9 uma besteira! As pessoas olham para mim e dizem: \u201cMartha, tu \u00e9 t\u00e3o bem resolvida\u201d. E digo: \u201cGente, \u00e9 muito f\u00e1cil ser bem resolvido por escrito, porque eu vou ali, escrevo de novo em outro dia, fa\u00e7o uma faxina no texto, repenso\u201d. Mas eu me atrapalho como todo mundo, fa\u00e7o um monte de besteiras. Mas a\u00ed tu vai notando como \u00e9 que tu cria um mito.<\/p>\n<p><strong>Sim, porque voc\u00ea se torna a mulher perfeita para os seus leitores.<br \/>\n<\/strong>Que \u00e9 um p\u00e9 no saco! Acaba sendo uma escravid\u00e3o. Outro dia, eu falei que tinha vontade de matar uns passarinhos que me acordam \u00e0s 4h da manh\u00e3 e todo mundo ficou apavorado: \u201cA santa quer matar passarinho\u201d.<\/p>\n<p><strong>Te elevar a um pedestal como mulher perfeita n\u00e3o est\u00e1 relacionado tamb\u00e9m ao ideal da busca pela felicidade, que nunca \u00e9 encontrada?<\/strong><br \/>\nPorque n\u00e3o existe! Mas a\u00ed \u00e9 que fiquei com mais esse rotulozinho de \u201ca feliz\u201d, porque tenho um livro chamado\u00a0<strong><em>Feliz por nada<\/em><\/strong>. E escolhi esse t\u00edtulo [\u00e9 tamb\u00e9m o nome de uma das cr\u00f4nicas da publica\u00e7\u00e3o] porque \u00e9 o meu estado de esp\u00edrito. \u00c9 a no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe um motivo para ser feliz. Ter um estado de esp\u00edrito aberto, e isso eu tenho, para receber bala\u00e7o e elogio, receber tudo, assimilar, entender que faz parte do processo de viver. Eu n\u00e3o dramatizo as coisas. As encrencas de trabalho e estresse do nosso dia a dia est\u00e3o dentro do pacote. Isso \u00e9 o que chamo de felicidade.<\/p>\n<p><strong>Mas em sua opini\u00e3o, a falta de conhecimento de si pr\u00f3prio influencia nessa busca fren\u00e9tica por algo que se rotule felicidade?<\/strong><br \/>\nAcho que isso \u00e9 de cada um. Vamos entrar num papo muito psicanal\u00edtico aqui&#8230; Tem pessoas que, realmente, t\u00eam doen\u00e7as. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o que tem que se respeitar e tratar. E tem outros casos a ver com cria\u00e7\u00e3o, com essa sociedade maluca em que tu passa por qualquer revistaria e v\u00ea\u00a0<em>Caras<\/em>. Uma coisa absolutamente irreal! As mulheres terminam o casamento e duas semanas depois est\u00e3o namorando outro maravilhoso&#8230;<\/p>\n<p><strong>E saem na capa declarando: \u201cNunca estive t\u00e3o feliz\u201d.<\/strong><br \/>\n\u00c9 tudo maravilhoso. E ficam lindas e magras. A\u00ed, as pessoas consomem isso. Mas tamb\u00e9m por falta de leitura, de consist\u00eancia. E, quanto mais inconsistentes, mais assimilam bobagem: a f\u00f3rmula de felicidade, a fulana que tem coisas que eu n\u00e3o tenho&#8230;<\/p>\n<p><strong>E no meio de tudo isso tem a procura pela mulher e homem ideais?<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 muito antigo nisso. No passado, era muito mais f\u00e1cil dar essa segmenta\u00e7\u00e3o. Ou tu era casada ou solteira. Hoje, o mundo virou um grande supermercado, tem mil maneiras de se relacionar, tu pode ser gay, pode ser solteiro o resto da vida, pode s\u00f3 trabalhar, pode ser pegador. E n\u00e3o precisa ser para sempre. A gente est\u00e1 mais longevo tamb\u00e9m, ent\u00e3o, tem mais chance de mudar durante uma vida. Hoje em dia, digo por mim, acho que ainda tenho estrada, ainda posso realizar muita coisa mesmo com 50 anos, e n\u00e3o preciso ser a mesma que fui com 40, 30 ou 20. E continuo achando muito importante ter um grande amor. Fui casada durante 17 anos, 21 se contar o tempo de namoro. Terminei o casamento e em seguida comecei uma rela\u00e7\u00e3o que durou seis anos. Agora, eu sa\u00ed desse relacionamento e, pela primeira vez, estou sozinha mesmo. E estou muito bem, feliz, tocando o meu trabalho, mas sinto realmente como \u00e9 importante ter um relacionamento, como isso te preenche a vida! N\u00e3o estou falando de pega\u00e7\u00e3o. Estou falando de um relacionamento \u00edntimo. O que acho que est\u00e1 em falta n\u00e3o \u00e9 homem nem mulher, \u00e9 intimidade. \u00c9 uma coisa que tu cria e realmente tem que ter uma dedica\u00e7\u00e3o. Tem que estar aberto, dispon\u00edvel, com tempo, e isso acho que as pessoas n\u00e3o t\u00eam mais. Est\u00e1 todo mundo querendo solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica. Da\u00ed, fica todo mundo sozinho.