﻿{"id":1664,"date":"2010-07-05T13:29:36","date_gmt":"2010-07-05T13:29:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=1664"},"modified":"2014-05-20T10:46:27","modified_gmt":"2014-05-20T13:46:27","slug":"paris-a-cidade-personagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=1664","title":{"rendered":"Paris: a cidade-personagem"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/topobalzac12copy.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1666\" title=\"topobalzac12copy\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/topobalzac12copy.jpg\" width=\"445\" height=\"70\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/topobalzac12copy.jpg 445w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/topobalzac12copy-300x47.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Ivan Pinheiro Machado<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=748315\" target=\"_blank\">Balzac<\/a> amava Paris.<\/p>\n<p>Nasceu em Tours, na bel\u00edssima Touraine, regi\u00e3o c\u00e9lebre pelos magn\u00edficos castelos constru\u00eddos \u00e0 beira do Rio Loire &#8211; este que \u00e9 o maior rio da Fran\u00e7a, com cerca de 1.000 quil\u00f4metros, e que serpenteia por quase metade do territ\u00f3rio franc\u00eas. E pr\u00f3ximo a Tours, numa extens\u00e3o que ocupa quase 100 mil hectares, est\u00e3o os mais belos castelos do mundo que, no ano 2000, foram tombados como patrim\u00f4nio da humanidade pela Unesco. H\u00e1 castelos que est\u00e3o por l\u00e1 desde muito antes da descoberta do Brasil. A beleza, o luxo e a impon\u00eancia de cerca de trezentos \u201cch\u00e2teaux\u201d contam a hist\u00f3ria da arquitetura francesa &#8211; da sobriedade contida na Idade M\u00e9dia do s\u00e9culo X ao ardor renascentista do s\u00e9culo XV. Tours foi capital da Fran\u00e7a entre 1461 e 1560, quando Paris passou a ser a capital definitiva. Balzac saiu de l\u00e1 adolescente, logo ap\u00f3s abandonar o internato onde esteve isolado de tudo e de todos. Apostava numa carreira liter\u00e1ria e conseguiu convencer seu pai a sustent\u00e1-lo em Paris, onde estudaria Direito e escreveria romances. De fato, Honor\u00e9 de Balzac se formaria advogado, mas \u2013 naquele momento \u2013 n\u00e3o convenceria como romancista, nem no suspeito c\u00edrculo dos familiares. Era 1820 e ele tinha 21 anos. Precisou de 10 anos mais para construir os alicerces da sua obra e finalmente convencer como escritor. Paris foi impactante o suficiente para submeter Balzac aos seus mist\u00e9rios, suas mazelas e seus encantos. Magnetizado pela paisagem da cidade luz, fez com que o desconcertante contraste de ruelas medievais, miser\u00e1veis, mal-cheirosas, com sal\u00f5es reluzentes, parques espl\u00eandidos e pal\u00e1cios fosse uma constante em sua obra. Posso at\u00e9 me arriscar em dizer que, se a Com\u00e9dia Humana tem um personagem principal, este personagem \u00e9 a cidade de Paris.<\/p>\n<p><strong>A grande cortes\u00e3<\/strong><\/p>\n<p>Impregnado do bucolismo das paisagens de Tours e arredores, Balzac capitulou diante da diversidade arquitet\u00f4nica, econ\u00f4mica, moral e espiritual de Paris. Foi um amor \u00e0 primeira vista. Ele certamente diria o que disse Henrique IV, o rei da Fran\u00e7a, 250 anos antes, ao ser obrigado a renunciar ao protestantismo para agradar seus s\u00faditos de maioria cat\u00f3lica: \u201cParis vaut bien une messe\u201d (Paris vale bem uma missa).<\/p>\n<p>Ele se apoderou da cidade para ambientar seus quase 3.000 personagens. Para usar uma express\u00e3o bem balzaquiana, \u201cpintou\u201d Paris como poucos. Tanto \u00e9 verdade que uma das partes centrais da Com\u00e9dia, que inclui cerca de um ter\u00e7o do total dos quase cem t\u00edtulos \u00e9 exatamente <em>Cenas da Vida Parisiense<\/em>. Portanto, a Com\u00e9dia Humana \u00e9 um dos mais importantes documentos liter\u00e1rios sobre a cidade. Pela primeira vez na literatura, uma cidade \u00e9 personagem de uma grande obra. Ele a descreveu maravilhosamente e a elevou a propor\u00e7\u00f5es quase humanas. A frase final de <em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=072828\" target=\"_blank\">O Pai Goriot<\/a><\/em> reflete a id\u00e9ia de Balzac: o jovem Rastignac est\u00e1 chocado e decepcionado com a vida quando enterra seu amigo Goriot. Do alto do cemit\u00e9rio P\u00e8re-Lachaise ele v\u00ea Paris imensa espalhada em volta do Sena e exclama: \u201cParis, agora \u00e9 entre n\u00f3s dois!