﻿{"id":10927,"date":"2011-09-14T15:01:07","date_gmt":"2011-09-14T18:01:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10927"},"modified":"2011-09-14T15:25:28","modified_gmt":"2011-09-14T18:25:28","slug":"isadora-duncan-liberdade-revolucao-e-danca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10927","title":{"rendered":"Isadora Duncan: liberdade, revolu\u00e7\u00e3o e dan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Adeus, amigos! Vou para a gl\u00f3ria!&#8221;<\/em> foram as \u00faltimas palavras que <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=806181\" target=\"_blank\">Isadora Duncan<\/a> disse em 14 de setembro de 1927, pouco antes de embarcar no carro que a matou. Sua echarpe ficou presa em uma das rodas do convers\u00edvel, estrangulando-a. E assim termina a biografia da mulher de esp\u00edrito revolucion\u00e1rio e apaixonado que reinventou a arte da dan\u00e7a e lutou at\u00e9 o fim da vida por um mundo melhor.<\/p>\n<p>Descendente de escoceses e irlandeses, Isadora nasceu em S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos, no dia 27 de maio de 1877. Ficou na\u00a0&#8220;Bay Area&#8221; at\u00e9 1896, quando saiu para ganhar o mundo. Passou por Chicago, Nova York, Inglaterra, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, Alemanha e R\u00fassia, onde se envolveu com a revolu\u00e7\u00e3o e os ideais comunistas.<\/p>\n<p>Em sua autobiografia, escrita coincidentemente no ano em que morreu, ela conta que sua m\u00e3e tricotava roupas para vender e fazer algum dinheiro extra para o sustento dos quatro filhos, que criava sozinha. Vendo o desespero da m\u00e3e que n\u00e3o conseguia sequer comprar comida, a pequena Isadora resolveu vestir um gorro vermelho e ajudar nas vendas de porta em porta como narra <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=949253\" target=\"_blank\">Isadora &#8211; Fragmentos Autobiogr\u00e1ficos<\/a><\/em>, um dos primeiros livros da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;De casa em casa, apresentei minhas mercadorias. Algumas pessoas eram bondosas, outras grosseiras. De modo geral, tive sucesso, mas foi o primeiro despertar, em meu peito infantil, da consci\u00eancia da mosntruosa injusti\u00e7a do mundo. E aquele pequeno gorro vermelho que minha m\u00e3e tricotara era o gorro de uma crian\u00e7a bolchevique.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Isadora recorda em sua autobiografia que a dan\u00e7a faz parte de sua vida desde muito cedo, s\u00f3 que n\u00e3o da forma cl\u00e1ssica, como na vida das meninas que frequentaram aulas de bal\u00e9, mas da forma mais natural, intuitiva e libert\u00e1ria:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Na inf\u00e2ncia, n\u00e3o tive brinquedos ou brincadeiras de crian\u00e7a. Muitas vezes fugia sozinha para as florestas ou \u00e0 praia junto do mar, e l\u00e1 dan\u00e7ava. Sentia que meus sapatos e roupas apenas me estorvavam. Meus sapatos pesados eram como correntes; minhas roupas eram minha pris\u00e3o. Por isso eu tirava tudo. E sem olhos me espiando, inteiramente s\u00f3, eu dan\u00e7ava nua diante do mar. E parecia-me que o mar e todas as \u00e1rvores dan\u00e7avam comigo.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Isadora_duncan.