﻿{"id":12384,"date":"2011-11-15T10:00:33","date_gmt":"2011-11-15T12:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=12384"},"modified":"2012-01-19T15:05:19","modified_gmt":"2012-01-19T17:05:19","slug":"54-andy-warhol-o-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=12384","title":{"rendered":"54. Andy Warhol, o retorno"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"53\" \/><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6929\" target=\"_blank\">No post numero 22<\/a> destes relatos memorial\u00edsticos sobre a hist\u00f3ria da L&amp;PM Editores, contei a hist\u00f3ria de um grande fracasso de vendas, os \u201cDi\u00e1rios de Andy Wahrol\u201d, edi\u00e7\u00e3o de Pat Hackett,\u00a0lan\u00e7ado em 1989. O investimento foi de, na moeda de hoje, cerca de 70 mil d\u00f3lares. Era um livro enorme, 1.000 p\u00e1ginas no formato 23 cm x 16 cm. S\u00f3 a tradu\u00e7\u00e3o custou 30 mil d\u00f3lares (1.500 laudas)&#8230; E o pre\u00e7o para o p\u00fablico, convertido para o dinheiro de hoje, ficou em R$ 120,00. Mais da metade da tiragem encalhou e os livros remanescentes\u00a0 acabaram, meses depois, fazendo a festa dos leitores nos balaios de saldos das principais feiras de livro do pa\u00eds. Tudo isto, em 1989.<\/p>\n<p>Pois em setembro de 2011, a L&amp;PM decidiu recomprar os direitos e FAZER DE NOVO os di\u00e1rios de Andy Warhol. O leitor, agora ciente dos preju\u00edzos que este livro causou no passado, perguntar\u00e1 perplexo: \u201cVoc\u00eas enlouqueceram?!\u201d<\/p>\n<p>Pode ser. Tudo come\u00e7ou neste ano, quando decidimos lan\u00e7ar a excelente biografia de Andy Warhol em nossa \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=510927&amp;SubsecaoID=0&amp;Serie=Biografias\" target=\"_blank\">S\u00e9rie Biografias<\/a>\u201d (com previs\u00e3o para chegar em dezembro), que publicaremos em colabora\u00e7\u00e3o com a respeitad\u00edssima editora francesa Gallimard. No embalo da biografia, surgiu a possibilidade de editarmos o livro \u201cAmerica\u201d de Andy Warhol. Foi a\u00ed que come\u00e7amos a discutir a quest\u00e3o dos \u201cDi\u00e1rios\u201d. Que tal republic\u00e1-los?<\/p>\n<p>Inclusive me propus a fazer uma \u201cedi\u00e7\u00e3o\u201d dos livros, \u201climando\u201d as passagens sem import\u00e2ncia e deixando s\u00f3 o substancial. Para que ficasse mais barato e pr\u00e1tico. Propusemos ao agente liter\u00e1rio encarregado do esp\u00f3lio, reeditar o livro com a metade das p\u00e1ginas. Depois de muitas idas e vindas, os agentes americanos toparam. Foi ent\u00e3o que eu iniciei a tarefa de cortar 50% dos di\u00e1rios. Nas primeiras 10 p\u00e1ginas, eu havia\u00a0deletado no m\u00e1ximo metade de&#8230; UMA p\u00e1gina. Prossegui, li, li de novo e l\u00e1 pela p\u00e1gina 300 eu cheguei\u00a0\u00e0 conclus\u00e3o de que seria um crime cortar um dia sequer, uma linha\u00a0que fosse\u00a0daquele di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como editor, eu deveria publicar na \u00edntegra ou n\u00e3o publicar. O livro n\u00e3o ficara \u201cmelhor\u201d do que em 1989, mas me dei conta de que havia uma raz\u00e3o maior que trazia uma nova dimens\u00e3o aos \u201cDi\u00e1rios\u201d: o passar do tempo. Passados 22 anos da publica\u00e7\u00e3o e 25 anos da morte de Andy Warhol, aumentou radicalmente a import\u00e2ncia dele e de muitos personagens que frequentam os suas p\u00e1ginas. Por exemplo, o grande cult da chamada \u201carte de rua\u201d Jean Michel Basquiat, morto em 1988, aos 28 anos, um ano ap\u00f3s a morte de Andy Warhol, \u00e9 mencionado in\u00fameras