\u201d<\/p>\n<p>Eug\u00e8ne Rastignac era o alter ego de Balzac. Ambos enfrentaram Paris. Entenderam que era necess\u00e1rio ser c\u00ednico, ser duro e ser forte para n\u00e3o serem engolidos pelo turbilh\u00e3o daquela cidade fascinante. S\u00e3o centenas as passagens em que Balzac fala sobre Paris. Eu escolhi uma, que se n\u00e3o \u00e9 a mais bonita, nem a mais brilhante, pelo menos far\u00e1 voc\u00ea entender a rela\u00e7\u00e3o \u201cliter\u00e1ria\u201d dele com a cidade, a ponto de transform\u00e1-la em protagonista em muitas de suas tramas:<\/p>\n<p><em>\u00a0&#8220;H\u00e1 aqueles que conhecem t\u00e3o bem sua fisionomia que percebem nela at\u00e9 mesmo uma verruga, um sinal de nascen\u00e7a, o menor rubor. Para outros, Paris \u00e9 sempre uma maravilha monstruosa, um espantoso conjunto de acontecimentos, a cidade em que transcorrem cem mil romances, a verdadeira cabe\u00e7a do mundo. S\u00f3 que para estes Paris \u00e9 uma criatura completa: cada ser humano, cada detalhe de pr\u00e9dio s\u00e3o apenas um fragmento do tecido celular dessa grande cortes\u00e3 (&#8230;).\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=1590\" target=\"_blank\">Balzac e a pol\u00edtica: um autor de direita e uma obra de esquerda<\/a><br \/>\n\u2013 <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=1491\" target=\"_blank\">O homem que amava as mulheres<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to Balzac: a volta ao Brasil mais de 20 anos depois\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=774\" rel=\"bookmark\">Balzac: a volta ao Brasil mais de 20 anos depois<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to Por que ler Balzac\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=874\" rel=\"bookmark\">Por que ler Balzac<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to O monumento chamado Com\u00e9dia Humana\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=895\" rel=\"bookmark\">O monumento chamado <em>Com\u00e9dia Humana<\/em><\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to Balzac: o homem de (maus) neg\u00f3cios\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=961\" rel=\"bookmark\">Balzac: o homem de (maus) neg\u00f3cios<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to Sexo para todos os gostos\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=981\" rel=\"bookmark\">Sexo para todos os gostos<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to 20 de maio: anivers\u00e1rio de Balzac\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=1075\" rel=\"bookmark\">20 de maio: anivers\u00e1rio de Balzac<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to Ouro e prazer\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=1201\" rel=\"bookmark\">Ouro e prazer<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to Balzac e as balzaquianas\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=1310\" rel=\"bookmark\">Balzac e as balzaquianas<\/a><br \/>\n\u2013 <a title=\"Permanent Link to O poder das mulheres na Com\u00e9dia humana\" href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/?p=1401\" rel=\"bookmark\">O poder das mulheres na <em>Com\u00e9dia humana<\/em><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=2010\" target=\"_blank\"><em><strong>CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 13 DESTA S\u00c9RIE.<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivan Pinheiro Machado Balzac amava Paris. Nasceu em Tours, na bel\u00edssima Touraine, regi\u00e3o c\u00e9lebre pelos magn\u00edficos castelos constru\u00eddos \u00e0 beira do Rio Loire &#8211; este que \u00e9 o maior rio da Fran\u00e7a, com cerca de 1.000 quil\u00f4metros, e que serpenteia por quase metade do territ\u00f3rio franc\u00eas. 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