﻿{"id":18589,"date":"2012-11-20T14:26:23","date_gmt":"2012-11-20T16:26:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18589"},"modified":"2012-11-20T14:26:23","modified_gmt":"2012-11-20T16:26:23","slug":"poemas-chineses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18589","title":{"rendered":"Poemas chineses"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Luiz Antonio de Assis Brasil*<\/em><\/p>\n<p>Quem l\u00ea jornal e se det\u00e9m numa coluna de cr\u00f4nica, \u00e9 porque tem experi\u00eancia de leitura e possui muito conhecimento acumulado. Seu imagin\u00e1rio acerca da China, por exemplo, n\u00e3o se deixa seduzir por ideias feitas, como Mao-Ts\u00e9-Tung ou o cat\u00e1logo de produtos industrializados que inundam nossas lojas e supermercados. Esse leitor j\u00e1 sabe que a China possui uma antiqu\u00edssima e invej\u00e1vel cultura, representada nas artes pl\u00e1sticas, na m\u00fasica, na arquitetura, no teatro e na poesia.<\/p>\n<p>Tomando esses dados como aut\u00eanticos, n\u00e3o cabe repetir que a poesia chinesa tradicional possui temas que em que est\u00e1, por excel\u00eancia e relev\u00e2ncia, a natureza. \u00c9 de Li Bai (701-762, na data\u00e7\u00e3o ocidental) o Di\u00e1logo sobre a montanha: H\u00e1 quem pergunte \/ por que vivo \/ nestas verdes colinas. \/ Sem responder, sorrio, \/ de cora\u00e7\u00e3o sereno, \/ enquanto as flores de pessegueiro \/ flutuam na \u00e1gua. \/ Tudo vai embora, tudo se apaga. \/ Aqui \u00e9 outra, a terra, \/ e outro, o c\u00e9u. \/ Nada parecido \/ com o mundo dos humanos \/ l\u00e1 embaixo. Este poema, e outros do mesmo autor e, ainda, de Du Fu (712-770) e Wang Wei (701-761) foram reunidos no livro <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=494508\" target=\"_blank\">Poemas Cl\u00e1ssicos Chineses<\/a><\/em>, L&amp;PM Pocket, com tradu\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Capparelli (sim, o nosso estimado e premiado escritor de obras infantis, mas n\u00e3o s\u00f3) e Sun Yuqi. Na abertura h\u00e1 um curto, mas cabal ensaio de Leonardo Fr\u00f3es, recomend\u00e1vel a quem n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com a poesia da China.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, por \u00f3bvio, estabelecer qualquer ju\u00edzo sobre a acuidade do trabalho da tradu\u00e7\u00e3o, mas confiamos plenamente nos nomes da capa. Algo que chama aten\u00e7\u00e3o, em particular, \u00e9 a extrema s\u00edntese lingu\u00edstica dos caracteres chineses, vis\u00edvel quando comparamos o original nas p\u00e1ginas pares com a respectiva tradu\u00e7\u00e3o nas p\u00e1ginas \u00edmpares. Os poetas chineses precisavam de apenas quatro linhas, quando precisamos do dobro, pelo menos. Nada de novo.<\/p>\n<p>Mas voltando ao tema da natureza. Observe-se o refinamento deste poema do aristocrata Wang Wei, tamb\u00e9m m\u00fasico e pintor: P\u00e1ssaros \/ al\u00e7ando voo. \/ Montanhas \/ que se repetem, \/ sempre, \/ na cor do outono&#8230; \/ Ando de um lado para o outro \/ no monte florido: \/ at\u00e9 quando \/ essa melancolia?<\/p>\n<p>Quer-se dizer: enquanto, no mesmo per\u00edodo, os aristocratas ocidentais, sem nenhuma melancolia, matavam-se em batalhas cruentas, Wang Wei escrevia um poema sobre montes floridos. Algo a pensar. Mas, antes, \u00e9 bom ler o livro por inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Poemas-_classicos_chineses.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18591\" title=\"capa_Poemas _cl\u00e1ssicos_chineses.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Poemas-_classicos_chineses-618x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"292\" height=\"482\" \/><\/a><\/p>\n<p>*Luiz Antonio de Assis Brasil acaba de lan\u00e7ar <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=836453&amp;ID=829351\" target=\"_blank\">Figura na sombra<\/a><\/em>. Esta cr\u00f4nica foi publicada originalmente no <a href=\"http:\/\/www.clicrbs.com.br\/zerohora\/jsp\/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a3954777.xml&amp;template=3916.dwt&amp;edition=20832&amp;section=999\" target=\"_blank\">Segundo Caderno do Jornal Zero Hora <\/a>em 19 de novembro de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Antonio de Assis Brasil* Quem l\u00ea jornal e se det\u00e9m numa coluna de cr\u00f4nica, \u00e9 porque tem experi\u00eancia de leitura e possui muito conhecimento acumulado. Seu imagin\u00e1rio acerca da China, por exemplo, n\u00e3o se deixa seduzir por ideias feitas, como Mao-Ts\u00e9-Tung ou o cat\u00e1logo de produtos industrializados que inundam nossas lojas e supermercados. 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