<\/p>\n<p><strong>A tecnologia n\u00e3o teria ajudado a consumir esse tempo? Hoje, \u00e9 comum todo mundo olhando o celular \u2013 e atrapalhando os outros \u2013, at\u00e9 no cinema e no teatro.<\/strong><br \/>\nEssa coisa da conex\u00e3o \u00e9 uma estupidez. As pessoas ficam nervosas quando esquecem o celular em casa. E elas v\u00e3o jantar fora e p\u00f5em o celular em cima da mesa, que \u00e9 uma coisa que n\u00e3o consigo explicar, a n\u00e3o ser que tua m\u00e3e esteja passando por uma cirurgia no c\u00e9rebro naquela noite. Nesse aspecto, eu me sinto completamente fora do mundo, mas at\u00e9 com certo orgulho. N\u00e3o sou tiranizada pelo trabalho ou pela tecnologia e tenho um tempo ocioso. As pessoas t\u00eam a impress\u00e3o de que sou uma workaholic, porque nego ir a tanta coisa que me convidam e sempre digo que estou com a agenda cheia. Na verdade, n\u00e3o existe essa agenda cheia, porque fa\u00e7o quest\u00e3o de t\u00ea-la muito livre para fazer as coisas de que gosto, incluindo deitar no sof\u00e1 e ler um livro, receber minhas amigas aqui em casa, sair para viajar, ir passar um dia na praia e voltar. Isso \u00e9 a minha grande mat\u00e9ria-prima para tudo o que escrevo e fa\u00e7o. Sou f\u00e3 do e-mail. Como facilitou a vida! \u00d3bvio que tenho alguns recursos, mas tudo dentro do meu controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21190 alignright\" alt=\"martha_medeiros_3\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_3.jpg\" width=\"240\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_3.jpg 400w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Martha, como voc\u00ea se situa como escritora no meio dos outros escritores? J\u00e1 sentiu algum tipo de desd\u00e9m de algu\u00e9m que, de repente, te rejeite por voc\u00ea ser muito popular?<br \/>\n<\/strong>Nada. Todo mundo me trata superbem. Acho at\u00e9 que deve ter muito nos bastidores e entendo perfeitamente. Estou longe de ser um Cristov\u00e3o Tezza, um Phillip Roth, Clarice Lispector&#8230; Eu mesma, como leitora, vejo essa tremenda diferen\u00e7a. Eu era uma menina que come\u00e7ou a escrever poesia, tive a maior sorte de conseguir ser lan\u00e7ada pela\u00a0<em>Cantadas Liter\u00e1rias<\/em>, que \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o da Brasiliense que lan\u00e7ou Caio Fernando Abreu, Alice Ruiz, Leminski. Eu era publicit\u00e1ria. E depois passou um temp\u00e3o, achei que iria ser para sempre a propaganda e a poesia, e ent\u00e3o comecei a fazer cr\u00f4nicas. Me chamaram para escrever e, de repente, deu certo. \u00c9 quase como se eu me sentisse culpada de ter dado certo, mas tenho plena consci\u00eancia: \u00e9 um texto f\u00e1cil, pop, que pegou. Agora, n\u00e3o posso sair pelas ruas dizendo: \u201cPerd\u00e3o por eu estar vendendo\u201d. O\u00a0<strong><em>Feliz por nada<\/em><\/strong>, agora, chegou a sua 49\u00aa edi\u00e7\u00e3o. O pessoal suando para chegar \u00e0 segunda e, de repente, estou na 49\u00aa. E n\u00e3o sei explicar isso. \u00c9 uma febre, as pessoas adoram. Ent\u00e3o, se os caras quiserem malhar, entendo e deixo que malhem. Eu n\u00e3o tenho uma vida liter\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea n\u00e3o faz quest\u00e3o de participar do c\u00edrculo de escritores, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nSim, eu gosto mais de viajar! Agora, estou indo para Londres, vou passar um m\u00eas estudando ingl\u00eas. Vou realizar com 51 anos o sonho que n\u00e3o pude realizar com 18. Isso, para mim, \u00e9 o que eu mais amo na vida. Vou estudar um idioma que n\u00e3o domino bem e preciso dominar em fun\u00e7\u00e3o de outro projeto que estou me envolvendo.