﻿{"id":14236,"date":"2012-02-23T10:59:09","date_gmt":"2012-02-23T12:59:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=14236"},"modified":"2015-02-19T11:42:25","modified_gmt":"2015-02-19T13:42:25","slug":"o-adeus-de-stefan-zweig","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=14236","title":{"rendered":"O adeus de Stefan Zweig"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_14243\" style=\"width: 212px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/leitores_brasileiros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14243\" class=\"size-full wp-image-14243   \" title=\"leitores_brasileiros\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/leitores_brasileiros.jpg\" width=\"202\" height=\"342\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14243\" class=\"wp-caption-text\">Foto dedicada aos leitores brasileiros<\/p><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=828038\" target=\"_blank\">Stefan Zweig<\/a> amou o Brasil que o acolheu. O escritor austr\u00edaco j\u00e1 era famoso no mundo inteiro quando chegou ao Rio de Janeiro, em 1936. Esperava encontrar<em> \u201cuma daquelas rep\u00fablicas sul-americanas que n\u00e3o distinguimos bem umas das outras, com clima quente e insalubre, situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica inst\u00e1vel e finan\u00e7as em desordem\u2026\u201d,<\/em> como escreveu em seu livro <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617051&amp;ID=548061\" target=\"_blank\">Brasil, um pa\u00eds do futuro<\/a><\/em>. Mas ao desembarcar, a sensa\u00e7\u00e3o foi outra: <em>\u201cFiquei fascinado e, ao mesmo tempo, estremeci. Pois n\u00e3o apenas me defrontei com uma das paisagens mais belas do mundo, esta combina\u00e7\u00e3o \u00edmpar de mar e montanha, cidade e natureza tropical, mas ainda com um tipo completamente diferente de civiliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>. Em 1941, sem poder voltar a Europa por causa da II Guerra, mudou-se para Petr\u00f3polis, no Rio,\u00a0com sua segunda esposa, Lotte. Ao lan\u00e7ar <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617051&amp;ID=548061\" target=\"_blank\">Brasil, um pa\u00eds do futuro<\/a>,<\/em> foi acusado por alguns de ter feito o livro por encomenda do governo Vargas, o que ele fez quest\u00e3o de desmentir em sua \u00faltima entrevista:<em> &#8220;Em quarenta anos de vida liter\u00e1ria, me orgulho de nunca ter escrito um livro por outra raz\u00e3o que a da paix\u00e3o art\u00edstica, e\u00a0jamais visando uma qualquer vantagem pessoal ou interesse econ\u00f4mico.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Em 23 de fevereiro de 1942, depois de\u00a0uma alta dose de\u00a0barbit\u00faricos, Stefan Zweig e sua esposa foram encontrados j\u00e1 sem vida pelos empregados da casa. Abra\u00e7ados na cama, eles preferiram deixar a vida \u201cde cabe\u00e7a erguida\u201d a continuar vendo os horrores do nazismo. Sobre a mesa de cabeceira, estava uma declara\u00e7\u00e3o em que Zweig agradecia ao Brasil e explicava o porqu\u00ea de estar indo embora t\u00e3o cedo.<\/p>\n<div id=\"attachment_14240\" style=\"width: 442px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/declaracao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14240\" class=\"size-full wp-image-14240  \" title=\"declaracao\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/declaracao.jpg\" width=\"432\" height=\"603\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/declaracao.jpg 600w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/declaracao-215x300.jpg 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14240\" class=\"wp-caption-text\">O \u00faltimo texto escrito por Stefan Zweig<\/p><\/div>\n<blockquote><p><strong>Declara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Stefan Zweig<\/em><\/p>\n<p>Antes de deixar a vida, de livre vontade e ju\u00edzo perfeito, uma \u00faltima obriga\u00e7\u00e3o me \u00e9 imposta: agradecer profundamente a este maravilhoso pa\u00eds, o Brasil, que propiciou a mim e \u00e0 minha obra t\u00e3o boa e hospitaleira guarida.\u00a0 A cada dia fui aprendendo a amar mais e mais este pa\u00eds, e em nenhum outro lugar eu poderia ter reconstru\u00eddo por completo a minha vida, justo quando o mundo de minha pr\u00f3pria l\u00edngua acabou-se para mim e meu lar espiritual, a Europa, se auto-aniquila. Mas depois dos sessenta anos precisa-se de for\u00e7as descomunais para come\u00e7ar tudo de novo. E as minhas se exauriram nestes longos anos de err\u00e2ncia sem p\u00e1tria.\u00a0 Assim, achei melhor encerrar, no devido tempo e de cabe\u00e7a erguida, uma vida que sempre teve no trabalho intelectual a mais pura alegria, e na liberdade pessoal, o bem mais precioso sobre a terra.<\/p>\n<p>Sa\u00fado a todos os meus amigos!\u00a0 Que ainda possam ver a aurora ap\u00f3s a longa noite! Eu, demasiado impaciente, vou-me embora antes.<\/p>\n<p>Stefan Zweig<br \/>\nPetr\u00f3polis, 22. II. 1942<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Stefan Zweig amou o Brasil que o acolheu. O escritor austr\u00edaco j\u00e1 era famoso no mundo inteiro quando chegou ao Rio de Janeiro, em 1936. 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