﻿{"id":18062,"date":"2012-10-16T16:04:35","date_gmt":"2012-10-16T19:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18062"},"modified":"2012-10-16T16:53:33","modified_gmt":"2012-10-16T19:53:33","slug":"um-retrato-da-nossa-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=18062","title":{"rendered":"Um retrato da nossa alma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"relembrando_umlivrok\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/relembrando_umlivrok.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"115\" \/><\/p>\n<p><em>Por Paula Taitelbaum*<\/em><\/p>\n<p>Quantos anos eu tinha? Dezessete? Dezoito? J\u00e1 n\u00e3o tenho mais certeza&#8230; S\u00f3 lembro que entrei em um sebo de Porto Alegre e comprei duas edi\u00e7\u00f5es muito antigas, pu\u00eddas, em que as palavras ainda eram escritas com \u201cph\u201d, ambas assinadas por Oscar Wilde: <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=191818\" target=\"_blank\">O retrato de Dorian Gray<\/a> <\/em>e <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=673729&amp;ID=807126\" target=\"_blank\">O fantasma de Canterwille<\/a><\/em>. Era uma \u00e9poca em que tudo o que era usado e velho me fascinava. As roupas, os m\u00f3veis, os livros. Passados mais de vinte anos, sigo sendo um pouco assim, atra\u00edda\u00a0pelo que tem jeito de passado. Infelizmente, a rinite j\u00e1 n\u00e3o me faz suportar o cheiro de mofo que vem dos sebos. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nada que um bom antial\u00e9rgico n\u00e3o cure&#8230;<\/p>\n<p>Mas voltemos ao que interessa. Cheguei em casa com meu fr\u00e1gil livro de p\u00e1ginas titubeantes e mergulhei afoita na vida do belo Dorian, do pintor Basil, do c\u00ednico Lorde Henry e de todos e de tudo que a exuberante imagina\u00e7\u00e3o de Oscar Wilde foi capaz de criar. E mesmo que eu n\u00e3o tenha percebido na \u00e9poca a releitura de Wilde para o mito de Fausto \u2013 que vende a alma ao diabo em troca dos prazeres do mundo \u2013 eu me vi totalmente envolvida com a hist\u00f3ria do belo Dorian\u00a0em meio \u00e0s intrigas da sociedade inglesa do s\u00e9culo XIX.\u00a0<\/p>\n<p><em>O<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=191818\" target=\"_blank\"> retrato de Dorian Gray<\/a> <\/em>mostra como a paix\u00e3o \u00e9 capaz de capturar a alma e como a vaidade \u00e9 respons\u00e1vel por criar uma\u00a0 pris\u00e3o. H\u00e1 algo de fant\u00e1stico e sobrenatural nessa hist\u00f3ria. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 muito de real em sua met\u00e1fora. E di\u00e1logos primorosos que chegam a arrepiar de t\u00e3o espetaculares. <em>\u201cQuando o homem trata a vida com arte, o c\u00e9rebro \u00e9 o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o\u201d <\/em>diz l\u00e1 pelas tantas Lorde Henry. <em>\u201cEu n\u00e3o quero saber de nada. Gosto de esc\u00e2ndalos dos outros, mas esc\u00e2ndalos meus n\u00e3o me interessam, pois n\u00e3o possuem o encanto da novidade.\u201d <\/em>fala Dorian Gray quando Basil pergunta se \u00e9 verdade o que andam dizendo sobre ele.<\/p>\n<p>O final do livro, lindo, repleto de tens\u00e3o, \u00e9 um dos mais incr\u00edveis que j\u00e1 li. E talvez a moral que reste seja a de que, como diria o pr\u00f3prio Dorian Gray, \u201c<em>dentro de n\u00f3s, todos temos o c\u00e9u e o inferno<\/em>.\u201d. J\u00e1 a pergunta que\u00a0paira no ar\u00a0\u00e9: \u201cSe nossa alma tivesse rosto, como ele seria?\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_18063\" style=\"width: 268px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/byron.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18063\" class=\"size-full wp-image-18063\" title=\"byron\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/byron.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/byron.jpg 258w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/byron-202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-18063\" class=\"wp-caption-text\">Sempre imaginei que a beleza de Dorian Gray deveria ser como a de Lord Byron. Mas cada um que imagine seu pr\u00f3prio Dorian<\/p><\/div>\n<p><em>* Toda semana,\u00a0a S\u00e9rie \u201cRelembrando um grande livro\u201d\u00a0traz um texto assinado em que\u00a0grandes livros s\u00e3o (re)lembrados. Livros\u00a0imperd\u00edveis e inesquec\u00edveis. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paula Taitelbaum* Quantos anos eu tinha? Dezessete? Dezoito? J\u00e1 n\u00e3o tenho mais certeza&#8230; S\u00f3 lembro que entrei em um sebo de Porto Alegre e comprei duas edi\u00e7\u00f5es muito antigas, pu\u00eddas, em que as palavras ainda eram escritas com \u201cph\u201d, ambas assinadas por Oscar Wilde: O retrato de Dorian Gray e O fantasma de Canterwille. 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