﻿{"id":1768,"date":"2010-07-09T12:40:21","date_gmt":"2010-07-09T12:40:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=1768"},"modified":"2010-07-09T12:40:21","modified_gmt":"2010-07-09T12:40:21","slug":"e-se-como-robinson-crusoe-eu-fosse-parar-numa-ilha-deserta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=1768","title":{"rendered":"E se, como Robinson Cruso\u00e9, eu fosse parar numa ilha deserta?"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/crusoepaula.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1769\" title=\"crusoepaula\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/crusoepaula.jpg\" alt=\"\" width=\"445\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/crusoepaula.jpg 445w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/crusoepaula-300x182.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Paula Taitelbaum<\/em><\/p>\n<p>Entre lan\u00e7amentos e reedi\u00e7\u00f5es, todo dia chegam livros da cole\u00e7\u00e3o de bolso \u00e0 minha mesa. Entre os que recebi essa semana estava <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=616211&amp;ID=607709\" target=\"_blank\"><em>As aventuras de Robinson Cruso\u00e9<\/em><\/a>, de <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=729181\" target=\"_blank\">Daniel Defoe<\/a>. A emocionante aventura do n\u00e1ufrago mais famoso da literatura fez com que eu recordasse outra hist\u00f3ria. Lembrei de uma quest\u00e3o que me foi apresentada h\u00e1 alguns anos pelo professor do Parque Lage, Charles Watson, em seu curso de Processo Criativo: \u201cSe voc\u00ea fosse um escritor e, depois de um naufr\u00e1gio, ficasse totalmente sozinho em uma ilha deserta; se tivesse total certeza de que jamais seria resgatado, que ningu\u00e9m nunca, em hip\u00f3tese alguma, fosse ler os seus escritos, voc\u00ea continuaria escrevendo?\u201d. Meus colegas de curso, entusiasmados com suas pr\u00f3prias capacidades art\u00edsticas e com todas as possibilidades criativas que ali afloravam, responderam, em sua maioria, que sim, obviamente continuariam escrevendo, inclusive para matar o tempo, para registrar suas mem\u00f3rias, etc, etc. Eu n\u00e3o tive tanta certeza. N\u00e3o cheguei a responder em voz alta, mas pensei que a possibilidade de escrever para ningu\u00e9m ler era praticamente nula pra mim. No entanto, o grupo continuou cruzando suas palavras por um tempo, defendendo entusiasticamente que um escritor n\u00e3o precisa de leitores, discutindo a tese quase \u00e0 exaust\u00e3o, at\u00e9 o professor interromper. Se n\u00e3o me engano (j\u00e1 aviso que \u00e0s vezes me engano), ele disse que essa quest\u00e3o foi levantada por Sartre em um ensaio ou artigo. E disse mais: que mesmo que os presentes ali duvidassem, era provado que ningu\u00e9m escreveria numa ilha deserta se tivesse a certeza de que n\u00e3o haveria leitores para sua obra, nem mesmo leitores p\u00f3stumos. As necessidades de sobreviv\u00eancia numa ilha deserta seriam muito mais latentes e n\u00e3o haveria sentido em criar arte sem um receptor. Mas&#8230; \u2013 sempre existe um \u201cmas\u201d nessas horas \u2013 o professor exp\u00f4s que existia, sim, uma possibilidade de continuar escrevendo. \u201cQue possibilidade seria essa?\u201d Perguntou mais uma vez o caro Watson. Dessa vez arrisquei:\u00a0 \u201cTalvez&#8230;\u201d disse eu. \u201cTalvez se eu pudesse me distanciar do texto de uma forma que eu n\u00e3o o percebesse como meu, se eu conseguisse me espantar com a leitura, me descolar da pr\u00f3pria autoria, ser eu o meu leitor, ent\u00e3o, quem sabe, eu continuasse escrevendo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>O professor sorriu satisfeito.\u201cExatamente\u201d, falou ele. \u201cEssa seria a \u00fanica maneira de continuar escrevendo\u201d.<\/p>\n<p>Faz tempo que fiz esse curso. Mas nunca esqueci a li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>P.S.1: Eu realmente espero nunca ir parar em uma ilha deserta. Mas um dia, quem sabe, ainda consigo me distanciar de mim mesma&#8230;<br \/>\nP.S.2: Se voc\u00ea j\u00e1 leu Robinson Cruso\u00e9, sempre vale a pena ler de novo. Se n\u00e3o leu, nunca \u00e9 tarde para se apaixonar por esse livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Taitelbaum Entre lan\u00e7amentos e reedi\u00e7\u00f5es, todo dia chegam livros da cole\u00e7\u00e3o de bolso \u00e0 minha mesa. Entre os que recebi essa semana estava As aventuras de Robinson Cruso\u00e9, de Daniel Defoe. A emocionante aventura do n\u00e1ufrago mais famoso da literatura fez com que eu recordasse outra hist\u00f3ria. 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