<\/p>\n<p><strong>Pode revelar qual?<\/strong><br \/>\nEstou envolvida com a The School of Life (A Escola da Vida, que teve filial inaugurada em S\u00e3o Paulo em abril \u00faltimo), do [fil\u00f3sofo] Alain de Botton. Ele veio para o Brasil e a GloboNews fez uma entrevista separadamente comigo e com ele sobre felicidade. E o Alain viu essa entrevista depois, se interessou pelo meu trabalho e fez o convite. N\u00e3o tem nada formal, n\u00e3o sou contratada, n\u00e3o sou s\u00f3cia, n\u00e3o tem grana envolvida&#8230; \u00c9 puro idealismo!\u00a0 Tudo o que existe na vida de prosaico, de rotineiro, como tu pode incrementar isso com uma vis\u00e3o mais filos\u00f3fica e como isso pode melhorar a tua rela\u00e7\u00e3o com o mundo e com os outros.<\/p>\n<p><strong>Dentro do universo liter\u00e1rio, al\u00e9m dos relan\u00e7amentos confirmados, tem algum novo livro previsto?<br \/>\n<\/strong>Ser\u00e1 lan\u00e7ada em agosto uma nova colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas, que eu fa\u00e7o de dois em dois anos. No\u00a0<strong><em>Feliz por nada<\/em><\/strong>\u00a0eram cr\u00f4nicas de 2009 a 2011, e agora ser\u00e1 de 2011 a 2013. N\u00e3o sei ainda o nome do livro, mas tenho uma inclina\u00e7\u00e3o para\u00a0<em>Simples, f\u00e1cil e comum<\/em>, que \u00e9 o t\u00edtulo de uma cr\u00f4nica e tamb\u00e9m uma busca minha pela simplifica\u00e7\u00e3o; viver e pensar de forma mais simples.<\/p>\n<p><strong>Na edi\u00e7\u00e3o de maio da<\/strong><em>\u00a0Revista da Cultura<\/em><strong>, h\u00e1 uma reportagem sobre escritores, como J.K. Rowling e Nicholas Sparks, que vendem os direitos de seus livros para o cinema e chegam a roteirizar e at\u00e9 dirigir. Voc\u00ea pensa em se infiltrar nessa ind\u00fastria?<\/strong><br \/>\nVou te dizer uma coisa: gosto de uma vida mansa (gargalhadas). N\u00e3o tem dinheiro que me tire da minha paz. Eu poderia ser milion\u00e1ria. O que recebo de convite para isso, tu n\u00e3o tem ideia. Palestra seriam tr\u00eas, quatro por dia&#8230; E n\u00e3o vou a nada mais. Viver na estrada? Isso eu parei. Fiz muito. J\u00e1 rodei o Rio Grande do Sul, j\u00e1 viajei Brasil inteiro. Agora, escolho s\u00f3 tr\u00eas ou quatro lugares por ano para ir. E essa coisa de roteirizar, \u00e9 outra quest\u00e3o. Eu n\u00e3o sei fazer, ent\u00e3o, deixo para quem sabe.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem prazer de ver suas hist\u00f3rias adaptadas para o cinema ou o teatro?<\/strong><br \/>\nTenho uma curiosidade muito grande, porque delego totalmente. N\u00e3o participo de roteiro, n\u00e3o participo de ensaio, n\u00e3o dou palpite. Eu entrego de uma maneira perigosa at\u00e9. \u201cFa\u00e7am o que quiserem\u201d. Da\u00ed, a primeira vez que fui ver\u00a0<em>Fora de mim<\/em>, n\u00e3o tinha ideia do que iria ver. N\u00e3o conhecia as atrizes. Mesma coisa foi com o\u00a0<strong><em>Div\u00e3<\/em><\/strong>. Quando a L\u00edlia [Cabral] me ligou, autorizei e vamos embora. E todos foram assim!\u00a0<em>Doidas &amp; Santas<\/em>, com a Cissa Guimar\u00e3es&#8230; \u00c9 claro que bate um estranhamento. Mas tenho plena consci\u00eancia de que aquilo n\u00e3o \u00e9 mais meu. Fui s\u00f3 o ponto de partida para um projeto que passa a ser de equipe. Agora, o\u00a0<strong><em>Feliz por nada<\/em><\/strong>\u00a0vai virar pe\u00e7a tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Quando estreia?<\/strong><br \/>\nEm agosto, no Rio. O Ernesto Piccolo que vai dirigir. E eu relaxo, dou liberdade. Acho que \u00e9 legal. Isso muda teu p\u00fablico. \u00c9 manter vivo um livro, manter vivo teu trabalho. E gosto muito de teatro. Me divirto. Conhe\u00e7o pessoas interessantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-21191\" alt=\"martha_medeiros_4\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_4.jpg\" width=\"408\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_4.jpg 680w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/martha_medeiros_4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Passa pela sua cabe\u00e7a publicar novamente poesia?