﻿{"id":10848,"date":"2011-09-12T12:03:38","date_gmt":"2011-09-12T15:03:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10848"},"modified":"2016-11-09T16:23:41","modified_gmt":"2016-11-09T18:23:41","slug":"tempestade-e-impeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10848","title":{"rendered":"Tempestade e \u00edmpeto"},"content":{"rendered":"<p>Quando o dramaturgo alem\u00e3o Friedrich Maximilian von Klinger batizou sua pe\u00e7a de \u201cSturm und Drang\u201d (Tempestade e \u00edmpeto) em 1776, sabia que tinha um bom t\u00edtulo nas m\u00e3os. Mas talvez ele n\u00e3o soubesse, naquele primeiro momento,\u00a0que estaria dando nome a um novo movimento liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cSturm und Drang\u201d foi como passou a\u00a0ser chamado o\u00a0movimento que defendia a literatura m\u00edtica, selvagem, espont\u00e2nea, quase primitiva, onde a emo\u00e7\u00e3o estava totalmente acima da raz\u00e3o. Seus seguidores, os \u201cSt\u00fcrmer\u201d eram totalmente contra a literatura e a sociedade do \u201cAcien Regime\u201d, o antigo regime. O protagonista\u00a0era movido por vingan\u00e7a ou por um desejo exacerbado. A viol\u00eancia aparecia com frequ\u00eancia e a ang\u00fastia estava sempre presente. A literatura \u201cSturm und Drang\u201d tinha (tem)\u00a0car\u00e1ter anti aristocr\u00e1tico e seus valores\u00a0eram dolorosos, agoniantes e carregados de medo. Nos amores, n\u00e3o havia esperan\u00e7a. Na vida,\u00a0nenhuma sa\u00edda. A irracionalidade era uma palavra de ordem.<\/p>\n<p>Entre os jovens autores que se influenciaram por esta vertente, estava o jovem Friedrich von Schiller.<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=619066&amp;ID=808260\" target=\"_blank\"> <em>Os bandoleiros<\/em><\/a>, sua primeira pe\u00e7a, era um leg\u00edtimo exemplo do &#8220;Sturm und Drang&#8221;. \u201cJuntando seus conhecimentos a respeito do pietismo, da mitologia grega, da B\u00edblia e da medicina, Schiller deu \u00e0 luz uma obra selvagem, dr\u00e1stica e \u2013 em certo sentido e em algumas passagens \u2013 paradoxal, mas cheia de dinamismo, vigor e \u00edmpeto\u201d escreve Marcelo Backes na introdu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de <em>Os bandoleiros<\/em> na Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET.<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/bandoleiros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10850\" title=\"bandoleiros\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/bandoleiros-175x300.jpg\" width=\"175\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/bandoleiros-175x300.jpg 175w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/bandoleiros-598x1024.jpg 598w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/bandoleiros.jpg 770w\" sizes=\"auto, (max-width: 175px) 100vw, 175px\" \/><\/a>Os bandoleiros <\/em>provavelmente foi escrito em 1777, mas foi publicada em meados de 1781. Mais de dois s\u00e9culos depois, ainda\u00a0hoje \u00e9 considerada uma das obras-primas do \u201cSturm und Drang\u201d, devido ao impacto que\u00a0seu texto causa. Na primeira cena, o personagem Franz diz ao Velho Moor: <em>\u201cQuantos milhares de seres que beberam na ta\u00e7a da vol\u00fapia n\u00e3o foram corrigidos atrav\u00e9s do sofrimento! E a dor f\u00edsica que acompanha todos os excessos n\u00e3o \u00e9, por acaso, um sinal de Deus apontando o dedo? Ter\u00e1 o homem o direito de anular seus efeitos atrav\u00e9s de uma ternura cruel? Dever\u00e1 o pai precipitar ao abismo eterno o talento corretivo que lhe foi confiado? (&#8230;)\u201d<\/em><\/p>\n<p>Escrita \u00e0s escondidas, quando Schiller tinha menos de 18 anos, a pe\u00e7a traz as marcas de uma alma jovem, subjugada, mas revoltada. Tudo na pe\u00e7a \u00e9 \u00edmpeto, tudo \u00e9 arranque. N\u00e3o h\u00e1 suavidade. Quando algu\u00e9m se levanta, d\u00e1 um salto. Quando algu\u00e9m se afasta o faz correndo. A sucess\u00e3o de golpes \u00e9 intermin\u00e1vel e intensa. T\u00e3o intensa que a pe\u00e7a acabou virando \u00f3pera com m\u00fasica de Verdi. Segundo Marcelo Backes, \u201cEm <em><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eLFtkVXJbGk\" target=\"_blank\">I Masnadieri<\/a><\/em>, o compositor italiano envolve em m\u00fasica a f\u00faria do dramaturgo alem\u00e3o e a m\u00e3o do texto encontra a luva da \u00f3pera\u201d.<\/p>\n<p><em>Os bandoleiros <\/em>est\u00e1 na Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET com tradu\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, coment\u00e1rios e notas feitas por Marcelo Backes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o dramaturgo alem\u00e3o Friedrich Maximilian von Klinger batizou sua pe\u00e7a de \u201cSturm und Drang\u201d (Tempestade e \u00edmpeto) em 1776, sabia que tinha um bom t\u00edtulo nas m\u00e3os. 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