﻿{"id":18330,"date":"2012-11-01T10:15:25","date_gmt":"2012-11-01T12:15:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18330"},"modified":"2012-11-01T14:32:46","modified_gmt":"2012-11-01T16:32:46","slug":"adeus-jornal-da-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18330","title":{"rendered":"Adeus Jornal da Tarde"},"content":{"rendered":"<p>Ontem, 31 de outubro de 2012,\u00a0circulou o \u00faltimo n\u00famero do <em>Jornal da Tarde<\/em>, 46 anos e 15.409 edi\u00e7\u00f5es depois da sua funda\u00e7\u00e3o. O <em>JT<\/em> era editado pelo <em>Estad\u00e3o<\/em> e tem nas suas origens um projeto inovador capitaneado por Mino Carta, o italiano que tornou-se um dos mais importantes e influentes jornalistas brasileiros. N\u00f3s, hoje velhos jornalistas, que fomos muito jovens no in\u00edcio dos anos 70, t\u00ednhamos como um dos principais paradigmas de modernidade e resist\u00eancia \u00e0 ditadura <em>O Estado e S. Paulo<\/em> e o<em> JT<\/em>. Com seus t\u00edtulos ousados, sua diagrama\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel, fotos muito abertas, explorando os brancos das p\u00e1ginas, certas edi\u00e7\u00f5es do JT eram verdadeiras obras de arte como design gr\u00e1fico. A ideia era essa. Enquanto o <em>Estad\u00e3o<\/em> desafiava a ditadura colocando trecho dos \u201cLus\u00edadas\u201d de Cam\u00f5es no espa\u00e7o de mat\u00e9rias que eram amputadas pela odiosa censura pr\u00e9via que foi imposta ao jornais, o <em>Jornal da Tarde<\/em> inovava, era admirado e reverenciado \u2013 e \u00e0s vezes incompreendido \u2013 confundindo censores e, muitas vezes, os leitores. Um de seus principais rep\u00f3rteres, Marcos Faermann, o Marc\u00e3o, foi\u00a0nosso amigo pr\u00f3ximo e migrou de Porto Alegre para S\u00e3o Paulo para fazer parte da seleta e invejada equipe do <em>JT<\/em>. Muitas vezes ele narrou para n\u00f3s as perip\u00e9cias do jornal, as inven\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas e as manchetes incr\u00edveis, como a publicada no dia da morte de Tom Jobim: \u201cBrasil perde o Tom\u201d. E sobretudo, o Marc\u00e3o falava do sacerd\u00f3cio que era ser coerente o tempo todo numa experi\u00eancia inovadora, tendo que driblar diariamente os trogloditas da censura. H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o inteira tomada de uma remota melancolia. De certo o <em>JT<\/em> n\u00e3o vendia mais, n\u00e3o significava economicamente mais do que um sacrif\u00edcio financeiro para a editora que o mantinha, no caso\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>. Acredito at\u00e9 que a lenda tenha dado uma sobrevida para o jornal. Mas os tempos s\u00e3o outros, os meios s\u00e3o outros, as mensagens s\u00e3o outras. O <em>Jornal da Tarde<\/em> n\u00e3o resistiu\u00a0\u00e0 era digital. Mas saiu das bancas para entrar na hist\u00f3ria. Foi a mais radical experi\u00eancia de um jornal di\u00e1rio na imprensa brasileira e gra\u00e7as a ele tivemos grandes momentos de excel\u00eancia, de alegria e a consci\u00eancia de que, em algum lugar, era poss\u00edvel ter a liberdade de inventar. (<em>Ivan Pinheiro Machado<\/em>)<\/p>\n<div id=\"attachment_18331\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/JT_ultima.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18331\" class=\"size-full wp-image-18331    \" title=\"JT_ultima\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/JT_ultima.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/JT_ultima.jpg 813w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/JT_ultima-300x242.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-18331\" class=\"wp-caption-text\">A capa da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do lend\u00e1rio &quot;Jornal da Tarde&quot;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, 31 de outubro de 2012,\u00a0circulou o \u00faltimo n\u00famero do Jornal da Tarde, 46 anos e 15.409 edi\u00e7\u00f5es depois da sua funda\u00e7\u00e3o. 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