<\/strong><br \/>\nTenho um material e pretendo voltar, mas n\u00e3o estou escrevendo. A cr\u00f4nica me absorveu de uma maneira! Gostaria ainda de continuar fazendo poesia, mas n\u00e3o adianta for\u00e7ar essa barra. E gostaria de me voltar mais para fic\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que tenho muito mais dificuldade de fazer, mas como leitora \u00e9 o meu g\u00eanero preferido. Adoraria ser uma grande romancista, s\u00f3 que n\u00e3o vou ser nunca. Mas vou morrer tentando. Mas tem a cr\u00f4nica e prazo de entrega. \u00c9 o meu trabalho mais burocr\u00e1tico.\u00a0 S\u00e3o duas no domingo, uma para\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0e outra para o\u00a0<em>Zero Hora<\/em>. E uma na quarta-feira, para o\u00a0<em>Zero Hora<\/em>\u00a0tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Independente do prazer, escrever \u00e9 um of\u00edcio que te cansa em algum momento?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o o ato de escrever. A exposi\u00e7\u00e3o me cansa. Adoraria tirar um ano sab\u00e1tico, sair fora. Eu canso de mim, porque me coloco muito em tudo o que escrevo. Mas \u00e9 normal tamb\u00e9m, s\u00e3o mais de 25 anos escrevendo.<\/p>\n<p><strong>E escrever para jornal e revista s\u00e3o compromissos que n\u00e3o podem falhar&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tem essa de \u201cficou doente\u201d, nem nada. Se vai viajar, tem que deixar pronto antes. Mas o que me preocupa um pouco \u00e9 que n\u00e3o tem mais assunto. O mundo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o original. Vejo as coisas acontecendo e n\u00e3o tenho vontade de comentar sobre isso mais, pois j\u00e1 foi comentado.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 como o Mick Jagger cantando\u00a0<\/strong><em>Satisfaction<\/em><strong>\u00a0mais uma vez.<\/strong><br \/>\nExatamente. E n\u00e3o tem mais o que fazer. E \u00e0s vezes digo: \u201cO que interessa o que penso sobre isso, caramba?\u201d. O mundo est\u00e1 saturado de opini\u00e3o. Eu preferia mil vezes n\u00e3o estar dando opini\u00e3o e estar caminhando \u00e0 beira-mar. Mas a\u00ed entra o lado profissional. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque ela \u00e9 p\u00fablica, tem um lado art\u00edstico, que ser\u00e1 menos cansativo do que obturar uma c\u00e1rie ou projetar um pr\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, depois 28 anos de profiss\u00e3o como escritora, milhares de livros vendidos, adapta\u00e7\u00f5es de suas hist\u00f3rias para o teatro, cinema e TV&#8230; O que te sacia e move realmente hoje?<\/strong><br \/>\n\u00c9 t\u00e3o dif\u00edcil fazer isso sem parecer sentimentaloide. Eu n\u00e3o separo trabalho de vida. N\u00e3o existe a Martha m\u00e3e, a Martha mulher, a Martha profissional, t\u00e1 tudo enrolado. Reclamo que fico cansada, mas \u00e9 \u00f3bvio que tenho muito prazer em escrever. E, provavelmente, se algu\u00e9m dissesse: \u201cMartha parou de escrever\u201d, eu iria continuar escrevendo para mim mesma. O que me move \u00e9 tudo. Uma vez, vi o Domingos Oliveira falando uma coisa que acho absolutamente genial. Ele adora sair para dar uma volta no quarteir\u00e3o, para ver o que a vida oferece. E, cada vez que acordo, \u00e9 essa a minha volta no quarteir\u00e3o. Eu tenho um amor pela vida&#8230; Viver por viver&#8230; \u00c9 a \u00fanica coisa que a gente tem e ponto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Revista da Cultura traz, na sua edi\u00e7\u00e3o de junho, uma entrevista com a escritora Martha Medeiros, realizada por Gustavo Ranieri e publicada originalmente no site da revista.\u00a0 As fotos s\u00e3o de T\u00e2nia Meinerz. 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