﻿{"id":20512,"date":"2013-04-10T09:50:11","date_gmt":"2013-04-10T12:50:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=20512"},"modified":"2013-04-10T09:50:11","modified_gmt":"2013-04-10T12:50:11","slug":"cartas-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=20512","title":{"rendered":"Cartas na rua"},"content":{"rendered":"<p><em>Bernardo Scartezini, Especial\u00a0|\u00a0Correio Braziliense &#8211; Da Press &#8211; Jornal Zero Hora &#8211; 10\/04\/2010<\/em><\/p>\n<h4>Correspond\u00eancias entre Jack Kerouac e Allen Ginsberg trazem as hist\u00f3rias e os bastidores da gera\u00e7\u00e3o beat<\/h4>\n<p>A marca fundamental da literatura beat talvez n\u00e3o seja a vida desregrada, o fasc\u00ednio pelos subterr\u00e2neos ou mesmo a tentativa de fazer a l\u00edngua escrita soar como se fosse jazz bebop. Talvez o que nos faz ainda hoje trat\u00e1-la justamente por \u201cgera\u00e7\u00e3o\u201d seja a estreita camaradagem e cumplicidade entre os principais envolvidos. \u00c9 essa intimidade entre dois protagonistas que faz despertar o interesse por <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=817161&amp;ID=061625\" target=\"_blank\"><em>As Cartas de Jack Kerouac &amp; Allen Ginsberg<\/em><\/a>\u00a0(L&amp;PM\u00a0Editores) calhama\u00e7o que o leitor brasileiro agora tem ao seu dispor.<\/p>\n<p>Trata-se de um longo comp\u00eandio para al\u00e9m de 500 p\u00e1ginas, com mais de 10 anos de cartas entre Kerouac e Ginsberg, dos meados da d\u00e9cada de 1940 ao in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. \u00c9 a fase definitiva e definidora da ess\u00eancia beat. Foi quando se conheceram, viajaram os Estados Unidos de ponta a ponta, ca\u00edram na vida e come\u00e7aram a escrever as obras que ajudariam a nortear boa parte da literatura norte-americana \u2013 e ocidental \u2013 a ser produzida nas d\u00e9cadas seguintes. O per\u00edodo das cartas corresponde \u00e0 sa\u00edda desses autores do anonimato, \u00e0s suas pioneiras publica\u00e7\u00f5es, \u00e0s primeiras resenhas feitas pela imprensa e ao in\u00edcio do desbunde mundial que seria chamado de contracultura.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=817161&amp;ID=061625\" target=\"_blank\"><em>As Cartas de Jack Kerouac &amp; Allen Ginsberg<\/em><\/a> foi colhido, organizado e editado por dois peritos na gera\u00e7\u00e3o beat: David Stanford, editor s\u00eanior da gigante editorial Viking Penguin, e Bill Morgan, antigo protegido de Ginsberg que tamb\u00e9m era uma esp\u00e9cie de bibli\u00f3grafo pessoal e arquivista particular. <em>As cartas<\/em>, portanto, ficaram em poder de Morgan ap\u00f3s a morte do poeta.<\/p>\n<p>Kerouac (1922 \u2013 1969) e Ginsberg (1926 \u2013 1997) se conheceram no in\u00edcio de 1944 nos arredores da Universidade de Columbia, em Nova York. A vastid\u00e3o da Am\u00e9rica ainda era desconhecida por Kerouac quando ele iniciou sua troca de cartas com Ginsberg. Mas o prezado leitor de <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?FiltroStr=on+the+road&amp;FiltroCampo=ALL&amp;Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp\" target=\"_blank\"><em>On the Road<\/em> <\/a>(1957), de Kerouac, por conta dessas mil rela\u00e7\u00f5es entre vida pessoal e obra liter\u00e1ria, j\u00e1 se sente imediatamente \u00e0 vontade por aqui, totalmente enturmado na companhia daqueles dois.