vezes, pois foi uma descoberta do criador do Pop. Ele diz em 4 de outubro de 1982: <em>\u201cO Basquiat \u00e9 o garoto que usava o nome de \u2018Samo\u2019 quando sentava na cal\u00e7ada do Greenwich Village e pintava camisetas, e de vez em quando eu dava 10 d\u00f3lares para ele e mandava ao Serendipity para tentar vend\u00ea-las. Era apenas um daqueles garotos que me enlouqueciam. \u00c9 negro, mas algumas pessoas dizem que \u00e9 porto-riquenho, a\u00ed sei l\u00e1. (&#8230;)\u201d <\/em>Enfim, s\u00e3o centenas de pessoas do show business, das artes, da realeza europ\u00e9ia, do rock and roll, do punk rock, da literatura, moda, imprensa, teatro, cultura underground, jet set em geral, milion\u00e1rios, drogados famosos, enfim, gente que superou a sua previs\u00e3o de que \u201cum dia todos v\u00e3o ter pelo menos 15 minutos de fama\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/andy.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-12387\" title=\"andy\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/andy-772x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"359\" height=\"477\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/andy-772x1024.jpg 772w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/andy-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/andy.jpg 965w\" sizes=\"auto, (max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><\/a><\/p>\n<p>25 anos depois, este livro se tornou hist\u00f3ria. Uma fonte de refer\u00eancia para se entender as d\u00e9cadas do fim do s\u00e9culo XX, a cultura da celebridade, a contra-cultura novaiorquina da \u00e9poca, a est\u00e9tica do Pop, o cinema underground e conhecer os registros praticamente\u00a0di\u00e1rios\u00a0desta grande aventura da \u00faltima jornada verdadeiramente de vanguarda da arte moderna. At\u00e9 as frivolidades que permeiam em abund\u00e2ncia\u00a0este livro\u00a0adquirem agora um significado hist\u00f3rico. \u00c9 Nova York pr\u00e9-11 de setembro. A grande Meca da modernidade,\u00a0cujos sonhos transgressores e vanguardistas derreteram junto com as torres g\u00eameas.<\/p>\n<p>Por isso e muito mais n\u00f3s decidimos encarar o desafio. Mas desta vez \u201cOs di\u00e1rios de Andy Warhol\u201d ser\u00e3o editados na cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET em dois volumes de 600 p\u00e1ginas cada um. O primeiro vai de 1976 at\u00e9 1981 e o segundo, de 1982 at\u00e9 1987.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o dos dois volumes juntos ser\u00e1, pelo menos, a metade do que custava a fracassada vers\u00e3o de 22 anos atr\u00e1s. Assim, eu considero respondida a pergunta do leitor perplexo. Acho que ainda n\u00e3o enlouquecemos. Pelo menos n\u00e3o por enquanto.<\/p>\n<p><em>* Toda ter\u00e7a-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata hist\u00f3rias que aconteceram em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de L&amp;PM. Este \u00e9 o\u00a0quinquag\u00e9simo\u00a0quarto post da S\u00e9rie \u201c<\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/blog\/?cat=777\" target=\"_blank\"><em>Era uma vez\u2026 uma editora<\/em><\/a><em>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* No post numero 22 destes relatos memorial\u00edsticos sobre a hist\u00f3ria da L&amp;PM Editores, contei a hist\u00f3ria de um grande fracasso de vendas, os \u201cDi\u00e1rios de Andy Wahrol\u201d, edi\u00e7\u00e3o de Pat Hackett,\u00a0lan\u00e7ado em 1989. O investimento foi de, na moeda de hoje, cerca de 70 mil d\u00f3lares. 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