﻿{"id":11598,"date":"2011-10-11T15:31:25","date_gmt":"2011-10-11T18:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=11598"},"modified":"2011-10-11T15:31:25","modified_gmt":"2011-10-11T18:31:25","slug":"49-a-arte-literaria-de-ibere-camargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=11598","title":{"rendered":"49. A arte liter\u00e1ria de Iber\u00ea Camargo"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/ERA-UMA-VEZ-21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11599\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/ERA-UMA-VEZ-21-1024x122.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/ERA-UMA-VEZ-21-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/ERA-UMA-VEZ-21-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/ERA-UMA-VEZ-21.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Em outubro, o \u201cEra uma vez\u2026 uma editora\u201d ser\u00e1 dedicado a relembrar alguns livros que marcaram n\u00e3o apenas a nossa mem\u00f3ria, como toda uma \u00e9poca. S\u00e3o obras\u00a0que\u00a0atualmente est\u00e3o esgotadas, mas que permanecem na lembran\u00e7a, no imagin\u00e1rio e na prateleira de muita gente. O escolhido de hoje \u00e9 \u201cNo andar no tempo\u201d, de Iber\u00ea Camargo.\u00a0 Iber\u00ea era amigo\u00a0de Ivan Pinheiro\u00a0Machado* que, al\u00e9m de editor\u00a0da L&amp;PM,\u00a0tamb\u00e9m \u00e9\u00a0artista pl\u00e1stico. Ivan poderia contar melhor esta hist\u00f3ria, mas como no momento ele est\u00e1 na Alemanha, onde amanh\u00e3 tem in\u00edcio a Feira Internacional do Livro de Frankfurt, vamos nos limitar a falar do livro.<\/em><\/p>\n<p>Era Outono de 1988 quando mais uma obra de Iber\u00ea Camargo foi conclu\u00edda. Desta vez, no entanto, sua arte n\u00e3o estava impressa na tela, mas em um livro publicado pela L&amp;PM Editores. <em>No andar do tempo \u00ad\u2013 9 contos e um esbo\u00e7o autobiogr\u00e1fico <\/em>era o nome da obra que, em pouco mais de 100 p\u00e1ginas, trazia al\u00e9m do que o t\u00edtulo prometia, mais dez\u00a0ilustra\u00e7\u00f5es do pintor ga\u00facho de renome internacional (duas delas\u00a0est\u00e3o logo abaixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Ibere_auto_retrato1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11601\" title=\"Ibere_auto_retrato\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Ibere_auto_retrato1-658x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"323\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Ibere_auto_retrato1-658x1024.jpg 658w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Ibere_auto_retrato1-192x300.jpg 192w\" sizes=\"auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Ibere_auto_retrato.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>Os cinco primeiros textos de <em>No andar do tempo<\/em>, escritos na d\u00e9cada de 80, eram marcados pela ironia e segundo escreveu o jornalista Antonio Hohfeldt na orelha do livro \u201cAtingem certa dimens\u00e3o metaf\u00edsica por tr\u00e1s da brincadeira aparente\u201d. <em>\u201cAo fazer a barba pela manh\u00e3, vejo pelo espelho um mosquito pousado na parede do banheiro, \u00e0s minhas costas. \u00c9 apenas um tra\u00e7o vertical, min\u00fasculo risco a creiom, na alvura v\u00edtrea do azulejo. Vou aniquil\u00e1-lo, penso comigo, com um golpe de toalha. Concedo-te a vida somente o tempo que necessito para fazer a barba. Devo usar a l\u00e2mina com cuidado, devagar, para n\u00e3o cortar o l\u00e1bio superior j\u00e1 chupado pela idade. Torno a fitar o mosquito. Ele continua im\u00f3vel na imagem do espelho, \u00e0 espera, sem o saber, de sua morte, como todos os viventes.\u201d<\/em> escreveu Iber\u00ea em \u201cO mosquito\u201d, conto que abre o livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11605\" title=\"Imagem3\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Imagem3-634x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"315\" height=\"508\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Imagem3-634x1024.jpg 634w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Imagem3.jpg 1007w\" sizes=\"auto, (max-width: 315px) 100vw, 315px\" \/><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Imagem1.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 outros quatro contos escritos por Iber\u00ea\u00a0na d\u00e9cada de 1950. Mais densos e dram\u00e1ticos do que os primeiros, eles \u00e0s vezes trazem os mesmo elementos de suas pinturas, como mostra um trecho de &#8220;O rel\u00f3gio&#8221;: <em>\u201cSobre a enxada enrola-se estranha serpente: um suspens\u00f3rio. Ele o desenla\u00e7a e com a arte o estende por terra, desenhando um ipsilone. Encontra tamb\u00e9m um soldadinho de chumbo com a perna quebrada, uma cornetinha e carret\u00e9is&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_esboco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11607\" title=\"capa_esboco\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_esboco-690x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_esboco-690x1024.jpg 690w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_esboco-202x300.jpg 202w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_esboco.jpg 1093w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Imagem3.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 em \u201cUm esbo\u00e7o autobiogr\u00e1fico\u201d, que fecha o livro, Iber\u00ea Camargo conta desde seu nascimento: <em>\u201cNasci em 18 de novembro de 1914, no Rio Grande do Sul, em Restinga Seca, onde meu pai era o agente da Esta\u00e7\u00e3o da Via\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea\u201d<\/em> at\u00e9 sua vis\u00e3o de mundo: <em>\u201cVejo o mundo amea\u00e7ado pela insanidade. Em 1984, em Porto Alegre, pintei um cartaz de rua que dilacerou na chuva e no vento, e escrevi um texto em solidariedade \u00e0queles que se op\u00f5em ao holocausto nuclear. \u00c9 preciso criar no Brasil uma consci\u00eancia ecol\u00f3gica. Talvez um partido. Tenho sempre presente que a renova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o da vida. Nunca me satisfaz o que fa\u00e7o. Vejo nisso um est\u00edmulo permanente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. Ainda sou um homem \u00e0 caminho.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Este era Iber\u00ea Camargo. Eternizado em palavras e pinturas.<\/p>\n<p><em>* Toda ter\u00e7a-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata hist\u00f3rias que aconteceram em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de L&amp;PM. Este \u00e9 o\u00a0quadrag\u00e9simo\u00a0nono post da S\u00e9rie \u201c<\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/blog\/?cat=777\" target=\"_blank\"><em>Era uma vez\u2026 uma editora<\/em><\/a><em>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro, o \u201cEra uma vez\u2026 uma editora\u201d ser\u00e1 dedicado a relembrar alguns livros que marcaram n\u00e3o apenas a nossa mem\u00f3ria, como toda uma \u00e9poca. S\u00e3o obras\u00a0que\u00a0atualmente est\u00e3o esgotadas, mas que permanecem na lembran\u00e7a, no imagin\u00e1rio e na prateleira de muita gente. O escolhido de hoje \u00e9 \u201cNo andar no tempo\u201d, de Iber\u00ea Camargo.\u00a0 Iber\u00ea [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[777],"tags":[395,2702,2701,1683],"class_list":["post-11598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-era-uma-vez-uma-editora","tag-feira-de-frankfurt","tag-ibere-camargo","tag-no-andar-do-tempo","tag-porto-alegre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11598"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11614,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11598\/revisions\/11614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}