﻿{"id":16293,"date":"2012-06-21T10:58:19","date_gmt":"2012-06-21T13:58:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=16293"},"modified":"2012-06-21T10:59:58","modified_gmt":"2012-06-21T13:59:58","slug":"jean-paul-sartre-veio-ao-mundo-com-atraso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=16293","title":{"rendered":"Jean-Paul Sartre veio ao mundo com atraso"},"content":{"rendered":"<p>A m\u00e3e, Anne-Marie Sartre (nascida Anne Marie Schweitzer), e o pai Jean-Baptiste Sartre, esperavam seu primeiro filho para fins de maio e in\u00edcio de junho. Oficial da marinha francesa, Jean Baptiste n\u00e3o pode esperar pelo nascimento da crian\u00e7a em Paris e partiu em miss\u00e3o. A crian\u00e7a nasceria bem depois do esperado &#8211; provavelmente por um erro de c\u00e1lculo &#8211;\u00a0 em 21 de junho de 1905. A ele, seria dado o nome de Jean-Paul Sartre. \u00a0<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sartre.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-16294\" title=\"sartre\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sartre-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sartre-209x300.jpg 209w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sartre-714x1024.jpg 714w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sartre.jpg 1247w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/a><em>O ano de 1905 ia come\u00e7ar e, poucos meses depois, Anne-Marie daria \u00e0 luz \u201cuma pequena Annie\u201d ou \u201cum pequeno Paul\u201d, como dizia, com flagrante predile\u00e7\u00e3o para que fosse menina. O ano de 1905 ia come\u00e7ar e, pela futura mam\u00e3e e pela crian\u00e7a, o oficial da Marinha decidiu renunciar \u00e0 viagem ao Jap\u00e3o com que tanto sonhava. Guerras coloniais, doen\u00e7as e press\u00f5es hier\u00e1rquicas contribu\u00edram bem depressa para a desist\u00eancia: desde ent\u00e3o, Jean-Baptiste s\u00f3 pensa em voltar para a terra firme. Percorre minist\u00e9rios, gabinetes, candidata-se a um cargo de \u201credator da Marinha\u201d, recorre at\u00e9 a pistol\u00f5es oficiais, contempando as solu\u00e7\u00f5es mais absurdas.<\/em><\/p>\n<p><em>A pequena Annie (ou o pequeno Paul) vai nascer nos primeiros dias de junho, l\u00e1 por fins de maio talvez, com um pouco de sorte, espera Jean-Baptiste, cuja licen\u00e7a sem soldo expira impreterivelmente no dia 15 de maio; o regulamento \u00e9 muito severo: qualquer falta ser\u00e1 punida. Ocorre, ent\u00e3o, uma esp\u00e9cie de corrida contra o tempo para encontrar emprego em terra antes da data fatal, talvez com o desejo secreto de que a crian\u00e7a nas\u00e7a prematura. (&#8230;) No dia 14 de maio, contrariado, J.-B. deixa Paris e vai para Toulon. No dia 29, desesperado, embarca no torpedeiro La Tourmente, como segundo-oficial que parte primeiro rumo a Sic\u00edlia, depois Creta, com escalas em Messina, Palermo e Canea. De cada um desses portos, ele telegrafa \u00e0 mulher; e durante todos esses primeiros dias no mar espera a participa\u00e7\u00e3o do nascimento. (&#8230;) Todo mundo, ent\u00e3o, em Creta, em Thiviers, em Paris, come\u00e7a a esperar. Os Schweitzer alugaram um casar\u00e3o no M\u00e2connais e o \u201cerro de c\u00e1lculo\u201d traz muitos transtornos: quanto mais a crian\u00e7a demora a nascer, menores as chances de poder ser levada para fora de Paris. Enfim, esse contratempo \u00e9 realmente lament\u00e1vel. \u201cContinuamos sem not\u00edcias do nosso marinheiro\u201d, escreve de Thiviers a futura vov\u00f3 Sartre em 21 de junho. Poucas horas depois, o vov\u00f4 Schweitzer expede dois telegramas, um para Creta, outro para Thiviers: comunica o nascimento de um menino.<\/em><\/p>\n<p><em>Jean-Paul Sartre chega ao mundo com atraso e, desde o in\u00edcio, atrapalha uma por\u00e7\u00e3o de planos familiares. Mas sua chegada coincide com certo n\u00famero de acontecimentos pol\u00edticos que v\u00e3o marcar o s\u00e9culo: 1905 \u00e9 o ano das primeira revolu\u00e7\u00e3o bolchevique, da guerra entre a R\u00fassia e o Jap\u00e3o, ou, mais pr\u00f3xima ainda, da lei nacional que decreta a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado.<\/em><\/p>\n<p>Trecho de <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=838453&amp;ID=537066\" target=\"_blank\">Sartre &#8211; Uma biografia<\/a><\/em>, de Annie Cohen-Solal<\/p><\/blockquote>\n<p>Jean-Baptiste Sartre morreria no ano seguinte em sua terra natal, Thiviers, por complica\u00e7\u00f5es advindas de uma doen\u00e7a cr\u00f4nica adquirida em uma miss\u00e3o na Conchinchina. \u00d3rf\u00e3o de pai com pouco mais de um ano de idade, Jean-Paul foi criado pela fam\u00edlia m\u00e3e e pelos av\u00f3s maternos, a fam\u00edlia Schweitzer.<\/p>\n<p>De Jean-Paul Sartre a Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket publica <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=526091&amp;ID=739082\" target=\"_blank\"><em>Esbo\u00e7o para uma teoria das emo\u00e7\u00f5es<\/em> <\/a>e <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=526091&amp;ID=527080\" target=\"_blank\">A imagina\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00e3e, Anne-Marie Sartre (nascida Anne Marie Schweitzer), e o pai Jean-Baptiste Sartre, esperavam seu primeiro filho para fins de maio e in\u00edcio de junho. 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