﻿{"id":13975,"date":"2012-02-06T18:32:24","date_gmt":"2012-02-06T20:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=13975"},"modified":"2012-02-07T14:54:21","modified_gmt":"2012-02-07T16:54:21","slug":"um-retrato-rasgado-de-cartier-bresson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=13975","title":{"rendered":"Um retrato &#8220;rasgado&#8221; de Cartier-Bresson"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/cartier_bresson.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13978\" title=\"capa_cartier_bresson.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/cartier_bresson-180x300.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/cartier_bresson-180x300.jpg 180w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/cartier_bresson-614x1024.jpg 614w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/cartier_bresson.jpg 1260w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a>No pref\u00e1cio do livro <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=922815\" target=\"_blank\">Cartier-Bresson &#8211; o olhar do s\u00e9culo<\/a><\/em>, que acaba de chegar \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket, o bi\u00f3grafo <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=506170\" target=\"_blank\">Pierre Assouline<\/a> n\u00e3o se constrange em assumir publicamente sua paix\u00e3o pelo biografado. E diferente do que podem pensar os mais puristas, isto n\u00e3o \u00e9 dem\u00e9rito algum. Pelo contr\u00e1rio: ele consegue contaminar o leitor, que embarca numa instigante viagem pela vida de um dos maiores fot\u00f3grafos que o mundo j\u00e1 conheceu.<\/p>\n<p>Sob o t\u00edtulo &#8220;Quando o her\u00f3i se torna um amigo&#8221;, o pref\u00e1cio de Pierre come\u00e7a descrevendo como foi seu primeiro encontro com Cartier-Bresson em 1994 e segue dando pistas da personalidade que ele ajudou a desvendar nas p\u00e1ginas que seguem, deixando o leitor com \u00e1gua na boca. Bem no in\u00edcio, ainda \u00e9 poss\u00edvel identificar algum compromisso com a objetividade exigida de um jornalista em rela\u00e7\u00e3o a seu objeto de trabalho. Mas depois de alguns par\u00e1grafos, ele sucumbe \u00e0 emo\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00c9 curioso bater nas costas de um mito, ins\u00f3lito contradizer uma lenda, estranho interpelar uma institui\u00e7\u00e3o, arriscado criticar um cl\u00e1ssico, audacioso corrigir um monumento&#8230; No Jap\u00e3o, diriam que ele \u00e9 um tesouro nacional vivo. Com um levantar de ombros, um gesto da m\u00e3o, Henri Cartier-Bresson liquida esse falso problema. Considera todas essas palavras verdadeiros palavr\u00f5es. At\u00e9 mesmo o suave nome de &#8220;artista&#8221; o exaspera, tanto v\u00ea nele uma no\u00e7\u00e3o burguesa herdada do s\u00e9culo anterior.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar do encanto, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o mencionar o j\u00e1 conhecido temperamento dif\u00edcil do mestre da fotografia como tra\u00e7o marcante de sua personalidade:<\/p>\n<blockquote><p><em>Cartier-Bresson \u00e9 a impaci\u00eancia em pessoa, mas tamb\u00e9m a curiosidade, a indigna\u00e7\u00e3o, o entusiasmo e a c\u00f3lera. Esse meditativo fren\u00e9tico n\u00e3o para no lugar, incapaz de dominar seu pr\u00f3prio temperamento, como se a verdadeira vida estivesse sempre no movimento. Sua intranquilidade acaba por perturbar a paisagem. Ele \u00e9 daqueles que devem sua nobreza \u00e0 excentricidade. Nada o deixa mais secretamente feliz do que fazer um uso deliberado do aristocr\u00e1tico prazer de desagradar. Quando pensamos em tudo o que seus olhos viram, sentimos vertigens. <\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Assouline finaliza sua longa e rasgada introdu\u00e7\u00e3o preparando o leitor para as p\u00e1ginas que v\u00eam a seguir:<\/p>\n<blockquote><p><em>Se quisermos entender Henri Cartier-Bresson, precisamos nos desfazer da concep\u00e7\u00e3o tradicional de tempo e assimilar outra, \u00e0s vezes anacr\u00f4nica, em que o calend\u00e1rio dos fatos n\u00e3o necessariamente coincide com o das emo\u00e7\u00f5es. Precisamos tamb\u00e9m levar em conta que o tempo do rel\u00f3gio n\u00e3o \u00e9 o mesmo do homem, que cada um tem sua m\u00edstica interior e que contar os acontecimentos de uma vida sem levar em conta a pr\u00f3pria l\u00f3gica seria t\u00e3o in\u00fatil quanto lembrar uma \u00f3pera por seu libreto. Proust disse tudo isso, e mais: &#8220;H\u00e1 dias montanhosos e \u00e1rduos que levamos um tempo infinito a escalar, e dias de declive que se deixam percorrer a toda velocidade, cantando&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Cartier-Bresson passou sua vida assim. Ele n\u00e3o viajou, ele morou no exterior sem se perguntar quando voltaria. Mais do que uma sutileza, trata-se de outra compreens\u00e3o do mundo. Sua obra \u00e9 prova disso.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=922815\" target=\"_blank\">Cartier-Bresson &#8211; o olhar do s\u00e9culo<\/a><\/em> foi publicado pela primeira vez pela L&amp;PM em 2003, em <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=838453&amp;ID=818073\" target=\"_blank\">formato convencional<\/a>, e agora chega \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket com o mesmo conte\u00fado da edi\u00e7\u00e3o anterior, encarte com fotos e tudo mais, s\u00f3 que em formato de bolso. <em>(Nanni Rios)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pref\u00e1cio do livro Cartier-Bresson &#8211; o olhar do s\u00e9culo, que acaba de chegar \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket, o bi\u00f3grafo Pierre Assouline n\u00e3o se constrange em assumir publicamente sua paix\u00e3o pelo biografado. E diferente do que podem pensar os mais puristas, isto n\u00e3o \u00e9 dem\u00e9rito algum. 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