﻿{"id":20469,"date":"2013-04-05T10:32:05","date_gmt":"2013-04-05T13:32:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=20469"},"modified":"2013-04-05T14:22:24","modified_gmt":"2013-04-05T17:22:24","slug":"o-fim-de-allen-ginsberg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=20469","title":{"rendered":"&#8220;O fim&#8221;, de Allen Ginsberg"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>Eu sou Eu, velho Pai Olho de Peixe que procriou o oceano, <\/em><br \/>\n<em>o verme no meu pr\u00f3prio ouvido, a serpente enrolada na \u00e1rvore,<\/em><br \/>\n<em>Eu me sento na mente do carvalho e me oculto na rosa, eu sei se<\/em><br \/>\n<em>algu\u00e9m desperta, ningu\u00e9m a n\u00e3o ser minha morte,<\/em><br \/>\n<em>vinde a mim corpos, vinde a mim profecias, vinde a mim agouros,<\/em><br \/>\n<em>vinde esp\u00edritos e vis\u00f5es,<\/em><br \/>\n<em>Eu recebo tudo, eu morro de c\u00e2ncer, eu entro no caix\u00e3o para<\/em><br \/>\n<em>sempre, eu fecho meu olho, eu desapare\u00e7o,<\/em><br \/>\n<em>Eu caio sobre mim mesmo na neve de inverno, rolo em uma <\/em><br \/>\n<em>grande roda pela chuva, observo a convuls\u00e3o dos que fodem,<\/em><br \/>\n<em>carros guincham, f\u00farias gemem sua m\u00fasica de fagote, mem\u00f3ria<\/em><br \/>\n<em>apagando-se no c\u00e9rebro, homens imitando c\u00e3es,<\/em><br \/>\n<em>Eu gozo no ventre de uma mulher, a juventude estendendo seus <\/em><br \/>\n<em>seios e coxas para o sexo, o caralho pulando para dentro<\/em><br \/>\n<em>derramando sua semente nos l\u00e1bios de Yin, feras dan\u00e7am no<\/em><br \/>\n<em>Si\u00e3o, cantam \u00f3pera em Moscou,<\/em><br \/>\n<em>meus garotos excitados ao crep\u00fasculo nas varandas, chego a <\/em><br \/>\n<em>Nova York, toco meu jazz num Clavic\u00f3rdio de Chicago,<\/em><br \/>\n<em>Amor que me engendrou eu retorno a minha Origem sem nada<\/em><br \/>\n<em>perder, eu flutuo sobre o vomit\u00f3rio<\/em><br \/>\n<em>empolgado por minha imortalidade, empolgado por essa infinitude<\/em><br \/>\n<em>na qual aposto e a qual enterro,<\/em><br \/>\n<em>vem Poeta, cala-te, come minha palavra e prova minha boca em<\/em><br \/>\n<em>teu ouvido.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O poeta Allen Ginsberg morreu em 5 de abril de 1997, aos 70 anos, mas escreveu os versos\u00a0acima em 1960. &#8220;O Fim&#8221; est\u00e1 no livro <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?FiltroStr=uivo&amp;FiltroCampo=ALL&amp;Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp\" target=\"_blank\"><em>Uivo, Kaddish e outros poemas<\/em><\/a> que tem tradu\u00e7\u00e3o de Claudio Willer.\u00a0Ele certamente n\u00e3o foi o \u00fanico poema\u00a0escrito de Ginsberg\u00a0no qual a morte estava presente. Quando seu pai faleceu, o poeta beat\u00a0dedicou a ele\u00a0<em>Father Death Blues.\u00a0\u00a0<\/em>Abaixo,\u00a0o emocionante v\u00eddeo em que Ginsberg, j\u00e1 em idade avan\u00e7ada, canta este poema:<\/p>\n<p><object width=\"420\" height=\"315\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Ew6ef3nE-E4?hl=pt_BR&amp;version=3\" \/><param name=\"allowfullscreen\" value=\"true\" \/><embed width=\"420\" height=\"315\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Ew6ef3nE-E4?hl=pt_BR&amp;version=3\" allowFullScreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" \/><\/object><\/p>\n<p>Recentemente, a L&amp;PM lan\u00e7ou <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=817161&amp;ID=061625\" target=\"_blank\"><em>Allen Ginsberg e Jack Kerouac: as cartas<\/em><\/a>, livro que traz a troca de cartas entre os dois amigos beats ao longo de 25 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sou Eu, velho Pai Olho de Peixe que procriou o oceano, o verme no meu pr\u00f3prio ouvido, a serpente enrolada na \u00e1rvore, Eu me sento na mente do carvalho e me oculto na rosa, eu sei se algu\u00e9m desperta, ningu\u00e9m a n\u00e3o ser minha morte, vinde a mim corpos, vinde a mim profecias, vinde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[280,443,4459,4457,278,4458],"class_list":["post-20469","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-allen-ginsberg","tag-claudio-willer","tag-father-death-blues","tag-o-fim","tag-uivo","tag-uivo-kaddish-e-outros-poemas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20469"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20469\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20474,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20469\/revisions\/20474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}