﻿{"id":20032,"date":"2013-03-04T11:03:27","date_gmt":"2013-03-04T14:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=20032"},"modified":"2013-03-04T11:03:27","modified_gmt":"2013-03-04T14:03:27","slug":"uma-otima-entrevista-com-denise-bottmann-tradutora-de-mrs-dalloway","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=20032","title":{"rendered":"Uma \u00f3tima entrevista com Denise Bottmann, tradutora de Mrs. Dalloway"},"content":{"rendered":"<p>O <i>jornal Op\u00e7\u00e3o<\/i>, de Goi\u00e2nia, publicou uma longa entrevista com Denise Bottmann, uma das mais importantes tradutoras brasileiras, respons\u00e1vel pela tradu\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=725462&amp;ID=088094\" target=\"_blank\"><i>Mrs. Dalloway<\/i><\/a>, de Virginia Woolf. O livro\u00a0acaba de sair pela Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket e Denise falou sobre a import\u00e2ncia das novas tradu\u00e7\u00f5es de cl\u00e1ssicos e o desafio de encontrar o tom certo para esta grande obra de Virginia Woolf. <a href=\"http:\/\/www.jornalopcao.com.br\/posts\/opcao-cultural\/virginia-woolf-feminista-e-uma-invencao-da-tradicao\" target=\"_blank\">Clique aqui e leia a entrevista completa<\/a>.<\/p>\n<blockquote><p><b>O que voc\u00ea destacaria como o principal desafio que encontrou para traduzir este livro?<br \/>\n<\/b><br \/>\nFoi encontrar o tom. A linguagem em si \u00e9 muito simples. A quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: existem \u201cn\u201d maneiras de dizer qualquer coisa; acontece que aquela coisa est\u00e1 dita daquela e n\u00e3o de outra maneira \u2014 e ningu\u00e9m, em especial o tradutor, pode considerar que seja algo fortuito ou mec\u00e2nico. Ent\u00e3o este \u00e9 o ponto de partida: as escolhas do autor. E s\u00e3o essas escolhas incessantes ao longo das p\u00e1ginas que voc\u00ea tem de entender: n\u00e3o digo s\u00f3 o que est\u00e1 dado no texto; digo as raz\u00f5es de fundo (liter\u00e1rias, estil\u00edsticas) para a escolha de tal e tal montagem, desta e n\u00e3o daquela palavra, daquela imagem, daquela ordem dos termos e frases, o que for. Esse entendimento leva algum tempo, pelo menos para mim: assim como o pessoal da filosofia fala em \u201ctempo l\u00f3gico\u201d do texto, penso numa esp\u00e9cie de \u201ctempo liter\u00e1rio\u201d do texto. Ent\u00e3o, digamos, a certa altura voc\u00ea at\u00e9 consegue reconstituir mais ou menos o quadro da coisa, voc\u00ea j\u00e1 discerne os procedimentos e suas correla\u00e7\u00f5es internas. \u00d3timo. Mas ainda n\u00e3o sente, est\u00e1 ainda no n\u00edvel anal\u00edtico, abstrato. Voc\u00ea at\u00e9 consegue prever quais as escolhas que v\u00e3o vir, ou, quando v\u00eam, j\u00e1 parecem bastante naturais, voc\u00ea bate na cabe\u00e7a e diz, \u201cmas claro!\u201d. E a\u00ed voc\u00ea tem de conseguir infundir essa percep\u00e7\u00e3o de uma estrutura, que transparece apenas obliquamente na superf\u00edcie do texto, no que voc\u00ea vai escrever em portugu\u00eas, isto \u00e9, na sua tradu\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso o que chamo de \u201cencontrar o tom\u201d. E v\u00e1rios elementos de conte\u00fado, eu tinha de conseguir que cintilassem de leve, aqui e ali, discretamente, como pequenos presentinhos escondidos para o leitor, como Woolf faz, sem alardear: e de repente pode aflorar \u00e0 leitura alguma preciosidade, e \u00e9 quando o leitor tem aquela \u2014 para usar um termo batido \u2014 epifania. V\u00e1rias coisas ganham nova perspectiva; coisas que pareciam avulsas ou desconectadas se re\u00fanem; fica uma esp\u00e9cie de prisma multifacetado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/mrs_dalloway.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-20033\" alt=\"capa_mrs_dalloway.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/mrs_dalloway.jpg\" width=\"363\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/mrs_dalloway.jpg 1260w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/mrs_dalloway-180x300.jpg 180w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/mrs_dalloway-615x1024.jpg 615w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal Op\u00e7\u00e3o, de Goi\u00e2nia, publicou uma longa entrevista com Denise Bottmann, uma das mais importantes tradutoras brasileiras, respons\u00e1vel pela tradu\u00e7\u00e3o de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. 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