﻿{"id":18486,"date":"2012-11-10T13:06:14","date_gmt":"2012-11-10T15:06:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18486"},"modified":"2012-11-10T13:10:26","modified_gmt":"2012-11-10T15:10:26","slug":"martha-medeiros-e-assis-brasil-na-feira-do-livro-de-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18486","title":{"rendered":"Martha Medeiros e Assis Brasil autografam na Feira do Livro de Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, 10 de novembro, Martha Medeiros e Luiz Antonio de Assis Brasil t\u00eam encontros marcados com os leitores na Feira do Livro de Porto Alegre. Martha autografa seu livro, <strong><em>Um lugar na janela<\/em>, <\/strong><strong>\u00e0s 16h<\/strong>. E Luiz Ant\u00f4nio de Assis Brasil falar\u00e1 sobre <em><strong>Figura na sombra<\/strong><\/em> na Sala Oeste do Santander Cultural <strong>\u00e0s 18h e, \u00e0s 19h<\/strong>, vai autografar seu novo livro. Leia aqui os textos publicados hoje no Caderno Especial Feira do Livro do <em>Jornal Zero Hora<\/em>.<\/p>\n<blockquote>\n<h3><strong>O jeito Martha de viajar<\/strong><\/h3>\n<p><em><strong>Escritora lan\u00e7a \u201cUm Lugar na Janela: Relatos de Viagem\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Por Rosane Tremea &#8211; Jornalista<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 bem l\u00e1 no final de <em>Um Lugar na Janela <\/em>que Martha Medeiros deixa clara a impress\u00e3o das primeiras p\u00e1ginas do livro. Seus relatos de viagem podem ser traduzidos como anota\u00e7\u00f5es despretensiosas, daquelas que os mais ou menos viajantes fazem ao final de cada dia, recostados \u00e0 cama da pousada, na sacada do hotel ou na mesa de um caf\u00e9. Tudo para n\u00e3o deixar escapar um detalhe, para n\u00e3o esquecer uma sensa\u00e7\u00e3o, um sabor, um aroma, para n\u00e3o ser tra\u00eddo pela mem\u00f3ria. Ainda que n\u00e3o se tenha, como ela diz, pretens\u00f5es jornal\u00edsticas ou liter\u00e1rias.<\/p>\n<p>Para perceber isso, n\u00e3o seria preciso chegar exatamente ao final do livro, que ser\u00e1 lan\u00e7ado hoje, \u00e0s 16h, na Pra\u00e7a de Aut\u00f3grafos. Desde o in\u00edcio, Martha esclarece n\u00e3o se tratar de um guia de viagens, nem de tratados filos\u00f3ficos ou antropol\u00f3gicos de autores como Paul Theroux ou Alain de Botton, ou da literatura que emerge das incurs\u00f5es de Pablo Neruda e Erico Verissimo.<\/p>\n<p>Muito antes de se tornar uma escritora, Martha viajava. Diz ela, ali\u00e1s, que a aventura come\u00e7ou \u00e0s 14h do dia 20 de agosto de 1961, em Porto Alegre. Ou seja, os motivos que a levam a se mover por cidades, pa\u00edses e continentes s\u00e3o os que a fazem viver desde a hora do nascimento: o desejo da descoberta, para resumir.<\/p>\n<p>\u00c9 assim desde a primeira ida \u00e0 Europa, aos 20 e poucos anos (naquele tempo, e n\u00e3o faz tanto tempo, a primeira vez n\u00e3o era t\u00e3o precoce!), pulando de pa\u00eds em pa\u00eds, hospedando-se na casa de amigos de amigos, at\u00e9 o mais recente pouso em Nova York, a \u00faltima escala descrita, na companhia das duas filhas.<\/p>\n<p>H\u00e1 de tudo no di\u00e1rio de bordo de Martha. De situa\u00e7\u00f5es prosaicas \u2013 como embriagar-se de um p\u00f4r do sol, esperar em v\u00e3o pela bagagem ao lado de uma esteira \u2013, a outras nem tanto, como sentar perto de Harrison Ford num aeroporto sem conseguir dirigir-lhe a palavra. Ou, ainda, aquelas que a pr\u00f3pria abominava, como cantar em coro num \u00f4nibus de excurs\u00e3o a caminho de Marrakesh.<\/p>\n<p>H\u00e1 passagens em que se imiscui a cronista, e ela d\u00e1 um toque de autoajuda materna ao revelar momentos da conviv\u00eancia com uma das filhas, ent\u00e3o com 19 anos, no long\u00ednquo Jap\u00e3o:\u201cS\u00f3 mesmo se afastando da rotina para estabelecer uma intimidade menos invasiva e mais calorosa. Viagens propiciam isso, uma quebra de hierarquia e uma democr\u00e1tica uni\u00e3o diante do desconhecimento m\u00fatuo\u201d.