﻿{"id":12279,"date":"2015-11-10T09:52:56","date_gmt":"2015-11-10T11:52:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=12279"},"modified":"2016-11-09T16:46:36","modified_gmt":"2016-11-09T18:46:36","slug":"o-triste-fim-de-arthur-rimbaud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=12279","title":{"rendered":"A morte do rebelde e maldito Arthur Rimbaud"},"content":{"rendered":"<p>Em 1891, ap\u00f3s uma sofrida viagem de navio at\u00e9 Marselha devido a dores insuport\u00e1veis em sua perna direita, Arthur Rimbaud decide procurar ajuda num hospital local. Ao ser examinado, a rea\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos foi alarmante:<\/p>\n<blockquote><p><em>Os m\u00e9dicos a servi\u00e7o do dr. Antoine Trastoul, um senhor de quarenta anos, as enfermeiras e as freiras ficaram at\u00f4nitos. Nunca viram um membro t\u00e3o putrefato, t\u00e3o monstruoso. A perna parece uma enorme e aterrorizante ab\u00f3bora. E crescer\u00e1 ainda mais, sem a menor d\u00favida, caso n\u00e3o realizem a amputa\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Como de costume, Rimbaud lamenta sua infelicidade em cartas \u00e0 m\u00e3e e \u00e0 irm\u00e3, Isabelle. Do hospital onde ficara internado, ele escreve uma carta pedindo que venham visit\u00e1-lo. Em 27 de maio, sua perna \u00e9 amputada rente ao tronco. A cirurgia transcorre bem e a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida.\u00a0Ap\u00f3s receber alta, ele providencia uma perna mec\u00e2nica e decide voltar a morar com a fam\u00edlia, que n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 dez anos, em Roche. Comunica sua volta por meio de uma carta a Isabelle, que promete esper\u00e1-lo na esta\u00e7\u00e3o de Voncq.<\/p>\n<p>Durante a viagem de trem, a cicatriz da cirurgia que parecia resolvida volta a incomod\u00e1-lo. Mas ao chegar \u00e0 esta\u00e7\u00e3o , o reencontro com a irm\u00e3 o faz esquecer qualquer sofrimento. Ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais aquela adolescente apagada e quieta de quem ele se lembrava, mas sim uma mulher de 30 anos, forte e ao mesmo tempo doce e am\u00e1vel, que decorou o quarto do irm\u00e3o com &#8220;cortinas novas, tecidos finos de algod\u00e3o e graciosos buqu\u00eas e flores&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar do esfor\u00e7o de Isabelle, as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas impostas pela perna amputada e o retorno \u00e0s lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia transformaram a estadia num verdadeiro inferno,\u00a0como descreve a <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=647126\" target=\"_blank\">biografia de Rimbaud<\/a>, publicada recentemente pela L&amp;PM:<\/p>\n<blockquote><p><em><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Rimbaud_baixa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-12281\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"Rimbaud_baixa\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Rimbaud_baixa-179x300.jpg\" width=\"161\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Rimbaud_baixa-179x300.jpg 179w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Rimbaud_baixa.jpg 459w\" sizes=\"auto, (max-width: 161px) 100vw, 161px\" \/><\/a>O fato \u00e9 que ele n\u00e3o tem o que fazer em Roche, nesse vilarejo perdido das Ardenas, a que chamam de Terra dos Lobos, a n\u00e3o ser passear seu enfado e sua tristeza, uma tristeza mortal, e ficar deitado no quarto durante longas horas olhando para o vazio, remoendo remorsos, lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia e pensamentos funestos. (&#8230;) J\u00e1 n\u00e3o suporta mais a luz do dia. \u00c9 preciso fechar as venezianas, deixar a porta do quarto sempre encostada. O pior \u00e9 que volta a sentir dores no coto e na virilha. De in\u00edcio, pensa que deve ser por causa da perna artificial comprada em Marselha e toma todas as provid\u00eancias para substitu\u00ed-la. No entanto, por mais que consulte os m\u00e9dicos da regi\u00e3o e de Charleville, por mais que tome as medica\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o prescritas, que recorra a &#8220;um simples rem\u00e9dio de benzedeira&#8221;, a ch\u00e1s de papoula, a \u00f3leos e massagens, continua sofrendo muito. Isso desencadeia crises de desespero, l\u00e1grimas, ataques de raiva, c\u00f3leras, gritos, xingamentos, blasf\u00eamias, noites intermin\u00e1veis de ins\u00f4nia&#8230; E o leva a persuadir-se de que o \u00fanico rem\u00e9dio capaz de atenuar suas dores horr\u00edveis seria volta a viver em Harar.