﻿{"id":18570,"date":"2012-11-19T10:22:48","date_gmt":"2012-11-19T12:22:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18570"},"modified":"2012-11-19T10:22:48","modified_gmt":"2012-11-19T12:22:48","slug":"em-entrevista-a-folha-ferlinghetti-fala-de-amor-nos-tempos-de-furia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18570","title":{"rendered":"Em entrevista \u00e0 Folha, Ferlinghetti fala de &#8220;Amor nos tempos de f\u00faria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A capa do Caderno <em>Ilustrada<\/em> da <em>Folha de S. Paulo <\/em>de s\u00e1bado, 17 de novembro, \u00e9 estampada com uma grande foto de Lawrence Ferlinghetti, escritor que fundou a livraria e editora City Lights de S\u00e3o Francisco (EUA), c\u00e9lebre por lan\u00e7ar os expoentes da gera\u00e7\u00e3o beat. Em uma bela mat\u00e9ria, o jornalista Cassiano Elek Machado conta porque Ferlinghetti continua sendo, aos 93 anos, um dos grandes nomes da contracultura. Na entrevista exclusiva, Ferlinghetti fala da sua vida e obra, com especial destaque para o livro <em>Amor nos tempos de f\u00faria<\/em>, romance in\u00e9dito no Brasil que a L&amp;PM lan\u00e7a em dezembro.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/ferlinghetti_folha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18571\" title=\"ferlinghetti_folha\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/ferlinghetti_folha.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/ferlinghetti_folha.jpg 1056w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/ferlinghetti_folha-300x241.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/ferlinghetti_folha-1024x823.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>QUANTO MAIS RADICAL MELHOR<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&#8220;Precisamos lutar pelo futuro&#8221;, diz o poeta da contracultura Lawrence Ferlinghetti<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Por Cassiano Elek Machado<br \/>\nDe S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p>Lawrence Ferlinghetti era capit\u00e3o de fragata na Segunda Guerra Mundial. Recorda-se bem do vento gelado que sacudia seu barco quando, com um quepe duas vezes maior do que sua cabe\u00e7a, cruzou o Canal da Mancha em 6 de junho de 1944, o Dia D.<\/p>\n<p>Ferlinghetti chegou de trem a Nagasaki, seis semanas depois do estouro do grande cogumelo at\u00f4mico. Encontrou l\u00e1 um intermin\u00e1vel campo de palha que parecia ter sido queimado por ma\u00e7aricos gigantes.<\/p>\n<p>Ferlinghetti esteve preso na cadeia municipal de S\u00e3o Francisco em 1957, quando sua rec\u00e9m-fundada editora, City Lights Books, publicou o &#8220;subversivo&#8221; volume de poesia &#8220;Uivo&#8221;, de Allen Ginsberg, dando igni\u00e7\u00e3o para a Gera\u00e7\u00e3o Beat. Ele esteve com Fidel Castro em Havana, em 1959; em Paris em 1968; em Woodstock em 1969; com os sandinistas na Nicar\u00e1gua e com os zapatistas no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Lawrence Ferlinghetti est\u00e1 ao telefone em sua casa, em San Francisco (EUA), e n\u00e3o quer falar do passado. &#8220;Precisamos lutar pelo futuro. Ou respiramos e agimos agora ou acabaremos com tudo.&#8221;<\/p>\n<p>Aos 93 anos, o poeta norte-americano acaba de publicar um volume de poesia com este mote, o livro &#8220;Time of Useful Consciousness&#8221; (New Directions), lan\u00e7ado h\u00e1 20 dias nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Sua vasta e contundente obra, que lhe rendeu prateleiras de pr\u00eamios, tamb\u00e9m ganha espa\u00e7o no Brasil. A editora L&amp;PM, que j\u00e1 havia lan\u00e7ado a principal obra po\u00e9tica de Ferlinghetti, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/admin\/default.asp\" target=\"_blank\">Um Parque de Divers\u00f5es da Cabe\u00e7a<\/a>&#8221; (&#8220;A Coney Island of the Mind&#8221;, 1958), publica na pr\u00f3xima quinzena um dos raros livros de prosa do autor.<\/p>\n<p>O breve romance &#8220;Amor nos Tempos de F\u00faria&#8221;, de 1988, narra uma inflam\u00e1vel hist\u00f3ria de amor entre uma artista e um banqueiro, ambientado na Paris de 1968.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Folha<\/strong>, Ferlinghetti falou sobre esta obra, comentou seu novo trabalho po\u00e9tico e conclamou os leitores a lutarem por quest\u00f5es sociais: &#8220;N\u00e3o fique a\u00ed sentado, seu est\u00fapido!