<\/p>\n<p>Em <em>Um Lugar na Janela<\/em>, Martha confessa render-se a alguns de seus preconceitos, a manter muitos de seus princ\u00edpios, a n\u00e3o se render ao consumismo e nem ao invasivo e \u00e0s vezes inadequado h\u00e1bito de fotografar tudo o tempo todo, de n\u00e3o abrir m\u00e3o de uma boa companhia \u2013 ainda mais se for o amor de sua vida \u2013, mas de n\u00e3o deixar de embarcar quando houver s\u00f3 a sua pr\u00f3pria parceria.<\/p>\n<p>Martha revela seu jeito de viajar. Que n\u00e3o \u00e9 melhor nem pior que o de ningu\u00e9m. \u00c9 apenas o seu jeito, leve, de ver o mundo.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<h3><strong>Ilustres visitantes<\/strong><\/h3>\n<p><em>Por Luiz Paulo Faccioli &#8211; Escritor<\/em><\/p>\n<p>Porto Alegre, 1998. Luiz Antonio de Assis Brasil trabalha com avidez em seu novo romance, muitas p\u00e1ginas j\u00e1 escritas \u2013 talvez 80 \u2013, quando estaca. A obra vai tomando a forma dos romances que o fizeram um dos mais importantes autores de sua gera\u00e7\u00e3o. O texto \u00e0 sua frente tem a prosa luxuosa, o andamento lento e as sutilezas estil\u00edsticas que sempre foram sua marca registrada. Mas o escritor sente que precisa mudar. Fiel ao que sempre ensinou a seus alunos, ele n\u00e3o tem d\u00favidas: deleta impiedosamente tudo o que havia escrito e recome\u00e7a do zero.<\/p>\n<p>Em 2001, surge <em>O Pintor de Retratos<\/em>, obra demarcadora da nova fase. O p\u00fablico n\u00e3o estranhou: detr\u00e1s daquela prosa agora econ\u00f4mica, atenta ao essencial \u2013 e, por isso mesmo, muito mais forte \u2013, est\u00e1 o mesm\u00edssimo autor, s\u00f3 que renovado.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, foram quatro romances formando uma esp\u00e9cie de tetralogia: todos eles s\u00e3o protagonizados por visitantes que chegam ao pampa e o decifram com olhos forasteiros. Esses personagens s\u00e3o o italiano Sandro Lanari, de <em>O Pintor de Retratos<\/em>, o cronista emiss\u00e1rio do imperador, de <em>A Margem Im\u00f3vel do Rio<\/em>, o Maestro Mendanha, de <em>M\u00fasica Perdida<\/em>. No mais recente, <em>Figura na Sombra<\/em>, figuram dois ainda mais ilustres: o m\u00e9dico e bot\u00e2nico franc\u00eas Aim\u00e9 Bonpland, que empreendeu diversas expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas mundo afora acompanhando o naturalista e ge\u00f3grafo alem\u00e3o Alexander von Humboldt. A expedi\u00e7\u00e3o \u00e0s Am\u00e9ricas, que durou cinco anos, definiu uma mudan\u00e7a de rumo: Humboldt retorna \u00e0 Europa com o objetivo de escrever uma grande obra abrangendo todas as descobertas que fez, enquanto Bonpland decide deixar para tr\u00e1s o prest\u00edgio que tem na corte de Napole\u00e3o Bonaparte, e um amor incompleto pela imperatriz Josefina, para se estabelecer no pampa, interessado sobremaneira em nossa erva-mate.<\/p>\n<p>Aqui, Aim\u00e9 vira Don Amado, que aparece no bel\u00edssimo pr\u00f3logo recebendo um emiss\u00e1rio de Humboldt em sua est\u00e2ncia Santa Ana, em Corrientes, Argentina, no ano de 1858.<\/p>\n<p>Em suas pouco mais de 260 p\u00e1ginas, <em>Figura na Sombra<\/em> descreve as perip\u00e9cias dos dois aventureiros em suas fabulosas expedi\u00e7\u00f5es, em que fic\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria outra vez se mesclam. Por\u00e9m, o que mais importa \u00e9 a grande aventura humana: Bonpland e Humboldt t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o rica quanto conflituosa, e Assis Brasil nos faz viv\u00ea-la em toda sua magnitude e complexidade em outro de seus magistrais romances.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 10 de novembro, Martha Medeiros e Luiz Antonio de Assis Brasil t\u00eam encontros marcados com os leitores na Feira do Livro de Porto Alegre. Martha autografa seu livro, Um lugar na janela, \u00e0s 16h. 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