﻿{"id":15058,"date":"2012-04-09T16:31:39","date_gmt":"2012-04-09T19:31:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=15058"},"modified":"2013-04-09T10:42:59","modified_gmt":"2013-04-09T13:42:59","slug":"os-191-anos-de-baudelaire","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=15058","title":{"rendered":"O nascimento de Baudelaire"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&#8220;<em>\u00c9\u00a0um estranho casal que d\u00e1 \u00e0 luz Charles Baudelaire, em 9 de abril de 1821. (&#8230;) Um pai velho, ent\u00e3o com 62 anos, e uma m\u00e3e ainda jovem, com 34 anos menos que seu marido. Um pai marcado pelos faustos indolentes de uma \u00e9poca passada e uma m\u00e3e que descobre, de um dia para o outro, o amor carnal e, ao mesmo tempo, os caprichos de um velho. Um pai um tanto diletante, preso entre os requintes dos sal\u00f5es mundanos do s\u00e9culo XVIII e a gravidade dos gabinetes administrativos, e uma m\u00e3e t\u00edmida, cr\u00e9dula, temerosa, para quem a maternidade \u00e9 como um dom do c\u00e9u, uma esp\u00e9cie de milagre, e o parto, uma revanche contra as adversidades. Um pai idoso que tem amigos idosos e uma m\u00e3e na flor da idade que, por sua vez, n\u00e3o tem amigos, a n\u00e3o ser um dos quatro filhos de seu tutor. Esse incr\u00edvel contraste \u00e9 percebido pelo pequeno Charles muito cedo, muito r\u00e1pido. Na sua casa, na Rue Hautefeuille, tudo \u00e9 antiquado, e aqueles que ele v\u00ea ir e vir e com os quais seu pai conversa ou vai ao teatro s\u00e3o todos velhos. Velhos caqu\u00e9ticos. Velhotes. Vovozinhos. Quando ele vai brincar no Jardin du Luxembourg, a dois passos de casa, ele v\u00ea que seu pai encontra mais velhotes, seus antigos colegas do Senado, companhias senis e quase decr\u00e9pitas. Esse n\u00e3o \u00e9 apenas um mundo velho, mas tamb\u00e9m um mundo que exala um cheiro de velho &#8211; odores terr\u00edveis, nauseabundos, repugnantes, p\u00fatridos, &#8220;flora\u00e7\u00f5es na natureza&#8221;, &#8220;lodo repelente&#8221;, que ele n\u00e3o consegue deixar de registrar, de armazenar no fundo do seu ser.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O trecho acima\u00a0\u00e9 parte do primeiro cap\u00edtulo de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=709433\" target=\"_blank\">Baudelaire<\/a>&#8220;, livro de Jean-Baptiste Baronian (S\u00e9rie Biografias L&amp;PM). Uma das personalidades mais contradit\u00f3rias da hist\u00f3ria da literatura, Baudelaire inovou em sua poesia e em sua abordagem da arte e da m\u00fasica. Feroz defensor da liberdade de costumes, teve uma vida ao mesmo tempo luxuosa e miser\u00e1vel, dissoluta e magn\u00edfica, deplor\u00e1vel e deslumbrante. Considerado um p\u00e1ria genial, entrou para a hist\u00f3ria com textos como\u00a0&#8220;<em>Todas as belezas cont\u00eam, assim como todos os fen\u00f4menos poss\u00edveis, algo de eterno e algo de transit\u00f3rio, de absoluto e de particular. A beleza absoluta e eterna inexiste, ou melhor, \u00e9 apenas uma abstra\u00e7\u00e3o empobrecida na superf\u00edcie geral das diferentes belezas. O elemento particular de cada beleza vem das paix\u00f5es, e como temos nossas paix\u00f5es particulares, temos nossa beleza particular<\/em>.&#8221;<\/p>\n<div id=\"attachment_15059\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/nadar-baudelaire-1855.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15059\" class=\"size-full wp-image-15059    \" title=\"nadar-baudelaire-1855\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/nadar-baudelaire-1855.jpg\" width=\"410\" height=\"553\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/nadar-baudelaire-1855.jpg 903w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/nadar-baudelaire-1855-222x300.jpg 222w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/nadar-baudelaire-1855-759x1024.jpg 759w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15059\" class=\"wp-caption-text\">Baudelaire em 1855<\/p><\/div>\n<p>De autoria de Baudelaire, a Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket publica &#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=826273\" target=\"_blank\">Para\u00edsos Artificiais &#8211; O haxixe, o \u00f3pio e o vinho<\/a>&#8220;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9\u00a0um estranho casal que d\u00e1 \u00e0 luz Charles Baudelaire, em 9 de abril de 1821. 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