﻿{"id":18283,"date":"2012-10-30T14:37:10","date_gmt":"2012-10-30T16:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18283"},"modified":"2012-10-30T16:15:59","modified_gmt":"2012-10-30T18:15:59","slug":"%e2%80%9ca-arte-nao-e-agua-destilada%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18283","title":{"rendered":"\u201cA arte n\u00e3o \u00e9 \u00e1gua destilada\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"relembrando_umlivrok\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/relembrando_umlivrok.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"115\" \/><\/em><\/p>\n<p><em>Por Janine Mogendorff*<\/em><\/p>\n<p>Um dos primeiros livros no qual trabalhei quando comecei aqui na L&amp;PM foi <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=912229&amp;ID=928174\" target=\"_blank\">Os c\u00e3es ladram: pessoas p\u00fablicas e lugares privados<\/a><\/em>, de Truman Capote. J\u00e1 tinha lido \u2013 e ficado muito impressionada \u2013 com <em>A sangue frio<\/em>, edi\u00e7\u00e3o que comprei num supermercado em Montevid\u00e9u, em alguma das muitas f\u00e9rias de ver\u00e3o que passei por l\u00e1. Confesso que j\u00e1 tinha ouvido falar muito de Truman Capote, especialmente desse cl\u00e1ssico da n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o e de <em>Bonequinha de luxo<\/em>, mas nunca tinha lido seus outros textos.<\/p>\n<p><em>Os c\u00e3es ladram<\/em> traz justamente uma sele\u00e7\u00e3o de textos curtos escritos entre as d\u00e9cadas de 40 e 70. A riqueza da obra reside no fato de possibilitar m\u00faltiplas leituras: h\u00e1 um tanto de material biogr\u00e1fico, alguns exerc\u00edcios de estilo, tudo regado com muito humor, sarcasmo e tendo como alicerce a for\u00e7a do relato jornal\u00edstico. E foi a\u00ed que o livro me conquistou. Para Capote, o jornalismo, assim como a c\u00e2mera, n\u00e3o pode ser totalmente puro, \u201cpois afinal a arte n\u00e3o \u00e9 \u00e1gua destilada: impress\u00f5es pessoais, preconceitos e a seletividade subjetiva comprometem a pureza da verdade cristalina\u201d.<\/p>\n<p>O jornalismo, na sua leitura, existia para ser subvertido. No pref\u00e1cio, ao falar sobre a constru\u00e7\u00e3o do perfil de Marlon Brando, um dos grandes textos do livro, nos conta: \u201cMinha alega\u00e7\u00e3o era que a reportagem poderia ser uma forma de arte t\u00e3o elaborada e excitante quanto qualquer outra modalidade da prosa \u2013 ensaio, conto, novela \u2013 uma teoria que poucos defendiam em 1956, ano em que o texto foi impresso, em oposi\u00e7\u00e3o a hoje, quando sua aceita\u00e7\u00e3o tornou-se at\u00e9 algo exagerada.\u201d \u00c9 ainda no pref\u00e1cio que ficamos sabendo de onde veio a inspira\u00e7\u00e3o para o t\u00edtulo inusitado do livro, entre outras revela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas vamos a <em>Os c\u00e3es<\/em>. A obra pode ser dividida em tr\u00eas partes. Na primeira, Capote faz uma viagem memorial\u00edstica \u00e0 inf\u00e2ncia, passando pelo primeiro est\u00e1gio na <em>New Yorker<\/em>, relembrando o primeiro livro (<em>Summer Crossing<\/em>) e resgatando algumas viagens e lugares pitorescos, estes \u00faltimos reunidos sob o t\u00edtulo de \u201cCor local\u201d. Na segunda parte, aparece \u201cAs musas s\u00e3o ouvidas\u201d, um dos textos que ele mais apreciou escrever. O volume termina com \u201cObserva\u00e7\u00f5es\u201d, que re\u00fane c\u00e9lebres perfis de, entre outros, Louis Armstrong, Humphrey Bogart e Marilyn Monroe, al\u00e9m de um corrosivo autorretrato: \u201cVoc\u00ea \u00e9 cruel?\u201d, pergunta Truman Capote para ele mesmo. \u201cOcasionalmente. Nas conversas. Vamos dizer o seguinte: eu preferiria ser meu amigo do que meu inimigo.\u201d<\/p>\n<p>Para conhecer um pouco mais sobre o autor, recomendo os dois filmes que foram feitos sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de <em>A sangue frio<\/em>, ambos com interpreta\u00e7\u00f5es soberbas: <em>Capote<\/em>, de 2005, protagonizado por Philip Seymour Hoffman (que, inclusive, ganhou o Oscar por sua interpreta\u00e7\u00e3o), e <em>Confidencial<\/em> (<em>Infamous<\/em>), de 2006, protagonizado por Toby Jones. Um dos poucos casos no qual \u00e9 dif\u00edcil escolher o melhor. Ambos trazem, com um olhar singular, esse Capote que est\u00e1 expl\u00edcito nas entrelinhas de <em>Os c\u00e3es ladram<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/capote.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18289\" title=\"capote\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/capote-764x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"321\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/capote-764x1024.jpg 764w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/capote-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/capote.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>* Toda semana,\u00a0a S\u00e9rie \u201cRelembrando um grande livro\u201d\u00a0traz um texto assinado em que\u00a0grandes livros s\u00e3o (re)lembrados. Livros\u00a0imperd\u00edveis e inesquec\u00edveis. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Janine Mogendorff* Um dos primeiros livros no qual trabalhei quando comecei aqui na L&amp;PM foi Os c\u00e3es ladram: pessoas p\u00fablicas e lugares privados, de Truman Capote. 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