&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Folha &#8211; O seu livro &#8220;Amor nos Tempos de F\u00faria&#8221; \u00e9 dedicado a Fernando Pessoa. Voc\u00ea o fez para homenagear sua m\u00e3e, que era de origem portuguesa?<\/strong><br \/>\n<strong>Lawrence Ferlinghetti &#8211;<\/strong>\u00a0A fam\u00edlia de minha m\u00e3e era mesmo portuguesa, eram sefarditas de uma cidade chamada Monsanto, em Portugal. Mas n\u00e3o cheguei a ter contato com este passado. O livro n\u00e3o homenageia a minha m\u00e3e, mas sim a Pessoa. Eu me inspirei no texto dele &#8220;O Banqueiro Anarquista&#8221;. Peguei deste texto toda a ideia central para meu livro.<\/p>\n<p><strong>O sr. se identifica com as ideias do &#8220;banqueiro&#8221;, que tem o sobrenome Mendes, assim como sua fam\u00edlia?<\/strong><br \/>\n\u00c9 curioso, mas o termo anarquismo \u00e9 usado hoje na imprensa americana como sin\u00f4nimo de terrorismo. \u00c9 uma completa ignor\u00e2ncia \u00e0 respeito da tradi\u00e7\u00e3o anarquista.<br \/>\nNos anos 50 todos \u00e9ramos anarquistas. Mas nos anos 50 a popula\u00e7\u00e3o mundial era a metade da atual. Quando havia menos gente era poss\u00edvel ser um deles. Mas quando a popula\u00e7\u00e3o dobra algum n\u00edvel de planifica\u00e7\u00e3o da economia mundial se faz necess\u00e1rio.<br \/>\nHoje eu me descreveria como socialista humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O sr. j\u00e1 disse que normalmente as pessoas costumam ficar mais conservadoras quando envelhecem e que com o sr. foi o oposto. Por que o sr. acredita que esteja ficando cada vez mais radical?<\/strong><br \/>\nA press\u00e3o do tempo \u00e9 que dita isso. Tempos radicais pedem respostas radicais. O mundo est\u00e1 num p\u00e9ssimo estado. Lembro que tive uma conversa com G\u00fcnther Grass em 1975. Ele disse que acreditava que, no final do s\u00e9culo 21, as na\u00e7\u00f5es tal como as conhecemos n\u00e3o existiriam mais e o mundo estaria coberto de hordas \u00e9tnicas lutando por comida e abrigo. \u00c9 uma vis\u00e3o terr\u00edvel do futuro, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel diante do que vivemos. Precisamos lutar.<\/p>\n<p><strong>O sr. se considera um ativista?<\/strong><br \/>\nQuando algu\u00e9m escreve para valer \u00e9, em ess\u00eancia, um ativista. \u00c9 importante agir. N\u00e3o d\u00e1 para ficar sentado em casa. N\u00e3o fique sentado a\u00ed, seu est\u00fapido, o mundo est\u00e1 em chamas (risos).<\/p>\n<p><strong>&#8220;Time of Useful Consciousness&#8221;, t\u00edtulo de seu novo livro, \u00e9 um termo aeron\u00e1utico que trata do tempo que algu\u00e9m tem num avi\u00e3o entre o momento em que fica sem oxig\u00eanio e a morte. \u00c9 uma met\u00e1fora para a situa\u00e7\u00e3o do ser humano?<\/strong><br \/>\n\u00c9 exatamente isso. Chegamos a um ponto de inflex\u00e3o em termos de ecologia. Os maiores estudiosos do clima est\u00e3o discutindo atualmente se a ra\u00e7a humana vai sobreviver a este s\u00e9culo. Ou respiramos e agimos agora ou acabaremos com tudo muito em breve.<\/p>\n<p><strong>O sr. \u00e9 conhecido por sua poesia, n\u00e3o pela prosa, e em ambas usa linguagens experimentais. Por que no romance que est\u00e1 saindo aqui o sr. usou um estilo mais convencional?<\/strong><br \/>\nQuando escrevi &#8220;Her&#8221; [1960], meu romance anterior, estava interessado em trabalhar o fluxo de consci\u00eancia. Estava influenciado por obras inovadoras como &#8220;Nadja&#8221;, de Andr\u00e9 Breton. &#8220;Amor nos Tempos de F\u00faria&#8221; foi escrito num momento diferente. Eu tinha voltado a morar em Paris, eram os anos 1980 e o Centro Georges Pompidou tinha digitalizado todos os jornais de 1968. Li tudo e achei que deveria ambientar um romance neste momento.<\/p>\n<p><strong>O sr. disse que releu o livro para esta entrevista. Gostou do que leu?<\/strong><br \/>\nSim, embora eu prefira o estilo de &#8220;Her&#8221;. O deste \u00e9 mesmo mais convencional. \u00c9 quase uma reportagem desta \u00e9poca, com a gra\u00e7a de usar como protagonista o personagem de Fernando Pessoa.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um m\u00eas o sr. deu uma de &#8220;Banqueiro Anarquista&#8221; e recusou um pr\u00eamio de \u20ac 50 mil por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRecusei o pr\u00eamio do PEN Club da Hungria depois de descobrir que parte do dinheiro vinha do governo daquele pa\u00eds, que hoje \u00e9 um dos mais autorit\u00e1rios da Europa e cujo primeiro-ministro andou homenageando um nazista. Foi dif\u00edcil negar o pr\u00eamio, porque \u20ac 50 mil \u00e9 mais do que eu ganhei com poesia durante toda a minha vida, mas n\u00e3o tive escolha.