﻿{"id":180,"date":"2010-02-25T13:39:00","date_gmt":"2010-02-25T15:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/lepmeditores.wordpress.com\/?p=180"},"modified":"2014-05-20T16:26:59","modified_gmt":"2014-05-20T19:26:59","slug":"arthur-rimbaud-a-tragedia-o-charme-e-o-mito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=180","title":{"rendered":"Arthur Rimbaud: a trag\u00e9dia, o charme e o mito"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado<\/em><\/p>\n<p>A padiola \u00e9 suspensa e i\u00e7ada at\u00e9 o navio. L\u00e1 embaixo, dezesseis homens olham calados depois de realizarem seu trabalho. Abdo Rimbo, como chamavam <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/v3\/livros\/layout_autor.asp?ID=946383\" target=\"_blank\"><strong>Arthur Rimbaud<\/strong><\/a>, est\u00e1 indo embora para morrer. A dor lancinante impede o riso, um aceno mais efusivo. Calados, aqueles homens do deserto quase perdoam seu algoz; aquele europeu duro, irrasc\u00edvel, que s\u00f3 se referia a eles como \u201cnegros sujos, imbecis, bestas de carga\u201d. Depois de 11 anos na \u00c1frica Oriental, a maldita doen\u00e7a interromperia sua fuga.<\/p>\n<p>O navio o levaria de Aden a\u00a0Marselha e o grande poeta da Fran\u00e7a morreria poucos meses mais tarde, depois de um sofrimento atroz, aos 37 anos, em 10 de outubro de 1891.<\/p>\n<p><strong>Ningu\u00e9m notou quando morreu.<\/strong> Mesmo o grande Verlaine j\u00e1 tinha esquecido o seu grande amor adolescente, o poeta irreverente, tresloucado, de grandes olhos azuis que escandalizara o Quartier Latin. Tamb\u00e9m pudera, ele havia sumido em 1880 na chamada \u201cterra das sombras\u201d, a tenebrosa Abiss\u00ednia na \u00c1frica Oriental e ningu\u00e9m, salvo sua fam\u00edlia, havia tido not\u00edcias dele.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/lepmeditores.files.wordpress.com\/2010\/02\/rimbaudquadro2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-185\" title=\"rimbaudquadro\" alt=\"\" src=\"https:\/\/lepmeditores.files.wordpress.com\/2010\/02\/rimbaudquadro2.jpg\" width=\"450\" height=\"326\" \/><\/a><\/p>\n<p>O tempo foi passando e sua poesia, enfim descoberta, espalhou-se pelo ar da Fran\u00e7a, como p\u00f3len na primavera. Seus versos ardentes, suas alucina\u00e7\u00f5es, seus poemas geniais, suas ilumina\u00e7\u00f5es e sua temporada no inferno espantaram o mundo.<strong> Todos estavam perplexos<\/strong>; como aquela obra genial fora produzida por um adolescente que aos dezoito anos abandonara a poesia, a fam\u00edlia, os amigos, a Fran\u00e7a?<\/p>\n<p>Depois de rolar pela Europa e o Oriente pr\u00f3ximo, aos 24 anos Arthur chegou ao norte da \u00c1frica. <strong>Nunca mais escrevera um verso. <\/strong>Queria enriquecer, queria desaparecer. N\u00e3o seria mais Jean-Nicholas Arthur Rimbaud. Seria Abdo Rimbo, o mercador da Abss\u00ednia. O traficante de armas e \u2013 dizem, sem nunca ter sido provado\u2013 de escravos. O obsessivo franc\u00eas que carregava consigo, sob o sol de 50 graus, um cintur\u00e3o com o ouro acumulado atado \u00e0 cintura. Vagarosamente a lenda cresceu. O poeta solit\u00e1rio, calado, internado no fundo da \u00c1frica. Traficando armas, escravos, camelos. Ingredientes poderos\u00edssimos para excitar os sofisticados c\u00edrculos liter\u00e1rios parisienses e da\u00ed ganhar o mundo. O mito cresceu, hist\u00f3rias aqueceram a lenda do menino poeta que abandonou a poesia aos 18 anos e fugiu para a \u00c1frica. <strong>Milhares de livros foram escritos; biografias, ensaios, teses, todos tentavam decifrar o enigma. <\/strong>Seus passos pelos confins da \u00c1frica foram seguidos meticulosamente por centenas de bi\u00f3grafos que escreveram milhares de p\u00e1ginas. Mas nada foi descoberto. Ficou o mito. Que cresceu com tempo e continua a crescer, ficando, quem sabe, maior que a obra poderosa, fundamental, que influenciou decisivamente a poesia dos s\u00e9culos que vieram depois.<\/p>\n<p><strong>Rimbaud no Brasil<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/lepmeditores.files.wordpress.com\/2010\/02\/uma_temporada_no_inferno11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-189\" style=\"margin-left: 4px; margin-right: 4px; border: 2px solid black;\" title=\"uma_temporada_no_inferno(1)\" alt=\"\" src=\"https:\/\/lepmeditores.files.wordpress.com\/2010\/02\/uma_temporada_no_inferno11.jpg\" width=\"114\" height=\"200\" \/><\/a> A cole\u00e7\u00e3o <strong>L&amp;PM POCKET<\/strong> publicou <em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/v3\/livros\/layout_produto.asp?ID=926455\" target=\"_blank\">Uma\u00a0temporada no inferno<\/a><\/em>, com tradu\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de Paulo Hecker Filho. Entre a reduzida bibliografia rimbaldiana publicada no Brasil destacam-se <em>Poesia Completa<\/em> (Top Books), com tradu\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de Ivo Barroso, a <em>Correspond\u00eancia Completa <\/em>(Top Books), tamb\u00e9m um magn\u00edfico trabalho de tradu\u00e7\u00e3o, introdu\u00e7\u00e3o e notas do poeta e tradutor Ivo Barroso, <em>Rimbaud Livre<\/em>, um ensaio de Augusto de Campos, e o excelente livro <em>Rimbaud na \u00c1frica<\/em> (Nova Fronteira), do ingl\u00eas Charles Nicholl. Destaque tamb\u00e9m para o livro <em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/v3\/livros\/layout_produto.asp?ID=832645\" target=\"_blank\">A hora dos assassinos<\/a><\/em>, um ensaio sobre a vida de Rimbaud por <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/v3\/livros\/layout_autor.asp?ID=480725\" target=\"_blank\">Henry Miller<\/a> (L&amp;PM POCKET). No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 a L&amp;PM publicou <em>Rimbaud na Abss\u00ednia<\/em> e <em>Rimbaud da Ar\u00e1bia<\/em> do especialista franc\u00eas Alain Borer e uma antologia de cartas, \u201cCorrespond\u00eancia de Arthur Rimbaud\u201d (sele\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de Ivan Pinheiro Machado) com introdu\u00e7\u00e3o de Ivo Barroso. Estes livros est\u00e3o totalmente esgotados podendo ser encontrados somente em sebos ou no site Estande Virtual.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=647126\" target=\"_blank\">Rimbaud tamb\u00e9m est\u00e1 na S\u00e9rie Biografias L&amp;PM.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado A padiola \u00e9 suspensa e i\u00e7ada at\u00e9 o navio. L\u00e1 embaixo, dezesseis homens olham calados depois de realizarem seu trabalho. Abdo Rimbo, como chamavam Arthur Rimbaud, est\u00e1 indo embora para morrer. 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