﻿{"id":18502,"date":"2012-11-12T11:22:14","date_gmt":"2012-11-12T13:22:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18502"},"modified":"2012-11-12T11:22:14","modified_gmt":"2012-11-12T13:22:14","slug":"quando-o-anjo-modernista-voou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18502","title":{"rendered":"Quando o anjo modernista voou"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>(&#8230;) em novembro de 1914, Orris Soares e Heitor Lima encontraram-se com Olavo Bilac e o informaram do prematuro falecimento de Augusto. &#8220;E quem \u00e9 esse Augusto?&#8221;, perguntou Bilac. Um grande poeta, responderam-lhe, e Heitor Lima recitou o soneto <em>Versos a um coveiro<\/em>. Bilac sorriu superiormente e comentou: &#8220;Fez bem em morrer, n\u00e3o se perde grande coisa&#8221;. Bilac n\u00e3o viveu o bastante para perceber que se enganara. Os anos da guerra\u00a0modificavam o gosto dos leitores e a literatura excedia o fr\u00edvolo tropo de &#8220;sorriso da sociedade&#8221;. Da terceira edi\u00e7\u00e3o de <em>Eu<\/em>, em 1928, venderam-se 5.500 exemplares em dois meses, os primeiros 3.000 em apenas quinze dias. Era o come\u00e7o da longa e acidentada via de reconhecimento p\u00fablico, que faria de Augusto o que ele \u00e9 hoje, um dos mais admirados poetas brasileiros e, por certo, o mais original.\u00a0(Trecho da introdu\u00e7\u00e3o de <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=060525\" target=\"_blank\">Eu e outras poesias<\/a><\/em>, de Augusto dos Anjos<em>\u00a0<\/em>&#8211; Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket).<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/augusto_dosanjos_blog.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-18517\" title=\"augusto_dosanjos_blog\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/augusto_dosanjos_blog.jpg\" alt=\"\" width=\"157\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/augusto_dosanjos_blog.jpg 419w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/augusto_dosanjos_blog-232x300.jpg 232w\" sizes=\"auto, (max-width: 157px) 100vw, 157px\" \/><\/a>O paraibano Augusto dos Anjos morreu precocemente de pneumonia aos 30 anos em 12 de novembro de 1914.\u00a0Poeta que costumava\u00a0compor &#8220;de cabe\u00e7a&#8221;, enquanto gesticulava e pronunciava os versos de forma exc\u00eantrica para s\u00f3 depois transcrever suas palavras para o papel,\u00a0Augusto\u00a0publicou apenas um livro em vida: <em>Eu<\/em>. Ap\u00f3s sua morte, o\u00a0amigo Orris Soares organizou uma edi\u00e7\u00e3o chamada <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=060525\" target=\"_blank\"><em>Eu<\/em> <em>e Outras Poesias<\/em><\/a> que incluiu poemas at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9ditos para o p\u00fablico,\u00a0entre eles\u00a0<em>Versos a um coveiro<\/em>. Este bel\u00edssimo soneto que, naquela \u00e9poca, era\u00a0moderno demais para parnasianos como Olavo Bilac.\u00a0<\/p>\n<blockquote><p><em>VERSOS A UM COVEIRO<\/em><\/p>\n<p><em>Numerar sepulturas e carneiros,<br \/>\nReduzir carnes podres a algarismos,<br \/>\n&#8211; Tal \u00e9, sem complicados silogismos,<br \/>\nA aritm\u00e9tica hedionda dos coveiros!<\/em><\/p>\n<p><em>Um, dois, tr\u00eas, quatro, cinco&#8230; Esoterismos<br \/>\nDa Morte! E eu vejo, em f\u00falgidos letreiros,<br \/>\nNa progress\u00e3o dos n\u00fameros inteiros<br \/>\nA g\u00eanese de todos os abismos!<\/em><\/p>\n<p><em>Oh! Pit\u00e1goras da \u00faltima aritm\u00e9tica,<br \/>\nContinua a contar na paz asc\u00e9tica<br \/>\nDos t\u00e1bidos carneiros sepulcrais<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00edbias, c\u00e9rebros, cr\u00e2nios, r\u00e1dios e \u00fameros,<br \/>\nPorque, infinita como os pr\u00f3prios n\u00fameros,<br \/>\nA tua conta n\u00e3o acaba mais!<\/em><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;) em novembro de 1914, Orris Soares e Heitor Lima encontraram-se com Olavo Bilac e o informaram do prematuro falecimento de Augusto. &#8220;E quem \u00e9 esse Augusto?&#8221;, perguntou Bilac. Um grande poeta, responderam-lhe, e Heitor Lima recitou o soneto Versos a um coveiro. 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