<\/p>\n<p>Nas cartas, os aspirantes a escritor trocam dicas de leitura (G\u00f3gol, C\u00e9line, Thomas Wolf) e admitem as inseguran\u00e7as quanto ao ato de escrever. Mas parecem tratar as pr\u00f3prias cartas como um campo de experimenta\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Neal Cassady, o bom malandro, maconheiro, b\u00edgamo e puxador de carros, seria uma terceira ponta desse tri\u00e2ngulo sensorial. Era um camarada que n\u00e3o sabia escrever duas frases que fizessem sentido, mas trazia em si o aprendizado das ruas. Cada chegada dele a Nova York era ansiosamente aguardada e festejada por antecipa\u00e7\u00e3o. E William Burroughs \u00e9 visto como o amigo doid\u00e3o. Al\u00e9m de ter viajado mais do que os outros, \u00e9 o que pareceria estar mais pronto para publicar <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617161&amp;ID=374936\" target=\"_blank\">um livro<\/a>. Tinha viajado pela Amaz\u00f4nia peruana s\u00f3 para tomar ayahuasca (bebida alucin\u00f3gena) e de l\u00e1 ele trocou com Ginsberg longas cartas sobre a experi\u00eancia.<\/p>\n<p><b>\u00c0 sombra da fama<\/b><\/p>\n<p>Com o poema <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?FiltroStr=uivo&amp;FiltroCampo=ALL&amp;Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp\" target=\"_blank\"><em>Uivo<\/em><\/a> (1956) liberado e o livro <em>On the Road<\/em> na ponta da lista de mais vendidos do New York Times, Ginsberg comentava com Kerouac sobre as t\u00e3o belas propostas que passou a receber de megaeditoras prometendo relan\u00e7ar Uivo em maiores tiragens. J\u00e1 Kerouac nunca entenderia a idolatria que se formou a sua volta. Nestas cartas, ele se mostra primeiro espantado, depois relativamente fascinado e por fim francamente incomodado com o fato de <em>On the Road<\/em> ter se tornado aquilo que se tornou. Kerouac desprezava os hippies e n\u00e3o queria ser apontado como precursor de nada que pudesse ser relacionado a eles. Allen Ginsberg, por outro lado, parecia adorar ser idolatrado. Andava de moto com Bob Dylan, viajava com os Beatles, pingava \u00e1cido em Haight-Ashbury, em S\u00e3o Francisco, e pregava as virtudes do budismo, as benesses da medita\u00e7\u00e3o transcendental.<\/p>\n<p>Dessas diferen\u00e7as, percebe-se que Kerouac e Ginsberg, talvez por responderem ao sucesso e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de celebridade de maneira t\u00e3o distinta, tornaram-se personalidades praticamente opostas. Mas, mesmo assim, mantiveram estreita a amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jack_allen_cartas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-20513\" style=\"border: black 1px solid;\" alt=\"jack_allen_cartas\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jack_allen_cartas.jpg\" width=\"197\" height=\"662\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jack_allen_cartas.jpg 274w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jack_allen_cartas-89x300.jpg 89w\" sizes=\"auto, (max-width: 197px) 100vw, 197px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Scartezini, Especial\u00a0|\u00a0Correio Braziliense &#8211; Da Press &#8211; Jornal Zero Hora &#8211; 10\/04\/2010 Correspond\u00eancias entre Jack Kerouac e Allen Ginsberg trazem as hist\u00f3rias e os bastidores da gera\u00e7\u00e3o beat A marca fundamental da literatura beat talvez n\u00e3o seja a vida desregrada, o fasc\u00ednio pelos subterr\u00e2neos ou mesmo a tentativa de fazer a l\u00edngua escrita soar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[280,4171,4472,171,278],"class_list":["post-20512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-allen-ginsberg","tag-as-cartas","tag-jack-keoruac","tag-on-the-road","tag-uivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20512"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20512\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20517,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20512\/revisions\/20517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}