<\/p>\n<p><strong>Mas &#8220;A Coney Island of the Mind&#8221; \u00e9 considerado o livro mais vendido de um poeta vivo americano. J\u00e1 vendeu um milh\u00e3o de c\u00f3pias&#8230;<\/strong><br \/>\nDeve ser, mas em nenhum ano ganhei mais do que US$ 10 mil de royalties.<\/p>\n<p><strong>O sr. ainda vai \u00e0 livraria que fundou, a City Lights?<\/strong><br \/>\nCostumo dar um pulo l\u00e1 de vez em quando, mas me aposentei do trabalho mais ativo. Voc\u00ea sabe, tenho 93 anos. Coloquei um pessoal mais jovem para tocar o neg\u00f3cio. Prefiro me dedicar \u00e0 pintura e \u00e0 poesia. No livro novo junto as duas, j\u00e1 que na capa h\u00e1 uma pintura minha.<\/p>\n<p><strong>A capa mostra um rel\u00f3gio com dois ponteiros quase sobrepostos&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 o tempo que est\u00e1 acabando. \u00c9 um livro um pouco sombrio, mas, no final do poema, depois de escrever sobre os terr\u00edveis progn\u00f3sticos para o planeta, eu escrevo &#8220;Chega, chega&#8221;. Eu tento encontrar alguma esperan\u00e7a no futuro. Nas \u00faltimas p\u00e1ginas h\u00e1 esta grande virada. N\u00e3o queria terminar com um tom de desespero. Por isso \u00e9 que, no final do livro, eu cito Walt Whitman, o eterno otimista.<\/p>\n<p><strong>O sr. costuma ser chamado de &#8220;o \u00faltimo beat&#8221;, mas j\u00e1 li declara\u00e7\u00f5es suas dizendo que n\u00e3o gosta do ep\u00edteto.<\/strong><br \/>\nEu me associei aos beats mais por ter sido editor deles. Mas minha po\u00e9tica \u00e9 diferente. Minha poesia foi influenciada por franceses como Apollinaire, Jacques Pr\u00e9vert e outros voltados para a cultura europeia. Os beats n\u00e3o iam por esta linha. Havia outra diferen\u00e7a. Sou heterossexual. Metade dos beats era gay.<\/p>\n<p><strong>Quais as principais diferen\u00e7as em termos po\u00e9ticos?<\/strong><br \/>\nA poesia de Allen Ginsberg era baseada na ideia do &#8220;primeiro pensamento, melhor pensamento&#8221;, um conceito que ele pegou do budismo. Jack Kerouac acreditava nisso. Voc\u00ea escreve a primeira coisa que aparece na sua cabe\u00e7a, sem censura. \u00c9 um modo profundo e verdadeiro de conceber poesia. O que voc\u00ea escreve primeiro \u00e9 muito frequentemente melhor do que o que consegue depois de burilar o texto. Mas isso \u00e9 mais verdadeiro se voc\u00ea \u00e9 Ginsberg, um g\u00eanio com a mente original. Mas se voc\u00ea ensina isso para centenas de estudantes de poesia, como Kerouac fez numa escola em Colorado, n\u00e3o vai funcionar. As pessoas t\u00eam mentes comuns e produzir\u00e3o alqueires de poesia chata. Ele pregava que as pessoas deveriam escrever sobre a primeira coisa que vissem logo que acordassem. Isso pode ser lindo no olhar de Ginsberg, mas n\u00e3o funciona para todos. Imagine: &#8220;Acordei. Vi minha escova de dentes. Ela caiu no ch\u00e3o. Abaixei para peg\u00e1-la&#8221;, fim do poema (risos).<\/p>\n<p><em>\u00a0Na mesma mat\u00e9ria,\u00a0Cassiano Elek Machado\u00a0conta sobre os novos livros da S\u00e9rie Beats que ser\u00e3o lan\u00e7ados pela L&amp;PM.\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/1186677-troca-de-cartas-de-ferlinghetti-com-kerouac-e-editada-no-brasil.shtml\" target=\"_blank\"><em>Clique aqui para ler<\/em><\/a><em>.<\/em>\u00a0<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capa do Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de s\u00e1bado, 17 de novembro, \u00e9 estampada com uma grande foto de Lawrence Ferlinghetti, escritor que fundou a livraria e editora City Lights de S\u00e3o Francisco (EUA), c\u00e9lebre por lan\u00e7ar os expoentes da gera\u00e7\u00e3o beat. Em uma bela mat\u00e9ria, o jornalista Cassiano Elek Machado conta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[4120,4122,4118,4119,1554,4121],"class_list":["post-18570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-amor-nos-tempos-de-furia","tag-cassiano-elek-machado","tag-folha-de-sao-paulo","tag-ilustrada","tag-lawrence-ferlinghetti","tag-um-parque-de-diversoes-da-cabeca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18570"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18578,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18570\/revisions\/18578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}