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-large wp-image-10943\" style=\"border-style: initial; border-color: initial;\" title=\"Isadora_duncan\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Isadora_duncan-658x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Isadora_duncan-658x1024.jpg 658w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Isadora_duncan.jpg 910w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><\/p>\n<p>V\u00e1rios anos mais tarde, em 1915,\u00a0Isadora repete o feito da inf\u00e2ncia no Metropolitan, em Nova York. Nua e descal\u00e7a, vestida apenas com um xale vermelho, ela surpreende o p\u00fablico e encerra seu\u00a0espet\u00e1culo dan\u00e7ando o hino nacional franc\u00eas, numa tentativa intensa e desesperada de\u00a0sensibilizar os americanos e chamar aten\u00e7\u00e3o para os efeitos da Primeira Guerra Mundial que devastava a Europa.<\/p>\n<p>Mas seus ideais e sua arte nem sempre foram compreendidos &#8211; qui\u00e7\u00e1 bem aceitos &#8211; pelo p\u00fablico. E n\u00e3o era pra menos! Muito antes do surgimento dos movimentos feministas, ela j\u00e1 se posicionava a favor da emancipa\u00e7\u00e3o da mulher e criticava a institui\u00e7\u00e3o sagrada do matrim\u00f4nio.\u00a0E, em 1916, quando resolveu repetir o maravilhoso feito do Metropolitan num caf\u00e9 em Buenos Aires, foi quase deportada em nome da moral, dos bons costumes e dos sagrados s\u00edmbolos p\u00e1trios.<\/p>\n<p>Diante desta hist\u00f3ria, Eduardo Galeano n\u00e3o poderia deixar de falar de Isadora Duncan em seu livro <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=527090&amp;ID=847733\" target=\"_blank\">Mulheres<\/a><\/em>. O texto que leva seu nome traduz a alma radical e libert\u00e1ria de uma das maiores dan\u00e7arinas de todos os tempos, que se transformou em exemplo para aqueles que sonham com um mundo melhor e que, para realizar este sonho, n\u00e3o medem consequ\u00eancias:<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Isadora<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Descal\u00e7a, despida e envolvida apenas pela bandeira argentina, Isadora Duncan dan\u00e7a o hino nacional.<\/em><\/p>\n<p><em>Comete esta ousadia numa noite de 1916, num caf\u00e9 de estudantes de Buenos Aires, e na manh\u00e3 seguinte todo mundo sabe: o empres\u00e1rio rompe o contrato, as boas fam\u00edlias devolvem suas entradas ao Teatro Col\u00f3n e a imprensa exige a expuls\u00e3o imediata desta pecadora norte-americana que veio \u00e0 Argentina para macular os s\u00edmbolos-p\u00e1trios.<\/em><\/p>\n<p><em>Isadora n\u00e3o entende nada. Nenhum franc\u00eas protestou quando ela dan\u00e7ou a Marselhesa com um xale vermelho como traje completo. Se \u00e9 poss\u00edvel dan\u00e7ar uma emo\u00e7\u00e3o, se \u00e9 poss\u00edvel dan\u00e7ar uma ideia, por que n\u00e3o se pode dan\u00e7ar um hino?<\/em><\/p>\n<p><em>A liberdade ofende. Mulher de olhos brilhantes, Isadora \u00e9 inimiga declarada da escola, do matrim\u00f4nio, da dan\u00e7a cl\u00e1ssica e de tudo aquilo que engaiole o vento. Ela dan\u00e7a porque dan\u00e7ando goza, e dan\u00e7a o que quer, quando quer e como quer, e as orquestras se calam frente \u00e0 m\u00fasica que nasce de seu corpo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Em 1996, a L&amp;PM publicou <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=949253\" target=\"_blank\">Isadora &#8211; Fragmentos autobiogr\u00e1ficos<\/a><\/em>, com tradu\u00e7\u00e3o de Lya Luft, mas infelizmente o livro est\u00e1 esgotado. A autobiografia completa de Isadora Duncan est\u00e1 no livro <em>Minha vida<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Adeus, amigos! Vou para a gl\u00f3ria!&#8221; foram as \u00faltimas palavras que Isadora Duncan disse em 14 de setembro de 1927, pouco antes de embarcar no carro que a matou. Sua echarpe ficou presa em uma das rodas do convers\u00edvel, estrangulando-a. 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