﻿{"id":17903,"date":"2012-10-09T16:38:03","date_gmt":"2012-10-09T19:38:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=17903"},"modified":"2012-10-09T17:45:00","modified_gmt":"2012-10-09T20:45:00","slug":"a-tregua-de-mario-benedetti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=17903","title":{"rendered":"&#8220;A tr\u00e9gua&#8221; de Mario Benedetti"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"relembrando_umlivrok\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/relembrando_umlivrok.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"115\" \/><\/p>\n<p><em>Por Nanni Rios*<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 quem olhe para a edi\u00e7\u00e3o de bolso de <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/livros\/go.asp?LivroID=390738\" target=\"_blank\">A tr\u00e9gua<\/a>,<\/em> do uruguaio Mario Benedetti, e duvide de sua grandeza: s\u00e3o apenas 160 p\u00e1ginas escritas em forma de di\u00e1rio, com espa\u00e7amento maior aqui e ali para dar o intervalo entre os dias. Mas como tamanho n\u00e3o \u00e9 documento, ele merece uma chance: este pequeno livro carrega uma das hist\u00f3rias mais emocionantes que j\u00e1 li. E isso sim faz dele um grande livro!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/a_tregua.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-17924\" title=\"a_tregua\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/a_tregua-182x300.jpg\" alt=\"\" width=\"164\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/a_tregua-182x300.jpg 182w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/a_tregua-621x1024.jpg 621w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/a_tregua.jpg 841w\" sizes=\"auto, (max-width: 164px) 100vw, 164px\" \/><\/a>Quando me deram <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/livros\/go.asp?LivroID=390738\" target=\"_blank\">A tr\u00e9gua<\/a><\/em> para ler, eu sequer conhecia Mario Benedetti. Tamb\u00e9m n\u00e3o me explicaram o porqu\u00ea do t\u00edtulo do livro. Mas confiei na indica\u00e7\u00e3o e permiti que Mart\u00edn Santom\u00e9 se apresentasse.\u00a0Ele n\u00e3o \u00e9 um\u00a0personagem curioso, doid\u00e3o ou ex\u00f3tico &#8211; tanto que se eu passasse por ele na rua, provavelmente n\u00e3o o notaria. Mas ao descrever este Mart\u00edn Santom\u00e9 em primeira pessoa e em tom confessional, como se faz a um di\u00e1rio, Benedetti fala sobre solid\u00e3o de um ponto de vista que \u00e9 devastador para quem l\u00ea: ele fala de <em>dentro<\/em> do vazio. E ao fazer isso, ele transporta o leitor para <em>dentro<\/em> da hist\u00f3ria &#8211; e, a partir da\u00ed, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel largar o livro.<\/p>\n<p>Santom\u00e9 tem 49 anos e \u00e9 um homem s\u00f3. Vi\u00favo, coube a ele a educa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas filhos, Esteban, Jaime e Blanca &#8211; dos quais sempre se sentiu distante. O emprego burocr\u00e1tico numa reparti\u00e7\u00e3o comercial esmaga seus dias e ele n\u00e3o percebe &#8211; ou n\u00e3o admite. At\u00e9 que aparece em sua vida a jovem Laura Avellaneda,\u00a0que parece ser o que faltava para dar uma <em>tr\u00e9gua<\/em> na solid\u00e3o e espant\u00e1-la para longe. Com Avellaneda, ele se sente capaz de viver infinitamente, de se renovar, zerar o contador e come\u00e7ar hoje mesmo a ser feliz. Os mais espertos j\u00e1 devem ter identificado: o nome disso \u00e9 amor. A tr\u00e9gua <em>\u00c9<\/em> o amor.<\/p>\n<p>Bom, n\u00e3o vou contar aqui o que acontece ap\u00f3s o encontro de Santom\u00e9 e Avellaneda para n\u00e3o estragar o desfecho surpreendente &#8211; e cruel, diga-se de passagem &#8211; da hist\u00f3ria.\u00a0Mas uma coisa eu garanto: depois do redemoinho de emo\u00e7\u00f5es compartilhadas &#8211; com acesso irrestrito aos sentimentos de Santom\u00e9 por meio de seu di\u00e1rio &#8211; n\u00e3o h\u00e1 como voltar inc\u00f3lume. Benedetti nos nega a confort\u00e1vel posi\u00e7\u00e3o de simples espectador e transforma a leitura de &#8220;A tr\u00e9gua&#8221; numa experi\u00eancia quase pessoal, algo como &#8220;mexeu com Santom\u00e9, mexeu comigo&#8221;.<\/p>\n<p>Ao terminar de ler, parecia que eu tinha acabado de presenciar uma trag\u00e9dia e tinha visto o culpado fugir. Mas o culpado, neste caso, era o destino, aquele que tudo pode, impiedoso e frio. E para ele, n\u00e3o h\u00e1 tr\u00e9gua.<\/p>\n<p><em>* Toda semana,\u00a0a S\u00e9rie \u201cRelembrando um grande livro\u201d\u00a0traz um texto assinado em que\u00a0grandes livros s\u00e3o (re)lembrados. Livros\u00a0imperd\u00edveis e inesquec\u00edveis. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nanni Rios* H\u00e1 quem olhe para a edi\u00e7\u00e3o de bolso de A tr\u00e9gua, do uruguaio Mario Benedetti, e duvide de sua grandeza: s\u00e3o apenas 160 p\u00e1ginas escritas em forma de di\u00e1rio, com espa\u00e7amento maior aqui e ali para dar o intervalo entre os dias. 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