﻿{"id":11997,"date":"2011-10-26T16:53:06","date_gmt":"2011-10-26T18:53:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=11997"},"modified":"2011-10-26T17:41:18","modified_gmt":"2011-10-26T19:41:18","slug":"rimbaud-o-mito-maior-do-que-a-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=11997","title":{"rendered":"Rimbaud: o mito maior do que a obra?"},"content":{"rendered":"<p>Jean-Nicholas Arthur Rimbaud at\u00e9 hoje mexe com o imagin\u00e1rio das pessoas que (n\u00e3o) conhecem a sua vida. Poeta adolescente, ele construiu sua obra entre os 15 e os 20 anos. Uma obra pequena, por\u00e9m poderosa, onde o poeta se alinha entre os movimentos de vanguarda da \u00e9poca como o simbolismo e o parnasianismo. Anos depois de sua morte, aos 37 anos em 1891, foi considerado como uma das principais influ\u00eancias do surrealismo. Na verdade, Rimbaud comp\u00f4s dois grandes poemas, \u201cIlumina\u00e7\u00f5es\u201d e \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=926455\" target=\"_blank\">Uma temporada no Inferno<\/a>\u201d e mais algumas dezenas de poemas longos e curtos, entre os quais destaca-se o c\u00e9lebre \u201cBateau \u00cevre\u201d (O barco b\u00eabado). E foi s\u00f3.<\/p>\n<p>Mesmo porque ele abandonou a literatura aos 20 anos, tendo iniciado uma sequ\u00eancia de fugas, desaparecimentos e surgimentos que at\u00e9 hoje causam dor de cabe\u00e7a nos seus f\u00e3s fan\u00e1ticos e bi\u00f3grafos. Arthur Rimbaud \u00e9 como a express\u00e3o que Lilian Hellman consagrou; uma esp\u00e9cie de \u201c<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lillian_Hellman\" target=\"_blank\">pentimento<\/a>\u201d, um retrato que surge e se esvai, deixando somente um vulto. O menino genial que, aos 14 anos, venceu o concurso de poesias em latim na escola, concorrendo contra os alunos \u201cgrandes\u201d do \u00faltimo ano do segundo grau, deixou sua marca na arte e na lenda. E talvez a sua marca mais poderosa tenha sido deixada justamente na lenda.<\/p>\n<p>Sua vida de fugas e rebeldia come\u00e7ou aos quatorze anos, para desespero da vi\u00fava Vitalie Cuif uma conservadora senhora da regi\u00e3o das Ardenas, onde ficava a provinciana Charleville, cidade natal do poeta. Entre idas e vindas\u00a0\u00e0 Paris, participou (apesar de serem fr\u00e1geis os ind\u00edcios) \u00a0da Comuna em 1871, frequentou os bares do Quartier Latin, promoveu dezenas de esc\u00e2ndalos e conheceu o j\u00e1 grande poeta Paul Verlaine que tornou-se seu protetor. A amizade entre o grande poeta e o jovem aspirante a poeta tranformou-se rapidamente num caso de amor. Um tumultuado \u201caffaire\u201d que terminou (mal) em Bruxelas, quando Verlaine, numa crise de ci\u00fames, deu um tiro que acerta a m\u00e3o de Rimbaud. Isto em 1873. Solid\u00e1rio com Verlaine que amargar\u00e1 dois anos nas masmorras belgas, o mundo intelectual parisiense abandona o incoveniente garoto de olhos azuis. E a partir da\u00ed os tra\u00e7os de Rimbaud come\u00e7am a ser difusos, ocasionais, surgem e se perdem. Nunca mais pratica ou fala de poesia ou literatura. Anda pela It\u00e1lia, pela Alemanha, Londres, Cidade do Cabo, trabalha num circo em Estocolmo, atravessa os Alpes a p\u00e9, alista-se no ex\u00e9rcito colonial das \u00cdndias Holandesas, deserta, vai trabalhar numa construtora no Chipre, adquire uma febre tif\u00f3ide, \u00e9 expulso de Chipre e segue de navio pelo Mar Vermelho e vai dar em Aden e de l\u00e1, empregado por uma empresa de com\u00e9rcio francesa, vai para Harar na Abiss\u00ednia (hoje Eti\u00f3pia). A\u00ed, os registro s\u00e3o mais raros e esparsos. O que se sabe \u00e9 pelas 80 cartas que mandou em 10 anos para os seus familiares. Ou de cita\u00e7\u00f5es em correspond\u00eancias alheias. Em 1880, s\u00e3o muito poucos os europeus naquele canto distante e infernal do planeta. E de l\u00e1, Rimbaud s\u00f3 sai para morrer de c\u00e2ncer na perna, em Marselha. Os registros escassos dizem e se contradizem; Rimbaud traficante de armas, Rimbaud traficante de escravos (nunca se provou, mas foi dito v\u00e1rias vezes), Rimbaud no Egito, atravessando desertos \u00e0 frente de uma centena de camelos, enfrentando bandidos, tribos hostis, reis africanos, com quilos de moedas de ouro ocultas em sua cintura, etc., etc.<\/p>\n<p>Nesta biografia de <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=647126\" target=\"_blank\"><em>Rimbaud<\/em> <\/a>que a cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET acaba de lan\u00e7ar, Jean-Baptiste Baronian faz um trabalho brilhante de garimpo de informa\u00e7\u00f5es, de constru\u00e7\u00e3o de um perfil e de compila\u00e7\u00e3o de fatos provados e de especula\u00e7\u00f5es sem documenta\u00e7\u00e3o. E o fascinante para o leitor \u00e9 que destas p\u00e1ginas emerge, com toda a for\u00e7a do mito Rimbaud, aquela que \u00e9 considerada uma das maiores e mais enigm\u00e1ticas aventuras po\u00e9ticas de todos os tempos (<em>Ivan Pinheiro Machado<\/em>).<\/p>\n<div id=\"attachment_11998\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Rimbaud.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11998\" class=\"size-large wp-image-11998 \" title=\"capa_Rimbaud.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Rimbaud-615x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"599\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Rimbaud-615x1024.jpg 615w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Rimbaud-180x300.jpg 180w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Rimbaud.jpg 1260w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11998\" class=\"wp-caption-text\">Rimbaud: mais do que uma vida, uma saga<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jean-Nicholas Arthur Rimbaud at\u00e9 hoje mexe com o imagin\u00e1rio das pessoas que (n\u00e3o) conhecem a sua vida. 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