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ele decide ir embora e Isabelle o acompanha. Mas a viagem de volta \u00e9 ainda mais estafante e cruel. A cada trepida\u00e7\u00e3o do trem, ele se contorce, aperta o coto com for\u00e7a e geme. Nenhuma posi\u00e7\u00e3o lhe parece confort\u00e1vel: costas, ombros, bra\u00e7os e principalmente o coto s\u00e3o &#8220;pontos terrivelmente dolorosos&#8221;. Mas ele insiste em continuar a viagem. A febre o faz delirar, rir e chorar. Quando d\u00e1 por si novamente, est\u00e1 de volta ao hospital onde amputara a perna. Os m\u00e9dicos se supreendem ao v\u00ea-lo\u00a0de novo\u00a0e num estado ainda pior do que o encontraram da primeira vez. O c\u00e2ncer se espalhara e Rimbaud est\u00e1 condenado.<\/p>\n<blockquote><p><em>Seu tumor cancer\u00edgeno, uma esp\u00e9cie de saco p\u00fatrido inchado que se estende do quadril at\u00e9 a barriga, atrai agora curiosos do hospital. Os visitantes, os outros pacientes e os m\u00e9dicos que passam por seu quarto &#8220;ficam mudos e aterrorizados diante desse c\u00e2ncer estranho&#8221;. \u00c9 como se estivesse diante de uma monstruosidade de circo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A pedido de Isabelle, cat\u00f3lica fervorosa, Rimbaud, que era ateu convicto, chega a se confessar com um padre. N\u00e3o apenas para agradar a irm\u00e3, mas pela \u00faltima esperan\u00e7a de que alguma for\u00e7a superior possa cur\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o houve santo capaz de mudar o destino daquele homem de apenas 37 anos que, adolescente,\u00a0havia escrito\u00a0poemas geniais e inigual\u00e1veis. Em 10 de novembro de 1891, por volta das duas da tarde, Arthur Rimbaud morreu. Seu estado de sa\u00fade e as sucessivas viagens o impediram de receber uma not\u00edcia que talvez tivesse ajudado a melhorar seu estado de sa\u00fade ou que, pelo menos, lhe garantiria um fim mais digno: apenas\u00a0tr\u00eas dias antes, era publicado em Paris pelo editor L\u00e9on Genoceaux um livro de 180 p\u00e1ginas reunindo seus poemas sob o t\u00edtulo de <em>Reliquaire <\/em>e que ele havia escrito entre 1869 e 1872.<\/p>\n<p>Para conhecer os detalhes da vida de um dos maiores poetas que o mundo j\u00e1 viu, leia o volume <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=647126\" target=\"_blank\">Rimbaud<\/a> <\/em>da <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=510927&amp;SubsecaoID=0&amp;Serie=Biografias\" target=\"_blank\">S\u00e9rie Biografias<\/a>. E n\u00e3o deixe de conhecer tamb\u00e9m seus poemas, aqui em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rebeldes_e_Malditos_Rimbaud.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-27754\" alt=\"Rebeldes_e_Malditos_Rimbaud\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rebeldes_e_Malditos_Rimbaud-585x1024.jpg\" width=\"360\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rebeldes_e_Malditos_Rimbaud-585x1024.jpg 585w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rebeldes_e_Malditos_Rimbaud-171x300.jpg 171w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Rebeldes_e_Malditos_Rimbaud.jpg 1417w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1891, ap\u00f3s uma sofrida viagem de navio at\u00e9 Marselha devido a dores insuport\u00e1veis em sua perna direita, Arthur Rimbaud decide procurar ajuda num hospital local. Ao ser examinado, a rea\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos foi alarmante: Os m\u00e9dicos a servi\u00e7o do dr. Antoine Trastoul, um senhor de quarenta anos, as enfermeiras e as freiras ficaram at\u00f4nitos. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[14,30,865],"class_list":["post-12279","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-arthur-rimbaud","tag-rimbaud","tag-serie-biografias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12279"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26765,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12279\/revisions\/26765"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}