﻿{"id":14450,"date":"2012-03-07T09:56:27","date_gmt":"2012-03-07T12:56:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=14450"},"modified":"2012-03-07T14:18:48","modified_gmt":"2012-03-07T17:18:48","slug":"testemunha-ocular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=14450","title":{"rendered":"Testemunha ocular"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Juremir Machado da Silva*<\/em><\/p>\n<blockquote><p>Fl\u00e1vio Tavares \u00e9 um jornalista que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 na cena brasileira h\u00e1 mais de 50 anos. Esteve preso no Brasil e no Uruguai. Viveu no ex\u00edlio. Em 1961, como diz a f\u00f3rmula consagrada, foi testemunha ocular dos epis\u00f3dios da Legalidade. Mais do que isso, como jornalista de \u00daltima Hora, foi protagonista da grande aventura, entrincheirado no Pal\u00e1cio Piratini, ombreando com os her\u00f3is do momento. Com base nesse curr\u00edculo altamente legitimador, Tavares n\u00e3o poderia deixar de apresentar a sua vis\u00e3o do que aconteceu quando o doido do J\u00e2nio Quadros renunciou e os reacion\u00e1rios e n\u00e3o menos doidos ministros militares tentaram impedir a posse de Jango, o rico fazendeiro visto como comunista, sendo frustrado pela rea\u00e7\u00e3o comandada pelo intr\u00e9pido e desconcertante Leonel Brizola. O relato de Fl\u00e1vio Tavares est\u00e1 em &#8220;<a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=917163&amp;ID=606452\" target=\"_blank\"><em>1961, O Golpe Derrotado &#8211; Luzes e Sombras do Movimento da Legalidade<\/em><\/a>&#8221; (L&amp;PM), que ser\u00e1 lan\u00e7ado hoje \u00e0 noite em Porto Alegre.<\/p>\n<p>A primeira p\u00e1gina do livro de Fl\u00e1vio Tavares j\u00e1 diz tudo com um &#8220;efeito credencial&#8221;, um altamente legitimador &#8220;eu estava l\u00e1&#8221;, &#8220;eu fui parte dos acontecimentos&#8221;, &#8220;eu vi tudo&#8221;, um fac-s\u00edmile de uma carta enviada pelo autor, no calor da refrega, ao governador Brizola avisando-o da intercepta\u00e7\u00e3o de uma mensagem de Bras\u00edlia ordenando (ou sugerindo) a sua pris\u00e3o em nome da &#8220;normaliza\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica&#8221;. As 231 p\u00e1ginas do livro s\u00e3o uma narrativa minuciosa e sem fissuras dos 13 dias que sacudiram o Brasil, colocaram o Rio Grande do Sul, mais uma vez, na linha de frente das quest\u00f5es nacionais e despertaram o interesse de boa parte do mundo por mais uma tentativa de golpe militar ao Sul do Equador. O golpe em si seguia os padr\u00f5es tradicionais. A resist\u00eancia \u00e9 que se mostrou diferente. Fl\u00e1vio Tavares p\u00f5e essa diferen\u00e7a em destaque.<\/p>\n<p>Disposto a jogar luz em cima das sombras que encobrem a Legalidade, Fl\u00e1vio d\u00e1 detalhes de acontecimentos que testemunhou. Por exemplo, dois encontros de Brizola com Che Guevara, em Montevid\u00e9u, poucos dias antes da crise brasileira. Essas conversas teriam influenciado Brizola, que teria ficado impressionado com o charme, o carisma e a aura rom\u00e2ntica do guerrilheiro argentino convertido em alto mandat\u00e1rio cubano. Depois de churrasquear com Che e v\u00ea-lo desafiar publicamente os Estados Unidos no discurso na reuni\u00e3o para a oficializa\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a para o Progresso, em Punta del Este, o destemido e idealista Leonel n\u00e3o poderia deixar por menos no seu terreiro de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O livro come\u00e7a com uma curiosa descri\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o entre Fl\u00e1vio e um soldado da Brigada Militar dentro do Pal\u00e1cio Piratini. Fl\u00e1vio mostra sua voz de comando: &#8220;Um martelo e uma escada comprida, que chegue ao teto. Mas r\u00e1pido&#8221;. O soldado obedece. Fl\u00e1vio sobe, quebra tr\u00eas vitrais na janela oval e abre espa\u00e7o para instalar uma metralhadora. Guerra \u00e9 guerra. A grande batalha, como em 1930, n\u00e3o aconteceria. O golpe seria adiado para 1964. O &#8220;soldado&#8221; Fl\u00e1vio apresentou suas armas naquele dia. Ficaria em guerra por muitos anos. Talvez ainda continue.<\/p><\/blockquote>\n<p><em>*Este texto foi publicado originalmente na <a href=\"http:\/\/www.correiodopovo.com.br\/blogs\/juremirmachado\/\" target=\"_blank\">coluna de Juremir Machado da Silva<\/a> no jornal Correio do Povo, na edi\u00e7\u00e3o de 7 de mar\u00e7o de 2012.<\/em><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/1961-O-GOLPE-DERROTADO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14455\" title=\"capa_1961 - O GOLPE DERROTADO.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/1961-O-GOLPE-DERROTADO-198x300.jpg\" alt=\"\" width=\"111\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/1961-O-GOLPE-DERROTADO-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/1961-O-GOLPE-DERROTADO-679x1024.jpg 679w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/1961-O-GOLPE-DERROTADO.jpg 1642w\" sizes=\"auto, (max-width: 111px) 100vw, 111px\" \/><\/a><\/strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Aut\u00f3grafos do livro <\/strong><strong><em>1961: o golpe derrotad<\/em>o <\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Em Porto Alegre:<\/strong><br \/>\nHOJE, 7 de mar\u00e7o, \u00e0s 19h, na Saraiva Megastore do Shopping Praia de Belas<\/p>\n<p><strong>No Rio de Janeiro:<\/strong><br \/>\n20 de mar\u00e7o, \u00e0s 19h, na Livraria Argumento<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juremir Machado da Silva* Fl\u00e1vio Tavares \u00e9 um jornalista que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es. 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