﻿{"id":15373,"date":"2012-04-24T11:40:45","date_gmt":"2012-04-24T14:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=15373"},"modified":"2012-04-24T11:45:45","modified_gmt":"2012-04-24T14:45:45","slug":"bob-dylan-minha-filha-e-eu-together-in-the-park","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=15373","title":{"rendered":"Dylan, minha filha e eu, together in the park"},"content":{"rendered":"<p>Para ouvir ao som de &#8220;Tomorrow is a long time&#8221;<\/p>\n<p><object id=\"gsSong3292627598\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"450\" height=\"40\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"name\" value=\"gsSong3292627598\" \/><param name=\"wmode\" value=\"window\" \/><param name=\"allowScriptAccess\" value=\"always\" \/><param name=\"flashvars\" value=\"hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=32926275&amp;style=metal&amp;p=0\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/grooveshark.com\/songWidget.swf\" \/><embed id=\"gsSong3292627598\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"450\" height=\"40\" src=\"http:\/\/grooveshark.com\/songWidget.swf\" flashvars=\"hostname=cowbell.grooveshark.com&amp;songIDs=32926275&amp;style=metal&amp;p=0\" allowscriptaccess=\"always\" wmode=\"window\" name=\"gsSong3292627598\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p><em>Por Paula Taitelbaum*<\/em><\/p>\n<p>23 de abril \u00e9 dia de Shakespeare, Cervantes, S\u00e3o Jorge. Dia Mundial do Livro. Mas hoje nada disso importa&#8230; 23 de abril \u00e9 o dia em que, h\u00e1 exatos 51 anos, Bob Dylan fez seu primeiro show pago, abrindo para John Lee Hooker no Gerde\u00b4s Folk City em Nova York. E mais do que isso: \u00e9 o dia em que nasceu Clara, minha filha. Ou seja: ontem era\u00a0anivers\u00e1rio dela.\u00a0Clara, que estava fazendo 11 anos,\u00a0toca <em>Knock, knock, knockin&#8217; on heaven&#8217;s door<\/em> ao viol\u00e3o e encontra Dylan todo dia de manh\u00e3, ao sair do quarto \u2013 em uma tela feita pelo artista pl\u00e1stico Oscar Fortunato que h\u00e1 anos est\u00e1 pendurada na parede do corredor bem em frente \u00e0 sua porta. Clara sabia que o bardo estava na cidade, em um hotel n\u00e3o muito longe de nossa casa. E talvez por isso, desde o final da tarde de ontem, repetia sem\u00a0cessar: \u201cQueria <em>tanto<\/em> encontrar o Bob Dylan no dia do meu anivers\u00e1rio&#8230;\u201d. Ao sairmos pra jantar com a fam\u00edlia, ela continuou falando isso \u00e0 exaust\u00e3o, convencida de que o encontro era realmente poss\u00edvel. L\u00e1 pelas 22h, ao deixarmos o restaurante, j\u00e1 no rumo de casa, resolvemos fazer um caminho mais longo s\u00f3 para, quem sabe, trope\u00e7ar sem querer com Dylan rolando como uma pedra pelas ruas de Porto Alegre&#8230; V\u00e1 que Clara tivesse raz\u00e3o.<\/p>\n<p>O carro \u00eda devagar, olh\u00e1vamos atentos \u00e0s ruas vazias de uma segunda-feira fria. Procur\u00e1vamos uma figura magra, pequena, provavelmente de touca preta e jaqueta de couro. Nada. Nem sombra. Ent\u00e3o, sugeri que vir\u00e1ssemos numa rua ao lado do Parc\u00e3o (como \u00e9 chamado o Parque Moinhos de Vento). De repente, vimos, sob a penumbra das \u00e1rvores, entre a luz difusa, duas pessoas caminhando bem devagar. \u201c\u00c9 ele!\u201d gritou Eduardo. E parou o carro. E era ele. Ele! O cara que escreveu \u201cLike a Rolling Stone\u201d e tanto tanto tanto mais. Que habita nossas paredes, nossas estantes, nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes, o pr\u00f3prio ar que respiramos com sua m\u00fasica. N\u00e3o havia a menor d\u00favida de que era ele. Bob e uma mulher caminhavam e conversavam. Dois amigos falando sobre a vida, o clima, o mundo e suas complexidades, sei l\u00e1&#8230; <em>Together in the park, with the sky already dark<\/em>.<em> I looked at him and felt a spark, tingle to my bones<\/em>: meu cora\u00e7\u00e3o disparou, comecei a tremer inteira, Clara saltou do carro. Caminhamos em dire\u00e7\u00e3o a ele. Clara e eu. Eduardo ficou um pouco mais atr\u00e1s, n\u00e3o queria atrapalhar o momento&#8230;\u00a0Ao ver Clara,\u00a0Dylan sorriu\u00a0com os olhos. Uma crian\u00e7a faz toda a diferen\u00e7a&#8230; \u201cHi Bob\u201d. \u201cI\u00b4m very nervous\u201d\u00a0disse eu\u00a0(se isso \u00e9 coisa que se diga!!!). \u201cIs her birthday\u201d falei, apontado para ela.\u00a0Ele abriu um sorriso gentil: \u201cOh, it\u00b4s\u00a0your birthday! Happy birthday\u201d. Ent\u00e3o Clara tirou um bilhete da bolsa e ofereceu a ele. Um bilhete que ningu\u00e9m sabia que ela\u00a0tinha feito. Estava escrito e desenhado com um cora\u00e7\u00e3o \u201cI love Bob. From Clara \/ To Bob Dylan\u201d. Ele pegou o bilhete e sorriu ainda mais, apertando os olhos finos de um azul transl\u00facido, capazes de iluminar a noite fria.\u00a0Ent\u00e3o, apontou para o t\u00eanis dela e, vendo os cadar\u00e7os desatados,\u00a0disse \u201cYou will stumble&#8230; Tie up your shoes\u201d (Voc\u00ea vai trope\u00e7ar, amarre seu sapato). Clara <em>bend down to top the laces of her shoes<\/em>&#8230; Ent\u00e3o, ele ergueu\u00a0o bilhete, sacudiu-o no ar e o apontou em dire\u00e7\u00e3o a ela,\u00a0deixando claro que iria guard\u00e1-lo. Eu agradeci e disse \u201cSee you tomorrow\u201d (but \u201cTomorrow is a long time\u201d devia ter emendado). Eles continuaram caminhando. Eu tremia e chorava. Clara pulava. Na cama, antes de dormir, ela disse \u201cQue velhinho mais querido!\u201d. Sim, sim, o velhinho mais jovem que eu j\u00e1 vi na vida. <em>Forever Young and still on the road, after all these years<\/em>. Nunca vamos esquecer esse 23 de abril&#8230; <em>Never gonna be the same again&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>*Paula Taitelbaum \u00e9 escritora, coordenadora do N\u00facleo de Comunica\u00e7\u00e3o da L&amp;PM, m\u00e3e de Clara e hoje vai assistir pela s\u00e9tima vez um show de Bob Dylan.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ouvir ao som de &#8220;Tomorrow is a long time&#8221; Por Paula Taitelbaum* 23 de abril \u00e9 dia de Shakespeare, Cervantes, S\u00e3o Jorge. Dia Mundial do Livro. 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